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Santa Clara-Benfica valeu pela primeira parte

ENCARNADOS TORNARAM FÁCIL O DIFÍCIL E DEPOIS VIVERAM DOS RENDIMENTOS

JUPP Heynckes iniciou nos Açores, à terceira jornada, a gestão do seu plantel para a época 1999-2000. Numa partida entalada entre uma dupla ronda de selecções e o pontapé de saída da Taça UEFA, o técnico alemão deu descanso a dois dos seus principais jogadores, João V. Pinto e Karel Poborsky, elementos-chave das equipas nacionais de Portugal e da República Checa. Foi uma decisão que encerrou alguns riscos, mas que acabou por pagar dividendos. Até porque os substitutos directos desses jogadores, não só actuaram com acerto como fizeram um golo cada um. Na verdade, Maniche e Kandaurov deram bem conta do recado...

O Santa Clara-Benfica, disputado no meio de um extraordinário clima emocional - Timor Lorosae é questão omnipresente -, acabou por não passar, para os encarnados, de um tigre de papel. Porque a sua excelente atitude da primeira parte deu para “matar” o jogo e permitiu “sopas e descanso” na metade complementar. Diz-se, e com muita razão, que em futebol não há jogos fáceis; há, isso sim, jogos que se tornam fáceis. Este, do ponto de vista benfiquista, foi um desses.

QUATRO MAIS UM

Manuel Fernandes armou a sua equipa com matreirice, à espera que o Benfica se “abrisse” e fosse presa fácil do contra-ataque açoriano. Para isso colocou Sérgio e Cláudio Abreu com Nuno Gomes e Luís Miguel com Kandaurov, encostando Portela e Telmo em Luís Carlos e Maniche. No meio-campo, Barrigana e Clayton faziam o trabalho de sapa e Figueiredo ensaiava lançamentos para Gamboa e George, abertos na alas. O plano estava bem congeminado, mas os executantes não deram boa conta do recado. Algum nervosismo, uma ansiedade mal controlada perante o Benfica e tudo se esfumou, ao primeiro abanão.

A turma da Luz, em muitas fases da partida, optou por um “consistente” 4x5x1, onde Kandaurov era o quinto homem do meio-campo. E foi aí que a guerra foi ganha. Nesse sector fundamental, o labor de Calado e Chano foi constante, reduzindo sistematicamente espaços aos adversários, e o ucraniano encarregou-se de conseguir muitos desequilíbrios. Conquistado o meio-campo, os encarnados tornaram-se ameaçadores e em dois minutos quase acabaram com o jogo. Primeiro foi Maniche a receber uma assistência de Nuno Gomes para bater Fernando, que hesitou de mais e acabou por sair tarde da baliza. Ainda não tinham cessado os festejos benfiquistas (o tento encarnado foi também celebrado entre os sócios do Santa Clara) e era Cláudio Abreu a dar uma “fífia” aproveitada por Nuno Gomes para servir Kandaurov, que não perdoou. Estavam jogados 25 minutos e a sina do encontro praticamente traçada.

O Santa Clara reagiu e durante alguns minutos empurrou o Benfica para a sua baliza. Teve, até, um lance de perigo, com Telmo a disparar fortíssimo, de livre, para Enke defender para a barra. Mas foi sol de pouca dura e o Benfica não tardou a pegar, de novo, no jogo. Dois a zero era um resultado confortável. E que dizer de três a zero? Um luxo que o Benfica alcançou ainda antes do intervalo, sentenciando de vez a partida. Com um golo do seu melhor jogador, Nuno Gomes, que tinha antes brilhado a produzir as assistências para os tentos de Maniche e Kandaurov. O Nuno Gomes de domingo, com uma extraordinária disponibilidade física, vontade de jogar para a equipa e sentido goleador, é o melhor ponta-de-lança português. Espera-se, pois, que a bitola alcançada nos Açores seja para manter...

COMEÇA O SONO

Para a segunda parte, Manuel Fernandes trocou Luís Miguel por Sérgio Gameiro, que manteve particular atenção a Kandaurov. No entanto, o ucraniano passou a actuar decididamente no meio-campo e deixou de se desdobrar tanto para a frente. O Benfica, com os três pontos garantidos, adoptou um ritmo “económico”, com a equipa sempre junta - que diferença, para melhor, relativamente ao ano passado... -, a controlar nitidamente a partida. Apesar de o domínio territorial no segundo tempo ter sido açoriano, nunca por nunca a vantagem encarnada esteve em risco.

Aliás, é curioso ver a estatística da segunda parte. Em remates, nove a quatro para o Santa Clara; em cantos, dois a zero para o Santa Clara. O que mostra o volume de jogo insular que, contudo, não fez mossa num muito homogéneo Benfica.

Não pode dizer-se que Manuel Fernandes não tenha tentado alterar as coisas. Prokopenko e Amaral entraram para animar o ataque e a equipa lutou por “um golo para Timor”. Em vão. O Benfica, mesmo no já aludido regime económico, nunca abdicou de rigor e concentração a defender e de colocar a bola no chão, com a preocupação de jogar bem, a atacar. Estas são, está visto, as premissas de Jupp Heynckes. E está visto que os jogadores estão cada vez mais perto daquilo que o germânico pretende.

Com o resultado em três a zero e com nove minutos para jogar, Heynckes fez entrar JVP, que foi aplaudido de pé quando pisou o relvado. Tratou-se de uma substituição de “charme”, que não defraudou os adeptos que viram o seu maior ídolo e permitiu ao jogador o “gozo” de uma recepção apoteótica. Um pormenor que serve para mostrar a atenção do técnico alemão.

MARTINS FOI SANTOS

O jogo foi correcto, sem casos nem complicações (embora aos 16 minutos, com o jogo a decorrer e os futebolistas a pensarem que estava interrompido, tenha havido uma “mão” açoriana para pôr a bola no sítio para a marcação de um livre “virtual”, que o árbitro não viu). Martins dos Santos, calmo, ponderado e pouco exuberante, fez um trabalho de qualidade. E pergunta-se: não pode ser sempre assim?

JOSÉ MANUEL DELGADO

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