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S. Clara-Benfica, 0-0: Açorianos não leram a acta...

CRÓNICA

"O Benfica estava proibido de perder pontos. Deixou dois nos Açores, quase apenas por culpa própria. Se havia alguma coisa lavrada em acta, os açorianos não  perceberam. Tal como o árbitro João Vilas Boas"
S. Clara-Benfica, 0-0: Açorianos não leram a acta... • Foto: Paulo Calado
POUCO futebol e não muita emoção, excepto nos últimos instantes, quando o Santa Clara podia ter agarrado os três pontos com um remate de Gabor Vayer ao poste. Um resumo deslavado de um jogo que ninguém vai querer guardar na memória.

O golo teria tido o condão de colorir um jogo demasiado cinzento para deixar alguém satisfeito. Gabor Vayer, recém-entrado, teria sido mais uma vez herói e João Manuel Pinto (o menos mau dos benfiquistas) estaria agora "crucificado" por ter perdido um lance dividido com o húngaro no coração da área. O triunfo do Santa Clara não escandalizaria, mas estamos a falar de "ses" e os postes está lá para alguma coisa.

O zero-zero não terá deixado ninguém satisfeito. A começar pelo público, que , ainda por cima, levou com chuva na parte final. Um resultado que, teoricamente seria efusivamente festejado pelos açorianos - à quarta tentativa, é a primeira vez que evita a derrota (logo nas circunstâncias mais difíceis em termos de disponibilidade de jogadores) -, acabou por saber a pouco pelo "jogo jogado" e pelo facto de não permitir encurtar mais o atraso para o V. Guimarães na luta pela Taça Intertoto.

Mas o interesse maior do encontro tinha a ver com outra "guerra" europeia: a Taça UEFA. E, nesta, o Benfica estava proibido de perder pontos. Deixou dois nos Açores, quase apenas por culpa própria. Se havia alguma coisa lavrada em acta, os açorianos ão perceberam. Tal como o árbitro João Vilas Boas.

Depois de uns ligeiros tremores iniciais, acusando as condicionantes de uma defesa de recurso, o Santa tomou conta do jogo até ao intervalo. O Benfica entrou com uma frente de ataque larga, com Drulovic a chegar-se adiante e, assim, compondo uma linha de quatro com Carlitos na direita, Zahovic ao centro e Miguel na esquerda. Depois de os açorianos acertarem passo, a estratégia revelou-se um desastre, atendendo à fraca produção dos dianteiros e sobretudo à incapacidade para fazer chegar a bola à frente. O pouco que se viu do Benfica resultou de lançamentos de Ednilson para Caneira, que se adiantava , explorando o ponto mais fraco do Santa Clara: o lateral-direito Luís Soares.

Ao invés, as rápidas combinações de Figueiredo com Hanuch faziam com que a bola estivesse maioritariamente no meio campo benfiquista, faltando "poder de fogo " para criar outro tipo de complicações.

Impressionou a ineficácia de um trio composto por Zahovic, Carlitos e Drulovic (sobretudo deste último). Foi fiado neste 3x0=0 que Manuel Fernandes arriscou e tomou conta do jogo. Recuando Barrigana para a zona de actuação do referido trio, manteve a segurança defensiva e, simultaneamente, adiantou Luís Soares para poder "matar" mais longe na sua baliza as investidas de Caneira. Foi tão acertada esta decisão que até se deu a luxo de "autorizar" adiantamentos de Kali e (sobretudo) Sandro, numa altura em que Hanuch já estava a actuar no "seu" lado esquerdo.

Ao intervalo, Jesualdo estava condenado a mexer na equipa. Lançou Mantorras, sacrificando Carlitos quando se esperava que prescindisse de Drulovic. O Benfica melhorou, mas não o suficiente para inverter a tendência do jogo, pois o Santa Clara, a par do respeito pelo angolano, manteve o atrevimento no contra-ataque.

Com a chuva e as substituições seguintes, foram por água abaixo as esperanças benfiquistas. O Santa Clara, só com cinco suplentes, trocou Barrigana (estreante esta temporada) por Miner e Hanuch por George. Se não melhorou, andou lá perto. O Benfica substituiu (finalmente) Drulovic por Porfírio e Ednilson (melhor do que Tiago) por Andrade. Se não piorou, andou por lá perto. Entrou-se no período mais incaracterístico do encontro e ficou à vista de todos a falta que Simão faz a este Benfica, incapaz de produzir uma jogada criativa e sem ninguém que arraste a equipa para a conquista.

Foi um Benfica "vergado" que se despediu do Estádio de São Miguel a olhar para um poste da baliza defendida por Moreira, suspirando pelo apito de...

João Vilas Boas, que ficou à beira da nota máxima. Não fosse a troca de cartão a Porfírio...
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