Rui Gomes da Silva: «O Benfica não precisa de gente para quem o clube significou zero toda a vida»

Antigo candidato à presidência do clube reaparece publicamente para deixar críticas

• Foto: Pedro Ferreira

Rui Gomes da Silva protagonizou esta terça-feira o reaparecimento público, pela primeira vez após as eleições de outubro, para deixar duras críticas a quem gere os destinos do Benfica.

"O Benfica não precisa de aprendizes de feiticeiro, de comentadores especialistas em tudo, mas que do mundo do futebol sabem zero. Muito menos precisa de gente para quem o Benfica significou zero durante 20 anos (ou toda uma vida), ou de quem se lembrava do Benfica para fazer negócios mas se esquecia do Benfica para pagar quotas de sócio. O Benfica precisa de benfiquistas que apostem no sucesso do clube e não de quem planeia campanhas mediáticas a apostar na derrota do Benfica em campo. O Benfica constrói-se e ganha-se com ideias e não com o insucesso do clube", constatou o candidato derrotado nas presidenciais numa publicação realizada através do blogue 'Novo Geração Benfica'.

O antigo vice-presidente recordou também o momento em que se submeteu a sufrágio. "Submeti-me às regras estabelecidas por Luís Filipe Vieira (sim, por ele) para essas eleições, apesar de as achar antidemocráticas, típicas de uma ditadura e manipuladoras da verdade. Mas todos nós (candidatos) sabíamos, de forma clara, que o voto físico não seria contado e que o resultado eletrónico não seria… auditável. E como aceitei que o meu nome estivesse no boletim de voto, aceitei o resultado que nos foi apresentado na madrugada das eleições", vincou Gomes da Silva.


Leia o texto na íntegra:

"Enquanto não alcances

Não descanses."

(Miguel Torga - Diário XIII)

O Sport Lisboa e Benfica tem 117 anos.

117 anos de História construída com o trabalho de milhões de adeptos, de atletas, de dirigentes, unidos num único objetivo: tornar o Sport Lisboa e Benfica num clube de uma dimensão ímpar em Portugal, na Europa e no Mundo, cumprindo o espírito fundador de Cosme Damião e dos que o acompanharam, naquele dia de 1904, na Farmácia Franco.


Dediquei uma enorme parte dos últimos 4 anos, até ao passado mês de Outubro, a expor aos benfiquistas aquilo que achava não defender o interesse superior do Clube e a apontar caminhos diferentes daqueles que Luis Filipe Vieira defendia.


A recuperação do domínio do FC Porto era uma realidade, quer em campo, quer fora dele, sendo, por isso, urgente seguir outro caminho, ter outra mentalidade, para que o Benfica recuperasse a sua posição natural: liderante em Portugal e muito importante na Europa.


Submeti-me – há, portanto, quase sete meses – a eleições com uma equipa, com ideias, com um projeto, tudo dado a conhecer num programa do que queríamos para o Benfica do futuro.


Não cedi um milímetro naquilo que entendi e continuo a entender ser a defesa do Benfica.


As minhas intenções foram claras, transparentes e guiadas pela consciência de 62 anos de vida, de benfiquismo e de sócio. Dei e dou a cara pelas minhas ideias.


Submeti-me às regras estabelecidas por Luis Filipe Vieira (sim, por ele) para essas eleições, apesar de as achar antidemocráticas, típicas de uma ditadura e manipuladoras da verdade.


Mas todos nós (candidatos) sabíamos, de forma clara, que o voto físico não seria contado e que o resultado eletrónico não seria… auditável.


E como aceitei que o meu nome estivesse no boletim de voto, aceitei o resultado que nos foi apresentado na madrugada das eleições.


A partir daí, fiquei em silêncio para que a direção eleita pudesse mostrar o que queria fazer de diferente, apesar de eu não acreditar em mudanças de alma de quem, nos últimos anos, teve tudo na mão para levar o Benfica mais além e preferiu salvar… o FC Porto.


Um silêncio cumprido escrupulosamente, para que não houvesse nada a apontar a mim ou a quem esteve comigo naquelas eleições de Outubro.


Mas com a época desportiva terminada, não há como deixar passar em claro que o plano de colocar o Benfica de joelhos para o entregar a um qualquer "investidor" está em plena marcha.


Não me resta outra opção que não defender o Benfica, para que, um dia destes, não deixe de ser nosso!


Luis Filipe Vieira tem uma estratégia que passa por fazer do Benfica uma plataforma de negócio e não um Clube desportivo vencedor em Portugal e na Europa.


Na final de triste memória de domingo, contra o Braga, jogamos com 2 portugueses no 11 titular.


Depois de dezenas e dezenas de milhões de euros enterrados em obras sem fim no Seixal, e com planos de construir mais campos, eis que, afinal, a formação serve apenas para vender e não para tornar o Benfica mais forte.


Avisei durante meses de que Rúben Dias seria vendido.


De que não seria o capitão do futuro Benfica, apesar das mentiras propaladas pela comunicação do Benfica, "mandadas meter" por quem sabia que isso era falso!

Porque o Benfica é gerido por quem não tem qualquer paixão pelo Benfica … por quem só vê euros em vez de vitórias.

Por isso o Seixal é um entreposto de pagamento a empresários e não uma fábrica de talentos para o Benfica.

Por isso Ruben Amorim virou as costas a essa gente (e não ao Benfica), não ficando para ser pau mandado de quem não tem o interesse do Benfica no coração.

Como de forma solitária o fui dizendo durante quase 4 anos, Luis Filipe Vieira só tem um único objetivo: sobreviver pessoalmente com a "bóia" enorme que é o nosso clube.

Por isso sacrifica tudo, mesmo o Benfica, para tentar que os poderes estabelecidos no futebol o ajudem a manter-se "vivo" por aqui.

Todos ouvimos – nos últimos dias – o presidente do Novo Banco destacar que Vieira e o seu aval valem … por ele ser presidente do Benfica.

Quantas vezes eu o disse nos últimos anos, enquanto os "notáveis" das colunas de opinião assobiavam para o lado?

Quando contestei a OPA vergonhosa, quantos dos "notáveis" não vieram defender esse assalto aos cofres do Benfica como "muito bom"?

Tudo o que infelizmente temi que pudesse acontecer, está a acontecer.

A época desastrosa, a venda dos melhores jogadores, os gastos milionários em transferências e com custos diferidos para o futuro, o desastre que foi a contratação de Jorge Jesus … tudo, infelizmente, aconteceu.

Para defender o Benfica do futuro, ou mesmo para que o Benfica tenha futuro, há pontos inegociáveis, que importa recordar para memória futura.


Assim,

1) Manter o controlo da SAD

Recusar, de forma intransigente, qualquer "Messias" ou "Investidor institucional" que apareça a prometer uma qualquer aposta financeira no Benfica, em troca do controlo da SAD ou de uma fatia substancial das ações, nas mãos do Benfica por razões estatutárias.

É um imperativo de consciência.

Tanto como pugnar para que os que obtiveram posições relevantes na SAD devolvam ao Benfica essas ações, recebendo o valor que despenderam na aquisição das mesmas e sem lucros à custa de "amizades".

2) Direitos televisivos com respeito pela grandeza do Benfica

Há uma negociação nas costas dos benfiquistas para a centralização dos direitos televisivos, mesmo antes do fim dos contratos em vigor.

Essa negociação deveria ser liderada pelo Benfica, como principal clube e originador de maiores audiências em Portugal.

Só assim se poderia defender uma centralização que visasse maximizar os valores para todos e não retirar ao Benfica o que é do Benfica para dar aos outros, em especial ao FC Porto, e, a partir de agora, também ao Sporting (tanto o ajudaram para servir de lebre na venda da maioria da SAD que agora vão ter que o aturar, sem qualquer agradecimento).

Na verdade, essa negociação está a acontecer, de forma a que iremos ficar presos durante anos a um contrato que servirá para dar mais poder aos mesmos que nos tiveram na mão durante 10 anos.

3) Relações com empresários e intermediários

O Benfica não pode estar submetido a interesses que não os do Clube.

Mas – infelizmente – está.

Por isso vimos sair João Félix e pagámos comissão por um jogador que supostamente não queríamos vender e saiu pela cláusula de rescisão.

Por isso Ruben Dias tinha mesmo de sair, porque a decisão não foi do Benfica.

O Benfica, para voltar a ser grande não pode estar sujeito aos empresários nem alimentar intermediários.

Quer dos que vendem jogadores, quer dos que pagam campanhas!

E isso não pode ser conciliável com um Seixal com uma dimensão controlada – e não para os construtores ganharem dinheiro – onde os melhores fiquem senão toda uma vida, pelo menos o tempo suficiente para ajudar o Benfica a ser forte.

4) Democratização do Benfica e dos Estatutos

Como defendi – sozinho durante muito tempo – qualquer votação no Benfica deve voltar a ser feita pelo recurso ao voto físico, presencial, muito especialmente quando se tratar de eleições, realizadas a duas voltas, quando com mais de 2 candidatos, se necessário, de forma que o Presidente eleito tenha a maioria dos votos depositados e contados.

Não contados sem ser depositados nas urnas!

Qualquer exceção – numa qualquer situação pontual e não eleitoral – deve ser levada a cabo através do site, com recurso ao login pessoal do sócio, e sempre com auditoria externa e independente.

Tudo a incluir numa revisão de Estatutos que altere as regras da capacidade eleitoral passiva e que impeça a antecipação de receitas além do mandato corrente.

5) Nova Administração, com novos responsáveis em todas as áreas da SAD

Defendi a necessidade de uma nova administração, abrindo apenas uma exceção quanto a uma possível conversa com Rui Costa sobre o seu grau de compromisso com o Benfica e com um projeto diferente e de futuro.

Mas mesmo essa exceção não faz hoje qualquer sentido.

Rui Costa quer ser parte do problema e não da solução.

Por isso o seu contributo na gestão do Benfica, se é que existe, deve terminar com a saída de Luís Filipe Vieira.

6) Treinador de futuro, respeitado e ambicioso

Para termos uma equipa para a Europa, temos que ter um treinador com dimensão ou capacidade de lá estar.

Para isso, temos de procurar um treinador virado para o futuro e não para o passado.

Como é óbvio, o atual treinador não preenche esses requisitos, apesar de a sua equipa técnica custar o mesmo ou mais que muitos treinadores da Europa do futebol.

7) Uma Comunicação e uma BTV ao serviço do Benfica

Como se nota desde 1 de janeiro, não adianta mudar caras quando o objetivo da Comunicação do Clube é apenas um: defender Luis Filipe Vieira.

Os órgãos de comunicação do Clube e a BTV devem estar ao serviço de todos os benfiquistas, da promoção do benfiquismo e para combater a opinião formatada, parcial e dependente de poderes que, por vezes, ataca os interesses do nosso Clube.

Não para combater quem pensar de forma diferente de quem manda ….

8) Um Presidente corajoso, benfiquista e capaz de guiar o clube em tempos difíceis

Coragem, benfiquismo e, acima de tudo, ser capaz de "dar o corpo às balas" em tempos difíceis, eis o que este presidente não mostrou nos últimos 4 anos.

O Benfica precisa de um Presidente que não pactue com os poderes decadentes que permitem ao FC Porto a impunidade no discurso contra o futebol ou contra a verdade desportiva.

O Benfica precisa de um Presidente que coloque o Benfica acima dos seus próprios interesses em todos os momentos de decisão do futebol português.

O Benfica não precisa de um Presidente que deixa tudo nas mãos de outros, não benfiquistas, prejudicando assim o nosso clube.

O Benfica não precisa de Presidentes que dependam ou sejam coniventes – por todas as razões – dos interesses que protegem os nossos adversários ou quaisquer empresários.

O Benfica não precisa de aprendizes de feiticeiro, de comentadores especialistas em tudo, mas que do mundo do futebol sabem zero.

Muito menos precisa de gente para quem o Benfica significou zero durante 20 anos (ou toda uma vida), ou de quem se lembrava do Benfica para fazer negócios mas se esquecia do Benfica para pagar quotas de sócio.

O Benfica precisa de benfiquistas que apostem no sucesso do clube e não de quem planeia campanhas mediáticas a apostar na derrota do Benfica em campo. O Benfica constrói-se e ganha-se com ideias e não com o insucesso do clube.

O Benfica precisa de um Presidente e uma equipa para tempos de incerteza, e não de novos-ricos que só sabem gastar em tempos de "vacas gordas", que são mestres em reestruturações, mas não em pagar e honrar os seus compromissos.

Por mim… sócio – e apenas sócio – do Benfica … sem qualquer protagonismo, aposto no futuro… por continuar fiel ao sonho, de forma que o sonha possa ser realidade;

Com benfiquistas ao leme, com valores inegociáveis, contra os interesses que se servem do Benfica, para que não continue a ter razão antes do tempo!

Livre e de consciência tranquila, pude sair.

Há quem não possa!

A esses… tem que ser o Benfica a mandá-los embora ou a nem sequer os deixar entrar no próximo assalto ao poder.

Pelo Benfica!!!

Rui Gomes da Silva

Por Flávio Miguel Silva
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