Tudo a que tinham direito

A festa teve goleada, exibição de gala, apelo à mística e o esplendor de um génio

Foi sem surpresa que a Luz explodiu numa festa de arromba para celebrar o tri que não festejava há 40 anos. Não faltaram argumentos para justificar o clima de felicidade plena que assaltou os adeptos encarnados no final de uma época, lançada em pressupostos de máxima dificuldade, a maior das quais a mudança no comando técnico, ditada pela troca de um treinador com seis anos de casa (Jorge Jesus) e um lastro ganhador indiscutível por outro que chegava com tudo a provar (Rui Vitória) numa grande potência. Mas houve também o desinvestimento orientado por um paradigma mais atento à formação; pelo início de época desastroso, lesões em jogadores fundamentais (Júlio César, Luisão, Fejsa, Gaitán…) e, naturalmente, um Sporting muito mais temível. Ontem, a Luz recordou tudo quanto lhe travou a ilusão e entregou-se à celebração que chegou a parecer miragem.

Crónica

Frente ao Nacional, os adeptos receberam tudo a que tinham direito: o título, uma grande exibição, uma goleada e, para que nada faltasse, ainda usufruíram do perfume de um génio (Gaitán) e da concretização de todos os desejos do benfiquismo – espantosa a manifestação das bancadas para fazer de Paulo Lopes campeão.

Questão de tempo

À exaltação das bancadas respondeu a equipa com imunidade a essa emoção coletiva. O alheamento serviu para o bem (não criou ambiente de ansiedade nas quatro linhas) e para o mal (a equipa não se sentiu logo empurrada para uma exibição de encher o olho). Até ao primeiro golo, o Benfica foi o que tem sido desde o arranque para o título: um conjunto competente, que não comete erros graves; mantém o domínio do jogo e cria, mesmo sem caudal ofensivo intenso, várias situações para chegar ao golo.

Os encarnados não só dominaram o jogo (tiveram quase sempre a bola) como o controlaram em todos os momentos, pelo que o perigo nunca rondou a baliza de Ederson. Nessa perspetiva, pode dizer-se que o golo e a consequente arrancada para a vitória e para o título foi uma questão de tempo. Mesmo sem deslumbrar, o campeão foi abrindo brechas sucessivas na muralha do Nacional, tornando-se mais seguro e menos exposto depois de Gaitán ter inaugurado o marcador (23’). A partir desse momento, o jogo tornou-se um passeio para os encarnados, cuja facilidade aumentou depois do 2-0.

Emoções ao rubro

A segunda parte trouxe um Nacional mais atrevido, com ambição ofensiva e toda uma atitude reveladora do empenho em levar o jogo para o outro lado do campo. O problema é que a essa reação para inverter o rumo dos acontecimentos foram respondendo os encarnados com saídas rápidas de trás, aproveitando o espaço deixado nas costas desprotegidas dos insulares. Quando Gaitán elevou para 3-0, aos 65 minutos, o Benfica ficou por fim resguardado de qualquer eventualidade, a mais perigosa das quais um golo do Nacional que reabriria a luta pelo resultado. Com a entrada de Jiménez, a equipa adaptou-se à nova feição das operações – um avançado de traços largos, por isso mais adequado a um jogo mais direto.

No fim, Rui Vitória fez a vontade ao povo e chamou Paulo Lopes, Pizzi fez o 4-0 naquele que foi o melhor golo da tarde e Salvador Agra reduziu a diferença, dando justiça à exibição insular.


Minuto 23

O Sporting marcara pouco antes em Braga e, mesmo que o título não dependesse do resultado do rival, era importante para o Benfica fazer um golo cedo. O minuto 23 foi de alívio para os milhares de adeptos encarnados. O caminho para o título foi desbravado pelo pé esquerdo de Gaitán, com remate de ângulo difícil que levou a bola a entrar devagar na baliza de Gottardi.

Por Rui Dias
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