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Penafiel-Benfica, 1-0. Não foi só aritmética, foi um golpe no sonho

BENFICA PERDE JOGO EM PENAFIEL E PRIVILÉGIOS NA LUTA PELO TÍTULO

Uma exibição preocupante para quem jogava em Penafiel grande parte dos privilégios na luta pelo título, conduziu o Benfica a uma derrota cujo significado excedeu a simples aritmética dos três pontos perdidos.

Num estádio cheio, apoiada por milhares de adeptos entusiastas, empurrada pela motivação geral de uma conquista que nos últimos dez anos nunca esteve tão perto, a equipa encarnada assinou prestação absolutamente desastrosa, assente na dificuldade em perceber como queria levar a água ao moinho e na quebra evidente de algumas das suas unidades mais brilhantes e decisivas.

Foi um conjunto amorfo e sem chama aquele que abordou a contenda; foi uma equipa indiferente à desinspiração aquela que veio para o segundo tempo, mesmo trazendo Mantorras; por último, foi um colectivo desconexo, sem cabeça e à espera de qualquer ajuda divina, aquele que reagiu sem nexo ao golo do Penafiel – e quando N’Doye assinou o lance que decidiu a partida, ao contrário do que sucedera em Vila do Conde, por exemplo, desta vez ainda havia meia hora para rectificar.

Mole

O Benfica quis a bola mas teve dificuldade em trocá-la com sentido prático. Porque Nuno Assis não estabeleceu pontes entre a equipa e o ataque; porque os dois extremos não tiveram espaço e a bola só lhes chegou às vezes; porque o Penafiel, em três ou quatro ocasiões, accionou um contra-ataque rápido, participado e conduzido com muito critério, os encarnados viveram condicionados pela incerteza: estavam preparados para jogar curto, rápido e apoiado, tiveram de optar por um futebol mais directo, à procura de um Karadas sem soluções para dar sentido a qualquer acção de envolvimento.

O Penafiel apostou num esquema que lhe permitiu garantir vantagem numérica nas zonas que mais lhe interessavam. Com Clayton, Roberto e Wesley mais adiantados, Luís Castro procurou envolver cinco adversários – os quatro defesas mais Petit, em cuja zona de acção Wesley se movimentou.

Mas a dinâmica defensiva foi irrepreensível ao ponto de, no miolo, os penafidelenses terem conseguido, por norma, jogar com uma unidade a mais – Nuno Diogo, Sidney e o versátil N’Doye, contra Petit e Bruno Aguiar.

Entra Mantorras

Para o segundo tempo, Trapattoni lançou Mantorras. Não alterou logo o sistema táctico (saiu Karadas) mas fê-lo imediatamente a seguir: aos 53’ juntou Delibasic ao angolano, em detrimento de um Nuno Assis incapaz de proporcionar outro tipo de futebol que não o directo.

Nem mesmo com mais presença na área e com o sérvio a conseguir melhores resultados no confronto com os defesas contrários, a equipa logrou aproximar-se do objectivo. Porque a segunda bola foi quase sempre do Penafiel e os dois extremos não se libertaram das marcações, o ataque parecia condenado.

Golo

Quando o Penafiel marcou, o Benfica tinha mais de meia hora para dar a volta ao texto. Admitindo que a equipa, no seu todo, precisava de uma estalada para se encontrar com o jogo, esse momento revelou-se fatal. Dois minutos depois, Wesley atirou ao poste e legitimou a noção de que o contra-ataque continuava a fazer parte do guião. A verdade é que bastou esse sopro intenso de N’Doye para levar a águia ao desespero.

O sonho que parecia cada vez mais real sofreu um duro golpe que acrescenta à SuperLiga ainda mais emoção para as duas últimas jornadas.

Árbitro

Pedro Proença (3)

Conduziu o jogo com acerto. Esteve perto dos lances e não se deixou levar pelas emoções exteriores que estiveram sempre ao rubro. Nos lances polémicos, admitindo que tenha falhado, é justo reconhecer que falamos dos tais erros de sofá, que só as repetições (e nem sempre à primeira) poderão esclarecer. Pelo que fez merece o benefício da dúvida.
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