Rui Costa: «Há um carinho especial pelo jogador que vem da formação»

Vice-presidente do Benfica dá o próprio exemplo

• Foto: Jorge Monteiro/Gestifute

Rui Costa reitera que os adeptos do Benfica gostam dos jogadores que integram o plantel sénior e se formem nos escalões de base das águias. 

"Há um carinho especial pelo jogador que vem da formação. Há quase uma tentativa da bancada, do nosso povo, que esse jogador tenha sucesso. Pode não conhecer a história de miúdo do jogador mas sabe que ele veio dos juniores, juvenis ou iniciados. Parte daí o primeiro carinho, por ser um miúdo da casa", vincou o vice-presidente do clube da Luz no documentário 'Copa 90 Stories', frisando que o seu sonho "era jogar no Benfica".

"Esse sonho começa no momento de vir ao estádio, quando me metem na cabeça que tinha algum jeitinho para jogar futebol. Se gosto tanto de futebol e gosto tanto do Benfica, tenho de ser jogador do Benfica. Este era o meu grande sonho de vida. Quando passo a sénior, queria depois ser dos melhores jogadores do Benfica. Estabeleci sempre metas na minha carreira e etapas mas tudo passava por jogar no Benfica", sublinhou Rui Costa.

Captações e a escola de Eusébio

"Hoje já não acontece um dia como aqueles. Era um dia especial, um dia de captações onde o treinador do Benfica nessa altura era o nosso rei Eusébio. Mas aquilo, mais do que captações, era a oportunidade para os filhos dos sócios de jogarem à bola no complexo da Luz. Estávamos ali umas 500 crianças e chamavam-se 22 crianças de 10 em 10 minutos. Naquela ocasião, a coisa correu extraordinariamente bem ao ponto de não chegar ao fim dos 10 minutos, mas desatei a chorar no meio do campo porque nem os 10 minutos eu tinha feito. Pensava que o treinador não tinha gostado de mim e o senhor Eusébio não tinha gostado de mim também. Chamaram de imediato o meu pai e disseram-lhe que queriam que eu fosse treinar no dia a seguir. Evidentemente, eu continuava a chorar que nem um desalmado porque nem os 10 minutos tinha feito. Não prestava nada para aquilo, com uma desilusão tremenda. É aquele o meu dia, talvez o mais lindo da minha vida. Direi, evidentemente, que ali nasceu a minha carreira, pelas mãos do maior símbolo que nós podemos ter no país."

"Pelo facto de ter sido nesse dia com ele… Eu muita vezes brincava [com Eusébio]: ‘Esteja calado, você foi o único jogador que você treinou que chegou ao futebol profissional’. Brincava muito com ele nesse aspeto, tinha uma relação estreita comigo também por isso. Ele, sim, conhecia-me desde os 9 anos. Não havia igual em nenhum sentido. Não o vi jogar mas não era preciso tê-lo visto para saber a enormidade de homem que ele era dentro do campo e o jogador que foi. Tinhamos essa prova humana, no convívio diário com ele, quer no Benfica quer na Seleção. Era uma pessoa fantástica, um apaixonado pelo jogo e pelo futebol. Conseguia transmitir-nos isso."

Por Flávio Miguel Silva
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