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Um confronto de “ioiós”

TREINADORES RECORD

Fernando Gomes, Toni e Norton de Matos, comentadores Record, analisam duas equipas intranquilas e oscilantes
Um confronto de “ioiós” • Foto: Arquivo/Francisco Paraíso
A imagem é sugerida por Toni: “Este é um campeonato atípico. Há um efeito ioió no FC Porto, que apanha Benfica e até Sporting”. A oscilação de forma e a intranquilidade de dragões e águias são visíveis aos olhos dos comentadores Record.

“O Benfica consegue ter altos e baixos frequentes num mesmo jogo”, adianta Norton de Matos: “Passa do óptimo ao péssimo e depois arrasta-se. Mas vai à frente da prova, o que mostra um nivelamento competitivo baixo entre os grandes clubes.”

Fernando Gomes aponta as inevitáveis mexidas no plantel do FC Porto como origem da instabilidade: “Os pontos perdidos no Dragão são a confirmação da falta de identidade deste FC Porto, cujas prestações não impõem respeito aos adversários. Apesar das dificuldades, ainda vai buscar força e vontade para liderar. Mérito da equipa, pois ainda tem mística.”

Para Toni, a hemorragia dos jogadores nucleares explica a época portista: “Seria sempre complicado encarar esta temporada após um ciclo tão espectacular, mas é preciso não esquecer que o FC Porto ganhou a Supertaça, a Taça Intercontinental, ainda está na Liga dos Campeões e lidera o campeonato.”

Decisivo

Para Fernando Gomes, o embate de hoje será determinante. “Falta disputar muito campeonato, mas deixar o rival para trás, mesmo só a três pontos, pode ser moralizador. O FC Porto já ganhou na Luz, pelo que a pressão está do lado do Benfica.”

“É importante, mas não decisivo”, argumenta Toni. “Ganhar pode fortalecer o ponto de vista psicológico, pois dá mais confiança, é um tónico, mas, neste campeonato, quem levar a melhor até pode perder na semana seguinte”.

Norton de Matos acredita que o regresso de Maniche será determinante para o futuro dos dragões: “Vejo-o mais alegre, como Costinha. Houve muitos jogadores desencantados na ressaca das vitórias da época passada, porque não saíram para o estrangeiro. Fernández não foi o líder que se esperava.”

McCarthy pode jogar

A despenalização de McCarthy (por parte do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol), que pode defrontar o Benfica, e o processo sumaríssimo instaurado pela Comissão Disciplinar da Liga a Simão foram temas quentes durante a semana.

“Não encaro esta questão com satisfação, pois não sinto que haja o mesmo julgamento para todos os casos. Todos os jogos não são televisionados e parece haver dois pesos e duas medidas. É natural que o castigo a McCarthy seja posto em causa, pois a base que o sustenta não é justa”, afirma Fernando Gomes.

Para Toni, “os processos arrastam-se, deviam ser mais céleres, sem dar espaço à suspeição. A violência em campo deve ser erradicada por todos os meios, mas tem de existir justiça para todos. A agressão de McCarthy foi evidente, mas não existem cotoveladas apenas nos jogos do FC Porto”.

“O sumaríssimo a Simão parece-me ridículo, mas se calhar faltava um castigo ao Benfica. Estes processos são exagerados e criam a imagem de compadrio e suspeição”, sublinha Norton de Matos.

Couceiro promove corte radical com passado recente?

Fernando Gomes: “Trouxe outra motivação, mas o seu trabalho precisa de mais tempo para ser avaliado. A primeira tarefa que tem pela frente é restaurar a identidade à equipa, abalada pelas constantes mexidas de jogadores e treinadores. A saída de peças nucleares foi inevitável, mas é preciso estabilidade para criar boas condições de trabalho.”

Toni: “Houve sobretudo uma mudança no discurso, que arrasta os jogadores. Em certo sentido, é idêntico ao de Mourinho. Vê-se que procura um núcleo forte com jogadores portugueses, mas ainda falta a implementação de um modelo de jogo. Não se vê neste FC Porto a imagem deixada nas duas últimas épocas”.

Norton de Matos: “Ainda não teve tempo de dar um cunho pessoal. Tem de recuperar animicamente uma equipa descrente. Tem um discurso mais afectivo para com os jogadores e isso pode ajudá-lo”.

Trapattoni deve insistir no discurso do optimismo?

Fernando Gomes: “Trapattoni tenta defender o balneário. A derrota com o CSKA foi um abanão e resta saber como vai reagir a equipa. É natural que o treinador fale de coisas positivas, pois só tem a ganhar com esse discurso. Há que limpar a imagem da derrota na cabeça dos jogadores”.

Toni: “Trapattoni, ao dizer que a equipa jogou melhor do que ante o Inter, na época passada, está a olhar para o jogo com o FC Porto. Quer transmitir uma mensagem de confiança para dentro do balneário, por isso sai em defesa dos jogadores. Mas a verdade é que estes nunca transmitiram para fora do campo a capacidade para virarem o resultado trazido da primeira mão”.

Norton de Matos: “O conservadorismo de Trap tem permitido ao Benfica disputar o título, algo pouco provável no início do campeonato. Com paciência, tem levado a água ao seu moinho. É importante para qualquer grupo de trabalho sentir a confiança do treinador. Desdramatiza todas as derrotas, não perde a calma e assim defende os jogadores.”

Nuno Assis é uma mais-valia?

Os treinadores Record são unânimes em considerar Nuno Assis uma boa contratação. “Trouxe qualidade ao modelo de Trapattoni e ainda pode ser decisivo na finalização, que tem sido um problema recorrente neste Benfica”, afiança Gomes.

Para Toni, “não é ele quem vai resolver todos os problemas”, apesar de ser “elemento importante para o modelo. A sua integração é progressiva e foi uma boa aposta na ausência de um melhor Zahovic”.

Norton de Matos não difere: “É um tipo de jogador que não existia no plantel. Trouxe maior mobilidade e capacidade para rupturas no ataque. Enquadrou-se bem no esquema de Trapattoni”.
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