Capitães querem paz: clima de suspeição é intolerável

Delegação do sindicato vai ser recebida pelo secretário de Estado, FPF e Liga de Clubes

Uma delegação do Sindicato de Jogadores que inclui capitães das 1ª e 2ª ligas profissionais de futebol vai ser recebida pelo Governo e instituições desportivas, pretendendo, assim, demonstrar desagrado pelo clima de suspeição e ofensa que os tem atingido. Trata-se de uma ação de sensibilização e um forte apelo à defesa da integridade dos atletas e das competições, numa fase de acusações e insinuações que já colocou em causa a dignidade dos futebolistas. A possibilidade de uma greve chegou a ser ponderada, mas não faz parte das medidas que o sindicato preconiza. Pelo menos, para já.

Os profissionais de futebol sentiram a necessidade de tomar posição face ao momento que se vive em Portugal, até porque têm sido envolvidos em polémicas que os colocam em xeque, através de denúncias anónimas de aliciamento.

Perante esta crescente atmosfera de suspeição, sabe Record que o sindicato tem promovido, nos últimos tempos, diversas reuniões com os capitães das equipas das ligas profissionais. Nelas, têm sido analisadas e discutidas medidas a adotar relativamente ao clima de violência e ofensa pessoal e profissional de que os jogadores têm sido alvo.

Nestes encontros, realizados a Norte e a Sul, de acordo com o que Record apurou, foram ponderadas todas as medidas, nomeadamente a paragem, nem que fosse simbólica. No entanto, imperou o bom senso e o sentido de responsabilidade que se traduz no pedido de reuniões com o secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo, bem como os presidentes da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, e da Liga de Clubes, Pedro Proença. O primeiro encontro realizar-se-á já na segunda-feira.

Diálogo

Afastado o cenário de uma greve, o objetivo do sindicato e dos capitães passa por criar uma plataforma de diálogo que permita adotar medidas eficazes na próxima época de forma a evitar a permanente suspeita sobre a competição e sobre os jogadores.

Os atletas não pretendem contribuir até final da época com qualquer ação que acrescente mais ruído a um ambiente já muito poluído e perigoso. Entendem que a tomada de medidas radicais poderia, em última instância, colocá-los numa posição ainda mais frágil.

Recorde-se, aliás, que o presidente do sindicato, Joaquim Evangelista, proferiu recentemente declarações a exigir "respeito" pelos jogadores, deixando claro que estes "não estão disponíveis para alimentar este clima de guerra" nem se deixarão "envolver neste lamaçal". O líder sindical acrescentou que seria "fácil anunciar uma greve" mas questionou as consequências.

Da mesma forma que referiu que os jogadores "não querem ser utilizados como armas de arremesso de ninguém", Evangelista sublinhou que "somos nós que definimos quando queremos e o que queremos falar", defendendo "um compromisso sério entre todos, onde cada um assuma a sua responsabilidade".

Será com este propósito que a delegação do sindicato e dos capitães se vai encontrar com Governo, FPF e Liga nos próximos dias.


JOGADORES EM XEQUE

Cássio, Marcelo, Nadjack e Roderick (Rio Ave) - O cancelamento das apostas no jogo Feirense-Rio Ave colocou o jogo sob investigação. Os quatro jogadores vila-condenses foram constituídos arguidos. Mais tarde foram levantadas suspeitas sobre o Rio Ave-Benfica.

Pedro Monteiro (Estoril) - O empresário César Boaventura publicou um vídeo nas redes sociais insinuando que o central do Estoril tinha facilitado no jogo com o FC Porto.

Kléber (Estoril) - Vítima de queixa anónima no DCIAP por atos de corrupção e fraude, depois de surgir um vídeo de 2015 em que o avançado aparece a manusear maços de notas.

Fábio Pacheco (Marítimo) - Carlos Pereira, presidente do clube insular, manifestou-se "desiludido com a postura de alguns jogadores" no encontro da Luz e suspendeu Fábio Pacheco. O atleta teve de se sujeitar a uma avaliação clínica por "quebra de rendimento".

Tiago Silva (Feirense) - "Aos que me acusam de ter feito de propósito para beneficiar o Benfica, porque representei o clube durante muitos anos, peço-vos algum respeito por mim e pelo meu profissionalismo, porque vou sempre defender com unhas e dentes o clube que represento", escreveu Tiago Silva no Facebook, depois do Feirense-Benfica, em que foi expulso ainda na 1ª parte.

Vagner (Boavista) - Mais uma queixa anónima no DCIAP a denunciar alegado aliciamento a Vagner antes do jogo com o FC Porto, referindo-se que teria sido o empresário Pedro Pinho a oferecer 150 mil euros ao guarda-redes.

Vários (União da Madeira) - A notícia é de ontem: uma denúncia no Ministério Público sobre alegadas tentativas de aliciamento a jogadores do clube madeirense.

Por Bernardo Ribeiro
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