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U. Leiria-Benfica, 3-1: "Felícios" e mortíferos

CRÓNICA

Em duas jornadas apenas o Benfica perdeu seis pontos e viu-se (embora em igualdade pontual) ultrapassado pelo Sporting. Uma crise na Luz, pequena ou grande vai-se ver, mas de qualquer dos modos uma crise para quem vinha de série tão brilhante, com vários triunfos consecutivos. Uma crise, sobretudo, de resultados – ontem, a turma benfiquista pode queixar-se de si própria, nomeadamente face ao número de ocasiões criadas e não concretizadas.

Nada disto belisca, porém, a vitória da U. Leiria, mortífera nos lances de contra-ataque e venenosa quanto baste. Foram felizes, também, os leirienses, que marcaram duas vezes contra a corrente do jogo e viram Marcel falhar o golo em várias situações. Uma exibição “felícia”, adoptando o nome do jogador talvez mais em foco entre os pupilos de Jorge Jesus e que, além de fazer o 2-0, ajudou sobremaneira a desequilibrar a balança: Fábio Felício.

Para o Benfica, é claro, uma enorme desilusão. De novo a chapa 3-1 mas principalmente a perda da posição de que desfrutava e que era privilegiada. O FC Porto joga amanhã e o fosso, é óbvio, pode ficar mais cavado.

Mudanças

Como se previa, Ronald Koeman efectuou alterações no onze, dando a titularidade a Léo, Manuel Fernandes, Ricardo Rocha, Marcel e Robert, em relação aos titulares do dérbi da passada semana. Nélson voltou à direita e Nuno Gomes actuou nas costas do brasileiro ex-Académica, com Robert na direita e Simão na esquerda. A U. Leiria respondeu no seu esquema habitual dos últimos encontros: João Paulo a trinco (vigiando Nuno Gomes e ajudando os centrais) e o reforço Jaime ao lado de Fábio Felício.

Entrou melhor o Benfica e depois de um minuto frenético (Manuel Fernandes e Paulo César atiraram aos postes) começaram as perdidas. Nuno Gomes e Marcel podiam então ter feito melhor. Com tranquilidade, os encarnados trocavam bem a bola e gizavam alguns lances de bom recorte, embora já na altura se fizesse sentir a falta de mais velocidade. E, também, de maior lucidez. Uma toada à conta e medida dos leirienses, que marcaram depois da meia hora e atordoaram, é mesmo o termo, o adversário.

Só na segunda parte, aliás, o Benfica deu conta de ter superado o trauma da desvantagem, mas a primeira ocasião pertenceu aos locais, com Maciel a passar por Moretto e a rematar alto de mais. De seguida, num ápice, Robert, Manuel Fernandes e Marcel por duas vezes não lograram chegar ao empate.

Veneno

E quem não marca... Luisão perdeu infantilmente a bola e Fábio Felício (velocidade, técnica e precisão sempre ao serviço do colectivo) aumentou a vantagem. Koeman tirou Léo e lançou Manduca, passando a jogar com três defesas e com Nuno definitivamente ao lado de Marcel. O ex-Marítimo ainda reduziu, deu esperança, houve novas oportunidades (algumas para Costinha brilhar), só que o veneno do Lis voltou a ditar leis. E o golo de Maciel selou a contenda.

Ao contrário do clássico com o Sporting, em que tudo foi mau, desta vez a exibição superou largamente o resultado. Longe de ser brilhante, o Benfica podia ter construído outro desfecho. Não o fez, repita-se, muito por culpa própria. Há períodos amorfos e de desconcentração que são difíceis de explicar e há, ainda, uma realidade que muitos jogadores tardam em aceitar: as vitórias não caem do céu.

A U. Leiria, por sua vez, esteve perfeita. Jorge Jesus é perito nos trabalhos de casa.

Árbitro

António Costa (3). Trabalho positivo, num encontro sem casos. Cumpriu no aspecto técnico e eventuais erros no disciplinar não “borram a pintura”.
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