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Suor e raça na vitória do Benfica um sinal dos tempos que correm

À FALTA DE CLASSE FOI PRECISO TER MAIS "ALMA" QUE O SALGUEIROS PARA DAR A VOLTA AO JOGO

Suor e raça na vitória do Benfica um sinal dos tempos que correm
Suor e raça na vitória do Benfica um sinal dos tempos que correm

A vitória do Benfica em Vidal Pinheiro representou um sinal dos tempos que vão correndo por ter sido alcançada à custa de suor, raça, espírito de sacrifício e determinação. Já lá vai o tempo em que as equipas do Benfica ganhavam os jogos em consequência de uma superioridade colectiva a vários níveis, técnico, táctico e físico ou graças à maior valia individual dos seus jogadores. É evidente que o Benfica continua a ter melhores individualidades que o Salgueiros, mas essa diferença nos dias que correm encurtou porque o plantel encarnado foi perdendo qualidade de ano para ano e chegou a um ponto em que não tem condições para discutir o título com os seus principais rivais, em particular o FC Porto.

Domingo à noite, para vencer, os jogadores do Benfica, à falta de classe, tiveram de correr e de lutar mais do que os do Salgueiros, de suar a camisola até à última gota numa demonstração de raça e brio profissional.

Domingo à noite o Benfica teve mais "alma" que o Salgueiros e por isso conseguiu dar a volta ao jogo na 2ª parte.

Mas as coisas chegaram a estar feias para os encarnados, em particular na 1ª parte, não por falta de querer e de empenhamento dos jogadores mas por lacunas da equipa bem conhecidas, aliadas a alguma falta de inspiração de unidades nucleares, de que é exemplo flagrante João Pinto. O capitão benfiquista não conseguiu, o que é sintomático, sequer condicionar o seu marcador directo, Rui Ferreira, que viu um cartão amarelo logo aos 3' e nunca esteve à beira de ver o segundo, apesar do policiamento que exerceu sobre o nº 8 benfiquista. Um João Pinto em boa forma ou igual a si próprio teria "expulso" o seu "polícia".

O Benfica entrou muito determinado no jogo, a pressionar e a impor ritmo fortíssimo, mas cedo se percebeu que a equipa não tinha soluções no último terço do campo. Salta à vista a ausência de um finalizador: enquanto Nuno Gomes jogar de costas para a baliza virado para as tabelas, longe da área e sem espontaneidade no remate, o Benfica vai ter muitas dificuldades em fazer golos. É verdade que João Pinto não provocava qualquer desequilíbrio, muito menos os dois médios Calado e Kandaurov, a quem competia pegar no jogo e romper de trás para a frente no sentido de criar situações de ruptura na defesa salgueirista. Só Poborsky e Maniche jogavam a bom nível, mas Vítor Manuel deu particular atenção ao bloqueio das faixas laterais.

O Salgueiros, bem organizado na sua defesa e meio-campo, ia sustendo o maior pendor atacante do Benfica sem grandes dificuldades e aos 17' conseguiu surpreender num contra-ataque que apanhou a defesa encarnada distraída. Só assim se explica que o cruzamento de Carlos Ferreira tivesse apanhado dois jogadores do Salgueiros (André e Basílio) na área em situação de finalizar (com os centrais preocupados com Fehér, onde estava Rojas?). O Benfica só conseguia, esporadicamente, criar perigo relativo quando Poborsky ou Maniche optavam por diagonais à procura da tabela com Nuno Gomes.

Na 2ª parte, o Salgueiros cometeu o erro de esperar pela iniciativa do Benfica, fiando-se na vantagem no marcador. Foi-lhe fatal. Os jogadores encarnados pegaram mesmo no jogo e foram para cima do Salgueiros. A pressão subiu e mesmo sem jogar bem o Benfica começou a criar situações de golo, o que não fizera até aí. Aos 50', 55' e 57', esteve à beira de empatar. O lance capital da partida ocorreu aos 64', quando Ricardo agarra Nuno Gomes e é expulso, resultando do respectivo livre o golo do empate, marcado em posição irregular por Poborsky, num erro do árbitro lamentavelmente com influência no resultado.

O Benfica na mó de cima e em superioridade numérica chegaria com todo o mérito à vitória, num momento de inspiração de Nuno Gomes, que veio amenizar a incapacidade concretizadora que o ataque deu mostras.

Incapacidade essa que não se resolve com um João Tomás, mesmo que o apelidem de Jardel da II Divisão de Honra... Haja bom senso e sentido da realidade!

JOÃO CARTAXANA

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