Pressão do Benfica na origem da saída de Luís Nazaré

Presidente da mesa da assembleia-geral bateu com a porta

• Foto: Luís Manuel Neves

Luís Nazaré defendia a realização da assembleia-geral de forma virtual, algo que a direção do Benfica é contra, por sustentar que "viola frontalmente os estatutos". O presidente da mesa da assembleia-geral já o sabia desde 25 de maio mas pediu que lhe fosse enviado um documento por escrito a sinalizar essa mesma intenção, algo que seria feito até esta sexta-feira. Ontem mesmo, Nazaré comunicou a vontade de renunciar ao cargo, por telefone, ao presidente Luís Filipe Vieira e a um vice-presidente das águias.

Em carta enviada a Nazaré, recebida já após a demissão, as águias deixam explícito uma pressão ao agora antigo presidente da MAG, antevendo uma possível incursão judicial. "Caso considere que a incerteza e insegurança jurídicas decorrentes do processo deliberativo iniciado se revelem prejudiciais aos interesses, de qualquer natureza (patrimoniais ou desportivos), do clube, será forçada a suscitar a apreciação judicial da validade deste processo deliberativo e/ou das deliberações que possam vir a ser tomadas", pode ler-se na missiva enviada pelo Benfica, assinada por Luís Filipe Vieira, a que Record teve acesso.

Estatutos do Benfica


Nazaré, sócio 4769, defendia uma "assembleia-geral exclusivamente eletrónica", algo que para os orgãos sociais dos encarnados ia contra os estatutos, como já referido, sublinhando-se que nem todos os sócios poderiam ter meio para o fazer. "Adiantou ainda a direção, a realização dessa Assembleia Geral presencial (sem prejuízo da participação virtual de quem assim o entendesse) seria a única forma de permitir, igualmente, a participação de todos quantos pretendessem exercer o seu direito na própria Assembleia e nela apresentar eventuais propostas ou intervir na discussão destas (cfr. Art.
17.º, n.º 1, al. c) dos Estatutos), faculdade que estaria vedada a todos aqueles que não
quisessem ou não pudessem (ex. por falta de recursos ou meios eletrónicos) participar em formato virtual (e não vemos que assista a V. Exa. a autoridade para suprimir tal faculdade a qualquer sócio)", acrescenta ainda a direção do Benfica.

A direção do clube da Luz socorre-se dos artigos 56º e 57º para vincar a obrigatoriedade de presença dos sócios para a AG "na sede ou em outras instalações do clube".

Se a opinião de Luís Nazaré prevalecesse, a assembleia-geral ordinária dos encarnados, para votar o orçamento do clube, deveria decorrer no dia 15 de junho, apenas através do site oficial do clube, entre a 10 e as 21 horas. Para participarem, os associados das águias teriam de se inscrever no site do clube entre o dia 7 e o dia 14 de junho.

Em comunicado no site oficial, as águias apresentaram as suas razões e comunicaram que Virgílio Duque Vieira irá ser agora o sucessor de Luís Nazaré no cargo de presidente da mesa da assembleia-geral do Benfica.

Por Flávio Miguel Silva
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