O processo ofensivo no clássico: todos à procura de Marega e Bruno Fernandes

Avançado e médio foram os que receberam mais passes dos colegas na 1.ª parte

O resumo do FC Porto-Sporting (2-1)

'Passing Network Analysis', análise de redes aplicadas ao estudo do futebol, é uma metodologia pensada no aperfeiçoamento do processo ofensivo de uma equipa. O Record deu-lhe a conhecer este conceito através de Vítor Gazimba, treinador português que foi pioneiro na Noruega ao aplicar este conceito no Stromsgodset. Desta vez, lançámos o desafio ao técnico e pedimos-lhe para nos fazer o 'Passing Network Analysis' do clássico. Que interações ofensivas e quais os jogadores que tiveram mais influência no futebol ofensivo de FC Porto e Sporting? Estas e outras perguntas têm respostas neste artigo graças à análise de Vítor Gazimba.

Foram analisadas as sequências de passes exibidas pelas equipas do FC Porto e Sporting durante o clássico. Os jogadores encontram-se identificados pelo número da sua camisola e as setas presentes nas diferentes imagens revelam os passes trocados entre os jogadores. A espessura das setas que ligam os jogadores mostra a frequência dessas interacões, ou seja, as que ocorreram com maior frequência ao longo do jogo encontram-se representadas, naturalmente, por setas de maior espessura.




























O Sporting entrou no jogo com a equipa organizada em 4x2x3x1, com Bruno Fernandes aberto na direita e Bryan Ruiz a ocupar o corredor central. A primeira imagem revela o padrão de jogo ofensivo exibido pela equipa leonina na 1.ª parte. Ambas as equipas entraram no jogo com a intenção de minimizar erros com bola e pressionar a linha defensiva adversária através da utilização de um estilo de jogo direto, marcado por sucessivas tentativas de ataques à profundidade. Isso fica ilustrado pelas decisões tomadas por Rui Patrício (1) quando teve a bola na sua posse, em que procurou com maior frequência jogadores mais avançados, Acuña (9) e Bryan Ruiz (20), ao invés de sair a jogar com os defesas-centrais.

Com passagem de Bruno Fernandes para o corredor central, o Sporting exibiu um estilo de jogo mais próximo do habitual, com a exploração do espaço entrelinhas e a conservação da bola com qualidade por períodos mais alargados de tempo. 

Na imagem acima é possível também observar a clara tentativa do Sporting em canalizar jogo através do corredor lateral esquerdo, onde Fábio Coentrão (5) e Acuña (9) estabeleceram a relação coletiva mais forte do processo ofensivo dos leões na 1.ª parte.





























A influência Bruno Fernandes no processo ofensivo do Sporting na 1ª parte fica confirmada na imagem acima. O tamanho do círculo associado assinala os quais foram os jogadores mais procurados pelos colegas de equipa. A seguir ao camisola - 44 passes recebidos - Bryan Ruiz (20) e Acuña (9) foram os que receberam mais passes, o que permite outra leitura: o facto destes 3 jogadores terem sido mais procurados do que William Carvalho (14) e Battaglia (16) confirma que o padrão de jogo do Sporting no Dragão foi mais direto do que o habitual.


O FC Porto entrou no jogo com a equipa organizada em 4x4x2, com Marega (11) e Gonçalo Paciência (14) como unidades mais adiantadas. Esta imagem demosntra o padrão ofensivo dos dragões na 1.ª parte. Jogando de uma forma bastante direta, o FC Porto conseguir, com bola, pressionar pressionar bastante a linha defensiva do Sporting. As muitas setas verticais na imagem abaixo significam as ligações entre os jogadores do sector defensivo e ofensivo. 





























Do ponto de vista colectivo, Diogo Dalot (30) e Brahimi (8) foram os jogadores que mais passes trocaram entre si, exibindo a relação mais recorrente e bem sucedida do processo de jogo ofensivo do FC Porto na 1ª parte. Ambos estiveram sempre disponíveis para combinar entre si e conseguiram sair a jogar com qualidade em situações de pressão. 
































Do lado do FC Porto, a análise de redes mostra que Marega foi o jogador com mais influência no processo de jogo ofensivo - recebeu 38 passes. O avançado apostou no ataque à profundidade do Sporting, embora também tenha sido utilizado como jogador alvo, recebendo vários passes longos de Felipe (28). Esta foi uma opção que permitiu saltar a pressão exercida pelo Sporting e, ao mesmo tempo, deu tempo de ataque à equipa da casa

Apesar de não ter marcado qualquer golo, os ataques constantes de Marega ao espaço entre Mathieu e Fábio Coentrão, fizeram com que o FC Porto criasse várias situações de perigo. O primeiro golo da equipa de Sérgio Conceição é exemplo dessa movimentação. Quando Maxi Pereira recebeu a bola de Herrera, e antes de a devolver, foi possível ver Marega mais uma vez a procurar o espaço entre Mathieu e Fábio Coentrão, o que obrigou Fábio Coentrão a dar prioridade ao fecho desse espaço (visto que Marega poderia eventualmente ficar a sós com Rui Patrício, caso recebesse a bola). Esta movimentação sem bola de Marega criou, por sua vez, espaço para que Herrera pudesse receber a bola de Maxi Pereira e deu-lhe também tempo suficiente para executar o cruzamento para Marcano em perfeitas condições.

Na 2ª parte do clássico, e apesar de todas as alterações realizadas pelo dois treinadores, a imagem do jogo em termos de padrão ofensivo de FC Porto e Sporting não se alterou de forma significativa.

Por David Novo
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