Jogos da última jornada da Liga NOS sem público

Caem por terra os eventos-teste que poderiam viabilizar o regresso de público aos estádios

Ao contrário do que já havia sido anunciado, os jogos da última jornada da Liga NOS não vão afinal ter público nas bancadas, caindo agora por terra os eventos-teste que poderiam viabilizar o regresso de público aos estádios.

"A Direção da Liga Portugal reuniu-se na manhã desta segunda-feira, num encontro de caráter extraordinário – depois de o ter feito de forma ordinária na passada sexta-feira -, tendo ficado decidido que a última jornada da Liga NOS não terá público em testes-piloto, como chegou a ser uma possibilidade. Entre vários outros motivos, a Direção da Liga Portugal entendeu que não estavam reunidas todas as condições de equidade, quando na jornada 34 existem equipas que, desportivamente, têm o futuro ainda por decidir", pode ler-se no comunicado do organismo.

E prossegue: "Na incerteza, que permanece, sobre as condições que as autoridades de saúde poderão vir a fixar, seria impossível preparar um plano de implementação a um dia da realização dos jogos. A esta ponderosa razão acresce a circunstância de, ao contrário do defendido pela Liga Portugal, penúltima jornada não ter tido púbtico nos estádios. Ora, com diversos objetivos desportivos ainda em aberto, permitir que apenas uma parte das equipas pudessem ter o seu púbtico presente nesta jornada decisiva, constituiria uma grave entorse à verdade desportiva e à equidade entre os competidores".

A LPFP deliberou ainda "encetar, desde já, todos os necessários contactos com a tutela e com as autoridades de saúde para que, logo desde o início da próxima época 2021/22 possa retomar-se progressivamente a normalidade das assistências de público nos estádios das competições profissionais de futebol".

Recorde-se que a Liga anunciara a semana passada que os jogos da derradeira jornada do campeonato teriam público nas bancadas, tendo sido autorizada a presença de 10% da lotação dos estádios. No comunicado divulgado, o organismo sublinhara que o acesso aos estádios seria "exclusivamente destinado aos adeptos dos clubes visitados" que deveriam apresentar, à entrada do recinto, o resultado negativo de um teste rápido para a covid-19.


Leia a deliberação da Liga na íntegra:


"Reunida extraordinariamente e por videoconferência na manhã do dia 17 de maio de 2021, a Direção
da Liga Portugal, composta pelo Presidente da Liga, pelo vice-presidente da FPF, e representantes
do FC Porto, Sporting CP, Rio Ave FC, SC Farense, Boavista FC, Casa Pia AC, UD Oliveirense e UD
Vilafranquense, considerando que:
1. Na manhã de terça-feira, dia 11 de maio, o Governo transmitiu à Liga Portugal e à Federação
Portuguesa de Futebol a necessidade de articularem com a Direção-Geral de Saúde (DGS) a
definição das condições para a realização de testes-piloto de admissão de púbtico aos estádios
para assistir à derradeira jornada da Liga NOS;
2. Na mesma manhã, a Liga Portugal, em conjugação com a Federação Portuguesa de Futebol,
remeteu à OCS pedido de parecer referente às condições higiénico-sanitárias para a
concretização de tal operação, atendendo a que desde logo havíamos sido informados que
pessoas admitidas aos estádios deveriam ser sujeitas a testes à Covid-19, desconhecendo-se o
concreto detalhe desta obrigatoriedade, a qual configura, uma vez mais, uma solução
totalmente discriminatória em relação às demais atividades, muitas delas desenvolvidas em
espaços fechados, e que já recebem público.
3. Motivos de equidade competitiva, que assumem redobrada importância no momento final e
decisivo da competição, impunham, no entendimento desta Direção, a realização de duas - não
apenas uma - jornada com a presença de púbtico. E, efetiva, presença de púbtico com todas as
condições de segurança e em número equilibrado, como os nossos estádios conseguem
assegurar, e não testes, os testes de público foram já feitos e elogiados por unanimidade pelos
decisores deste país. Com efeito, circunscrever a presença de adeptos aos visitados, não é
concebível e arriscaria constituir uma entorse à igualdade de oportunidades competitiva, em
favor de metade das em contenda e em prejuízo das demais.
4. Tais preocupações deveriam ser transmitidas aos decisores técnicos e políticos, pelo que na
quinta-feira, dia 13 de maio, a Liga Portugal, renovou o pedido para dupla jornada com
presença de público junto da DGS.
5. No mesmo dia, após reunião do Conselho de Ministros, a Senhora Ministra da Presidência
Mariana Vieira da Silva confirmou, em conferência de imprensa, que apenas seria dada
autorização para que os jogos da última jornada da Liga NOS fossem palco de novos testes piloto com a presença de público.
6. No dia 14 de maio foi publicada a resolução do Conselho de Ministros n.o 59- Bl202l, na qual se
estabelecem as regras da declaração de calamidade em todo o país até 30 de maio de 2021, da
qual não resulta a autorização referida.
7. Pelo contrário o texto do diptoma inculca que "É permitida, desde que no cumprimento dos
orientações específicas da DGS: A prótica de todas as atividades de treino e competitivos
profissionais e equiporados, desde que sem público" (artigos 42 e 47 da resolução de 30 de abril
que tinha declarado a situação de calamidade).
8. Em nenhures da referida resotução se vistumbra a autorização para a realização de testes-piloto
com público, nos estádios da Liga NOS ou outros, e, na verdade, até ao presente momento, a
DGS não remeteu o parecer solicitado e acima identificado.
9. Os jogos da 34." e última jornada da Liga NOS terão lugar nos dias de terça e quarta-feira da
semana que hoje inicia.
10. Os testes de público já realizados no decurso da época pela Liga Portugal, com as sociedades
desportivas suas associadas e pela Federação, em momento pandémico significativamente
mais exigente que o atual, deram excelentes e promissores indicadores da capacidade do
futebol profissionaI de organizar jogos com púbtico em circunstâncias exigentes e
dispendiosas, mas sanitariamente seguras.
11. O sucesso desses testes ficou a dever-se, em significativa medida, ao ponderado planeamento,
com a devida antecipação, e à sua minuciosa implementação nos dias de jogo.
12. Ainda que a tutela e a DGS formalizem a autorização que se solicitou há uma semana, o prazo
de 48 ou menos horas para ajustar a organização dos jogos às regras que ainda se
desconhecem não é consentâneo com a exigência operacional que o futebol profissional se
impõe e de si próprio exige, na proteção da sua boa imagem e, o que é mais relevante, no
contributo que, ao longo de toda a pandemia, tem dado na promoção - também pelo exemplo
- dos comportamentos responsáveis a que são chamados todos os Portugueses.
13. Sobre este decisivo argumento cumula-se a circunstância de a 33.u e penúltima jornada da Liga
NOS ter já sido realizada, e os resultados desportivos terem deixado em aberto os objetivos
classificativos de muitas das equipas participantes, com reflexos diretos em muitos dos jogos
da última jornada. Assim, grande parte desses jogos convocam para o organizador
preocupações com a verdade desportiva e a equidade entre os competidores que acima
aflorámos, pelo que permitir que algumas equipas pudessem ter o seu púbtico presente nesta
jornada decisiva originaria situações de desigualdade intolerável.
14. Não obstante a luta conduzida pela Liga Portugal ao longo de uma época desportiva inteira
parafazer regressar o público aos estádios das competições profissionais, e que se manterá,
entende-se, face ao exposto, não ser este o contexto ideal para que taI aconteça.
A Direção da Liga Portugal CONSIDERA não estarem reunidas as condições de segurança, de
equidade e logísticas para a realização de testes-piloto com púbtico na última jornada da Liga NOS.
Em conformidade, a Direção da Liga Portugal DELIBERA, por unanimidade, não autorizar a
realização de testes-piloto com público na última jornada da Liga NOS, mais deliberando encetar,
desde já, todos os necessários contactos com a Tutela e com as autoridades de saúde para que, logo
desde o início da próxima época 202I-22 possa retomar-se progressivamente a normalidade das
assistências de público nos estádios das competições profissionais de futebol".

Por Record
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