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Penafiel-Benfica, 1-3: Um vendaval de futebol

CRÓNICA

Um violento vendaval de futebol de ataque, feito de iniciativa, bola, movimentação e dois golos em doze minutos, permitiu ao Benfica passear num terreno onde era suposto sofrer; gerir o esforço quando, à partida, estava destinado a gastar energias que lhe podem ser úteis num futuro próximo. O campeão teve pressa em resolver a vidinha, conquistar os três pontos e ir pensando no exigente teste europeu de Manchester, razão pela qual o jogo de ontem não foi exactamente o que podia ter sido.

A entrada benfiquista no jogo arrasou um Penafiel assustado, que reagiu impotente às condições climatéricas desfavoráveis. Sem forças para travar os efeitos do caudal ofensivo do adversário, a equipa de Luís Castro refugiou-se atrás, procurou atenuar os efeitos da intempérie mas ficou sempre a ideia de que só o conseguiu quando o Benfica tirou o pé do acelerador, isto é, quando achou que tinha cumprido a missão e não precisava de prosseguir a acção de desgaste que lhe permitiu construir um triunfo prematuro.

A revolta generosa

No final da primeira parte, o Penafiel deu sinais de desvario, traduzido em dois lances que podiam ter alterado o resto do encontro: Barrionuevo devia ter sido expulso aos 44’ e Pedro Araújo teve entrada fora de tempo sobre Nélson, que o juiz resolveu com um cartão amarelo.

Mas o intervalo foi bom conselheiro para os nortenhos. A equipa assumiu uma generosa revolta perante o estado de coisas desfavoráveis e desafiou a desinspiração. A perder por dois golos e sem qualquer motivo para acreditar que podia operar a reviravolta, o Penafiel achou que devia reagir e atacar com todas as armas. Poder-se-á dizer que tal só foi possível pela retracção benfiquista, mas ninguém pode tirar valor a uma equipa em dificuldades que teve o mérito de não se dar por vencida e querer jogar até ao fim.

Emoção

Com Miccoli sozinho na frente de ataque, longe da equipa e afastado da construção do jogo (pareceu infeliz com o isolamento e resignado ao azar), o Benfica preparava-se para fechar o ciclo de um jogo que, até certa altura, foi aquilo que pretendeu. À urgência com que chegara ao triunfo seguia-se a matreirice de ver o adversário degradar a qualidade de vida e golpeá-lo em transições ofensivas rápidas, capazes de fazer oscilar o último reduto à guarda de Nuno Santos.

Num jogo que suscitou emoções fortes desde os primeiros instantes, nada melhor que o golo do Penafiel, aos 81’, para gerar a dúvida no marcador. Quando Koeman se preparava para lançar Ricardo Rocha em detrimento de Léo (mais centímetros para defender o presumível ataque por via aérea), e quatro minutos depois de um susto inesperado, Nuno Gomes selou a noite com um golo verdadeiramente espectacular, que enquadrou a hora e meia como um belo espectáculo, feito de momentos deliciosos e lições a tirar, sobretudo as que o Penafiel proporcionou.

Matador

Como balanço geral, a noite de ontem constituiu um vendaval de futebol, nem sempre jogado com perfeição, mas temperado com muitos ingredientes fundamentais na confecção de um jogo para não se esquecer. O Benfica confirmou a ideia de que está a subir, impulsionado pelo talento de Nuno Gomes, matador na pele de número 10 (primeiro golo) e do ponta-de-lança desamparado que Miccoli não conseguiu ser (o terceiro tento é digno de figurar em qualquer manual de avançados-centro).
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