Rui Vitória: «Lage? Que alguns erros cometidos comigo não voltem a ser cometidos»

Pede proteção total ao técnico e queixa-se de ter trabalhado ultimamente num Benfica "desfocado"

• Foto: Miguel Barreira

Rui Vitória, ex-treinador do Benfica e que agora vai orientar o Al Nassr, abordou na TVI a sua saída da Luz dizendo que ficou com uma boa relação com Luís Filipe Vieira, mas queixando-se de um Benfica "desfocado" nesta última fase e pedindo proteção total ao novo técnico.

Relação com Vieira

"Relação ótima. Terminámos como tínhamos de terminar, entendimento perfeito. Achámos que eram as melhores soluções. Ficámos com ótimas relações. Posso orgulhar-me de deixar amigos em todos os clubes por onde passei. Com o presidente tenho uma relação que é boa, não tinha por que não ser."

Reforços que não resultaram

"Não vale a pena falar de aspetos concretos. Só quero dar esta entrevista para terminar este ciclo. Os jogadores naturalmente que tive quota parte na sua vinda. Se havia outros que queria trazer, é verdade. Mas espero que o Benfica tenha o maior sucesso. Os jogadores que lá estão, que defendi, que tenham sucesso."

Tem visto o Benfica?

"Não. Desliguei. Não vi por qualquer razão, entendi que acabou o ciclo, desliguei. Comecei a pensar noutras situações."

Bruno Lage

"Não o conheço em profundidade, mas conheço. Não vou estar a concretizar, até porque já muitos outros treinadores da formação que passaram pelo Benfica e têm qualidade. O Benfica entendeu que era a melhor solução. Tem qualidade, terá de ter a sua oportunidade, ser protegido. Proteger o treinador que está a começar uma carreira a um nível elevado. Agora, o trabalho, sorte e apoio têm de estar presentes, isso é determinante."

Trazer outro treinador?

"Não sei o que os responsáveis do Benfica entendem. Não faria sentido, mas acharia possível. Já houve duas vitórias, há uma visão de continuidade, mas não é algo em que me queira incluir. O presidente sabe muito bem como tomar essa decisão."

Continuidade de Lage?

"Penso que sim [seria lógico], mas mais do que isso é que alguns erros que possam ter sido cometidos comigo não voltem a ser cometidos. Uma proteção enorme ao treinador. Estes clubes e os clubes da sua dimensão tem de entender clamente – e o Benfica entende mas tem de estar sempre relembrado – o mais importante todas a semanas são os 90 minutos e a equipa tem de ser defendida. Talvez o Benfica tenha andado desfocado, houve uma série de circunstâncias que podem ter desfocado e que senti mais nesta segunda fase do meu percurso. É fundamental que se pense que os jogadores têm de ser protegidos, saber que o momento mais importante numa semana são os 90 minutos."

Faltou dar um murro na mesa?

"Estas indicações e a minha visão estão bem explícitas para quem trabalhou comigo. Não sou candeeiro de rua, não preciso de apregoar estas coisas para fora. Falo com as pessoas internamente. Talvez esse tenha sido uma das questões que as pessoas podem ter levantado. Mas sei muito bem o que tenho a fazer, o que quero para a minha vida. Quando vim para o Benfica vim para um projeto, mas não ser a parte fundamental. Mais do que o treinador, são as ideias genéricas do clube. Vim colaborar nesse projeto. Talvez fosse necessária uma outra forma de atuar, que tive em privado, mas em público tive o cuidado de não ser apanhado em algo que dissesse e pudesse ir contra os jogadores."

Por Flávio Miguel Silva e Luís Miroto Simões
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