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Pode não haver muito dinheiro mas há uma grande equipa!

ANTE UM GIL VICENTE MUITO SENHOR DO SEU NARIZ, O BENFICA SUOU AS ESTOPINHAS MAS LEVOU PRECIOSA VITÓRIA NA BAGAGEM!

Pode não haver muito dinheiro mas há uma grande equipa!
Pode não haver muito dinheiro mas há uma grande equipa!

FOI assim, tal e qual: uma hora e picos de sofrimento, de alguma tremideira -- tal e tanta que Enke teve de mostrar talentos para evitar que os gilistas materializassem o domínio territorial que vinham exercendo -- e, depois, com as entradas de Bruno Basto e Chano, com a equipa a soltar-se, a fazer circulação de bola à velocidade da luz, a surgir em grande, marcando dois golos e ficando a dever a si própria outros tantos!

É verdade que o Gil Vicente, tal como tem sido hábito no seu estilo, não hesitou em montar uma estratégia-carraça, com povoamento do meio campo e duas marcações especiais a Nuno Gomes (Auri) e João V. Pinto (Matias). Por outras palavras, cada vez que um benfiquista tinha a bola, logo ficava rodeado por dois ou três adversários, sem grandes hipóteses de dar seguimento aos lances. Ao contrário, os gilistas, com a força do meio-campo "nas mãos", não perdiam tempo em lançar o contragolpe, na esperança -- ou ilusão -- de poderem surpreender o extremo reduto encarnado.

Quase diríamos que o Benfica sentiu na pele e na alma uns 20 minutos de um certo atordoamento, talvez por não esperar um adversário tão bem implantado no terreno, a tapar-lhe as linhas de passe e também ousado na sua estratégia, isto é, fazendo alarde de uma velocidade apreciável e utilizando os flancos como "vias de acesso" à área adversária. Mas, com Enke a dar provas do seu valor (e a agradecer à barra tê-lo substituído, aos 5 m!), óbvio que a reacção benfiquista foi-se sentindo, primeiro em passes longos, depois nalguns cruzamentos que, contudo, não resultavam na prática!

UM JOGO VIVO

Foi um jogo vivo. Um "diálogo" tu cá-tu lá que, se poderá engrandecer os gilistas, deverá fazer pensar os "porquês" de o Benfica parecer consentir esse equilíbrio. E, a nosso ver, a razão não é difícil: com um sistema tão do agrado de Jupp Heynckes -- 4x4x2 --, os laterais (Okunowo e Rojas) actuaram demasiado estáticos, isto é, permitiram um fosso entre o seu bloco defensivo e a sua linha intermédia, fosso esse aproveitado às mil maravilhas pelos pupilos de Álvaro Magalhães para por aí se servirem e por aí tentarem a sua sorte! Para além disto e como hipotética resposta ou tentativa de colocar a bola em Nuno Gomes ou João Pinto, Poborsky desgastava-se em piques desnecessários, levando a bola até à zona da grande área mas, depois, uma finta e outras mais e os lances a morrerem "na praia"! O nulo ao intervalo era o resultado justo. A melhor dinâmica gilista não tinha quem, na frente, a materializasse, e o Benfica, corrigidas algumas marcações e ajustadas algumas pedras, respondera com acerto.

Se Enke -- repete-se -- teve de se mostrar, o mesmo se terá de dizer de Paulo Jorge. E nem valerá a pena cair-se na exaustão de citar os tempos em que as defesas apuradas fizeram troar as palmas!

O DEDO DE HEYNCKES

Esperou 20 minutos para ver se o adversário deixava em campo as derradeiras forças (e viu Fangueiro -- aos 60 m -- obrigar Enke a uma saída aos limites da área para evitar o pior), e quando ele começou a dar sinais de fraqueza -- os lançamentos longos já não tinham a eficácia do primeiro tempo, a pressão exercida sobre o homem que tinha a bola já não era imediata, a solidez defensiva já mostrava aqui e além algumas dobras a destempo, enfim, o "rato" Heynckes resolveu dar o "xeque-mate" de uma assentada: mandou entrar Bruno Basto e Chano para os lugares de Poborsky e Kandaurov e... tudo mudou. O Benfica meteu a velocidade máxima, fez circular a bola como mandam os cânones, os seus homens desataram a criar espaços e o Gil, que dera o litro e tudo fizera para provocar a surpresa, via-se, de um momento para o outro, envolvido numa teia, incapaz de segurar a bola, antes obrigado a procurá-la a toda a largura do terreno! Com uma particularidade importante: na primeira vez que tocou na bola, Bruno Basto fez um passe magistral para Maniche -- isolando-o -- e este teve a frieza e o talento dos mestres para esperar a saída de Paulo Jorge e brindá-lo com um chapéu perfeito; seis minutos depois, Calado, após um toque subtil de Chano na marcação de um livre, disparou o canhão "direito", tornando inútil o esboço de defesa de Paulo Jorge!

Pronto: num jogo de paciência, a arte ganhou à raça!

E depois? Foram mais uns vinte e tal minutos de gala, de futebol corrido, de trocas de bola ao primeiro toque e um punhado de situações onde o golo poderia ter surgido como corolário natural ao lance desenvolvido! Honras e mérito para Paulo Jorge (compreende-se muito bem porque é que Peter Rufai ainda não se estreou...)

Resumindo: pode não haver dinheiro quanto baste pelas bandas da Luz, mas mora lá, seguramente, uma grande equipa. No mínimo, a que melhor está a jogar nesta Liga do nosso contentamento!

A ARBITRAGEM

Paulo Paraty teve uma actuação positiva. Deixou jogar "à inglesa", sem nunca perder as rédeas do comando e, quando teve de puxar dos cartões, fê-lo com acerto. Perdão: faltou um a Poborsky -- aos 44 m --, por claro "mimo" a um adversário. Quanto a dois foras-de-jogo mal tirados (a Nuno Gomes aos 19 m, e a Fangueiro aos 74), a culpa não lhe pertence. O árbitro auxiliar fez-lhe a sinalética convencional e... outra coisa não poderia fazer!

COSTA SANTOS

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