O que mudava na classificação do campeonato sem o vídeo-árbitro

Se a tecnologia não existisse os clubes da Liga NOS teriam posicionamentos diferentes

• Foto: MOVENOTICIAS

A Federação Portuguesa de Futebol decidiu ser pioneira e ‘atirou-se’ para o vídeo-árbitro. Por iniciativa da FPF, a tecnologia chegou em força ao futebol português esta temporada e causou impacto imediato na Liga. O objetivo nunca passou por erradicar todos os erros de arbitragem – apenas os crassos, como tantas vezes foi referido –, mas a classificação do nosso campeonato já mostra bem como a mão (ou olho) do VAR tem estado em ação.

Record fez o levantamento das 15 decisões revertidas com ajuda do vídeo-árbitro e analisou como é que a classificação estaria por esta altura sem essas mesmas mudanças. Vamos por partes. Ou por posições. Tudo na mesma no que diz respeito ao líder FC Porto, que só viu o VAR influenciar um lance dos seus jogos, ao anular um fora-de-jogo e validar o quarto golo no triunfo contra o Estoril (4-0). Também o Sporting continuaria com os mesmos 23 pontos, ainda que tenha estado envolvido num final de loucos em que o vídeo-árbitro brilhou. Diante do Estoril (2-1), Tiago Martins deu indicação de fora-de-jogo de Bas Dost, antes de fazer o mesmo com Pedro Monteiro, enquanto os adeptos nem sabiam se haviam de festejar ou chorar.

Mas a história é diferente quando falamos do tetracampeão Benfica. É que os encarnados estariam já a sete pontos da liderança do FC Porto e a cinco do Sporting se o vídeo-árbitro ainda não tivesse morada em Portugal. Tudo por causa da receção ao Portimonense (2-1), um jogo no qual as águias conseguiram dar a cambalhota no marcador antes de ficarem com o coração nas mãos perto do fim. Fabrício marcou e gelou a Luz... até que o VAR deu indicação de ‘offside’.

Maiores oscilações

Ao fazer as contas do ‘clube de vídeo’, chegamos à conclusão de que o posicionamento de dez equipas seria diferente sem a ação do VAR. Os mais beneficiados acabariam por ser Belenenses e Tondela, que na tabela elaborada pelo nosso jornal surgem com subidas de duas posições cada um, enquanto V. Guimarães, Portimonense e Aves ascendem um lugar. Já o Feirense cai três posições, ao passo que Rio Ave, Boavista, P. Ferreira e Chaves descem um lugar cada.

Curiosamente, só uma equipa da Liga ainda não esteve envolvida em qualquer decisão revertida com ajuda do vídeo-árbitro nesta época de estreia. Consegue adivinhar quem foi? Nós ajudamos. Apenas o Sp. Braga continua sem saber o que é ver um árbitro a mudar a decisão por causa do VAR. Mas o impacto da tecnologia, esse, já ninguém o tira do campeonato português.

Chaves e V. Setúbal são os mais visados

Num ano de inovação em Portugal, há clubes que, de forma natural, têm ‘experienciado’ o vídeo-árbitro mais vezes. Ora, Chaves e V. Setúbal já tiveram a mão do VAR em três jogos, respetivamente, sendo que o emblema flaviense é o que está envolvido em mais decisões. Como o leitor pode verificar no quadro, a equipa orientada por Luís Castro já viu quatro decisões serem revertidas nos seus jogos, fora os lances em que houve ‘checks’ ou ‘silent checks’. Diga-se que o Chaves já viveu quase todos os cenários: um golo validado a um jogador seu, um penálti assinalado a seu favor, outro anulado a um adversário e ainda um vermelho mostrado também a um jogador da outra equipa.

Imagens já ajudaram a expulsar quatro

Um dos quatro principais pontos de ação do vídeo-árbitro está relacionado com os lances passíveis de expulsão. Pois bem, tanto os árbitros como os VAR têm mostrado atenção para essas jogadas e até já houve quatro expulsões que tiveram olho do vídeo-árbitro. A decisão nunca foi tomada pelo VAR, mas os juízes principais pediram ajuda ou foram aconselhados a ver as imagens, antes de tomarem a decisão de exibir o vermelho.

A primeira vez em que isso aconteceu foi no Boavista-Aves, da 4ª jornada, que terminou com um triunfo, por 1-0, dos axadrezados. Após cruzamento de Gauld, Derley atingiu Vagner na cara com o pé e começou por ver o amarelo, antes de pedir desculpa ao guardião da equipa do Bessa e o lance estar prestes a prosseguir. No entanto, foi nessa altura que João Capela foi ver as imagens e mudou a decisão para vermelho.

Na ronda seguinte, a história repetiu-se, mas com um enredo diferente. No duelo entre Marítimo e Rio Ave, uma entrada dura de Francisco Geraldes sobre Edgar Costa chamou logo a atenção de Bruno Esteves. O árbitro esperou, ouviu o que o vídeo-árbitro Bruno Paixão tinha para dizer, viu as imagens e decidiu expulsar o médio cedido pelo Sporting.

Mas a lista não fica por aqui. O encontro entre Chaves e Tondela, a contar para a 8ª jornada, teve outro caso semelhante, com Júnior Pius a pontapear William numa disputa de bola. A entrada imprudente de central beirão começou por valer um cartão amarelo, mas Bruno Paixão defendeu-se com as imagens do vídeo-árbitro e ‘sacou’ o vermelho. E a verdade é que bastou decorrer mais uma ronda para haver uma fotocópia. Na vitória do Feirense diante do Rio Ave (1-0), Marcão, central dos vila-condenses, derrubou João Silva e foi admoestado com um amarelo, antes de Rui Oliveira mudar a decisão.

Ligeiramente acima da média prevista

Ainda antes de o projeto do vídeo-árbitro arrancar na Liga, David Elleray, diretor técnico do International Board (IFAB), explicou em entrevista a ‘Record’ o que estava previsto. "As pessoas não esperem que haja quatro ou cinco intervenções por jogo. Será uma decisão alterada a cada quatro ou cinco jogos", afirmou o dirigente. Contas feitas, já houve 15 lances em que o vídeo-árbitro ajudou a reverter a decisão do árbitro, ao cabo de 81 jogos (distribuídos por nove jornadas). A média dá 5,4 decisões alteradas, ligeiramente acima das previsões de David Elleray. Refira-se que a 4.ª ronda foi aquela em que se verificaram mais mudanças com auxílio da tecnologia. Só aí foram quatro, enquanto houve duas em outras três jornadas: 3.ª, 4.ª e 8.ª. Só na 2.ª e na 7.ª é que o VAR nada ajudou a mudar.

Por Pedro Gonçalo Pinto
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