«Quantos caíram hoje?»: Jorge Jesus e jogadores do Benfica lembram surto de covid-19

Encarnados revelam documentário "O Rival Invisível"

• Foto: BTV

O Benfica partilhou este sábado imagens de um documentário no qual revela testemunhos de Jorge Jesus e dos jogadores dos encarnados sobre o surto de covid-19 nque se viveu no plantel em janeiro de 2021, "O Rival Invisível".


Jorge Jesus:
"Tive falta de ar, de oxigénio, e houve momentos em que me assustei. Tinha alguns momentos de medo porque me faltava a respitação. A mim, atacou forte. Perguntava ao doutor: "Quantos caíram hoje?" Fui dos últimos a cair. Houve alguns dias de treino em que tinha pessoas a trabalhar diretamente comigo que nem conhecia: 'quem é este?', 'quem é aquele?'. Tivemos de andar a sofrer calados, sem podermos dizer nada para não sentirem que nos estávamos a desculpar do que quer que fosse. Mas chegou uma altura em que tive de bater com a porta. Porque nos estávamos a sentir injustiçados com o rendimento da equipa sem termos culpa nenhuma, porque a gente queria, mas não podia. Pensei sempre que queria recuperar o mais rapidamente possível pelo menos para poder, nem que estivesse ao longe, estar num quarto no Seixal e poder estar lá a ver o treino e a organizar o treino. Mas chegou um momento que os meus assistentes também ficaram com covid em casa. Vou-me ficar no meu mundo que é o Benfica e esperar pelo tempo em que jogadores voltassem à normalidade. Só o tempo nos tirava disto... Só quando morremos é que não há solução, quando não morremos, tudo tem solução e ela está a aparecer."

Darwin: "Dava uma volta ao campo a correr e parecia que tinha 60 anos. Há muita gente que está a passar mal, gente que morreu, e eu tinha medo que me acontecesse algo assim, no coração, onde fosse, porque isto é muito forte. Por mais que sejas um desportista jovem, pode atacar forte e pode matar. Nunca sabes o que pode acontecer. Quando cheguei aqui estava a sentir-me muito mal, tinha vontade de vomitar, dores de cabeça, tive febre e tosse. Só queria deitar-me e dormir e as dores de cabeça voltavam. Estava muito agitado porque não aguentava muito as dores de cabeça e estive assim cerca de um mês com dores de cabeça e perdi o olfato também"

Weigl: "Começámos a perguntar aos médicos como poderia afetar o bebé. O meu maior medo é que ela [mulher do jogador estava grávida] ficasse infetada. Quando recebemos o resultado positivo começámos logo a tentar perceber como é que isso afetaria o bebé. Foi forte. Tive de tomar medicação para baixar a febre porque estava a subir, a subir, a subir. E aí senti-me realmente mal. Tive febre, dores de cabeça, senti-me completamente sem forças".

Helton Leite: "Senti q cada perna tinha 100 kg. Não conseguia mexer-me como deve ser. Às vezes caminhava, subia e descia as escadas e ficava tonto. Sentava-me um bocado à espera que passasse"

Seferovic: "Suava muito, não comia. Perdi também 4 ou 5 kg. Os primeiros quatro dias foram difíceis. Tinha sempre dor de cabeça, não me sentia bem e quando dormia ficava todo suado. Depois no terceiro dia, também dor de cabeça. Nada estava a ajudar"

Gonçalo Ramos: "Nem estava a acreditar. O que me preocupou foi a minha familia, se podiam ou não estar infetados e que sintomas podiam ter"

Luisão: "O mundo que vivemos aqui dentro foi terrível..."


Por Record
96
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Benfica

Notícias

Notícias Mais Vistas

Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.