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Choque no Boavista: Koneh obrigado a deixar o futebol

Reforço para a nova época tem uma doença congénita do coração e não pode jogar mais

• Foto: MoveNotícias
Ibrahim Koneh vai ter de tomar a decisão mais difícil para um profissional de futebol e abandonar a atividade aos 23 anos. O avançado camaronês que o Boavista contratou este defeso, oriundo do Lusitânia de Lourosa, tem uma doença congénita do coração, de nome clínico válvula aórtica bicúspide. Uma deformação que atinge cerca de dois por cento da população mundial e que, no caso de um jogador profissional de futebol, aconselha a desistência imediata, pois pode provocar a morte do atleta, como já sucedeu em muitos casos por esse Mundo fora.

O problema é difícil de detetar e só foi possível com a mudança do jogador para um clube da 1ª Liga, onde os exames médicos são naturalmente mais rigorosos. A válvula aórtica normal tem três cúspides e uma válvula aórtica bicúspide é anormal e pode evoluir de forma problemática com a influência da intensidade e do volume dos exercícios físicos, levando a uma obstrução da passagem do sangue pela válvula para o coração. O exame de ecocardiograma colorido, o doppler, é um dos que melhor ajuda a confirmar esta patologia e foi isso a que o jogador esteve submetido na semana passada, levando a administração da SAD a tomar a decisão que queria evitar, em consonância naturalmente com o departamento médico e a equipa técnica.

Koneh não mais foi utilizado e foi o próprio Jorge Simão, no final da semana passada, quem lhe deu a notícia que ninguém queria dar, fazendo valer ao camaronês que acima de tudo está a… vida!

Fábio Faria sentiu um choque enorme

Fábio Faria, agora com 29 anos, também teve de tomar a decisão de acabar a carreira aos 23 anos, numa situação semelhante à de Koneh. O antigo defesa-central pertencia aos quadros do Benfica e relembra os momentos "terríveis" que teve de ultrapassar: "É um choque enorme termos de tomar a decisão. Senti-me completamente impotente. Aconselho acompanhamento de profissionais, como um psicólogo e um psiquiatra. Foi isso que fiz."

Camaronês prometia muito

Koneh tem 23 anos e não está, naturalmente, a reagir bem a este caso. O jogador ficou obviamente destroçado e não se conforma com a inevitabilidade de deixar de jogar futebol, ainda por cima logo agora que chegou a um clube da 1ª Liga, após quatro anos a jogar em níveis inferiores.

O extremo camaronês até impressionou a equipa técnica dos axadrezados e tinha condições para ser uma das grandes revelações do campeonato, com dotes técnicos e velocidade suficientes para destroçar qualquer defesa. Atributos que, de resto, ficaram bem evidentes nas duas últimas épocas, quando Koneh, na distrital de Aveiro, fez 44 golos ao serviço do Esmoriz e do Lusitânia de Lourosa. O camaronês chegou a Portugal em 2014 e passou ainda pelo Carregal do Sal, Oliveira do Hospital e Cesarense.

Registe-se que os primeiros exames de Koneh no Boavista, após a contratação, revelaram logo um batimento cardíaco anormal, o que levou o departamento médico a não facilitar e a solicitar mais testes subsidiários de diagnóstico. O jogador ainda alinhou os 90 minutos no primeiro jogo da pré-época, com o Sp. Espinho, e depois já só jogou mais 45 minutos, frente ao Coruxo e com o Tondela.
Por António Mendes
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