André Mendes explica como os jogadores do Farense mantêm a forma

Fisioterapeuta e coordenador do departamento clínico do clube

• Foto: LigaPortugal

André Mendes, fisioterapeuta e coordenador do departamento clínico do Farense, destacou a importância do "isolamento social", assim como do cumprimento das normas e medidas da DGS e da OSM. Numa entrevista ao site da Liga Portugal, que pode ver em baixo na íntegra, André Mendes explicou ainda como o plantel mantém a forma.

"Criamos um plano de condicionamento físico genérico para a equipa, que é atualizado semanalmente e que os jogadores devem cumprir. Para além do planeamento genérico, temos planeamentos específicos, tendo em conta as necessidades de cada jogador, onde temos em conta todo o historial clínico, criando alguma especificidade nas necessidades de cada um. Temos também um plano nutricional, desenvolvido pelos nossos nutricionistas, que envolve o controlo do peso e as questões de nutrição e suplementação específicos de cada jogador", referiu.
 
Como é que o Departamento Clínico do SC Farense tem acompanhado esta situação do Covid-19?
 
Temos mantido uma atualização diária, sobretudo recolhendo informação, sobretudo por parte das entidades mais competentes, como a DGS e a OMS. Mantemo-nos atualizados por lá e mantemo-nos a par da informação diária que é disponibilizada, no que diz respeito a casos tanto da região, como do país. Isto porque temos alguns jogadores que regressaram para as suas casas e, desta forma, precisamos de saber sempre como se encontra o panorama nacional, procurando a melhor informação disponível. Também recorremos à nossa estrutura médica que tem maior informação do ponto de vista clínico, de forma a informarmos o plantel e a restante estrutura da forma mais adequada possível. Mantemos um acompanhamento à distância dos nossos jogadores, via as várias redes e plataformas disponíveis, de forma a mantermos a proximidade aos jogadores e todo o apoio que eles necessitam nesta fase.
 
Quais foram as medidas adotadas pelo clube na prevenção à pandemia?
 
Focamo-nos, sobretudo, na criação de linhas orientadoras para os jogadores e restante estrutura, com algumas medidas preventivas que possam adotar, nomeadamente no que tem haver com o isolamento social e todas as medidas partilhadas pela DGS e OMS. Tudo o que tem a ver com a questão básica da limpeza das mãos, de evitar contacto, das medidas básicas de segurança que têm de tomar sempre que saem de casa. Essas foram as linhas que nós traçamos do ponto de vista geral. Também garantimos sempre um suporte de apoio direto a toda a estrutura, para que nós, departamento clínico, possamos fornecer as melhores condições, de forma a minimizar os contactos que qualquer um possa ter com o exterior, evitando o risco de contágio.
 
Há algum plano específico de trabalho a ser levado a cabo pelo plantel?
 
Nós criamos um plano de condicionamento físico genérico para a equipa, que é atualizado semanalmente e que os jogadores devem cumprir. Para além do planeamento genérico, temos planeamentos específicos, tendo em conta as necessidades de cada jogador, onde temos em conta todo o historial clínico, criando alguma especificidade nas necessidades de cada um. Temos também um plano nutricional, desenvolvido pelos nossos nutricionistas, que envolve o controlo do peso e as questões de nutrição e suplementação específicos de cada jogador. Existe um acompanhamento à distância, através das diferentes plataformas, onde fazemos treinos em conjunto, de forma a avaliarmos em direto os treinos aplicados e a resposta dos nossos jogadores. Para além destes pontos, os jogadores devem preencher questionários ao acordarem e após cada sessão de treino, de maneira a monitorizar e avaliar a intensidade e a perceção do esforço, em relação aos treinos impostos. É importante referir que o objetivo deste tipo de trabalho passa por minimizar ao máximo o descondicionamento físico e que não vai resolver nem tão pouco garantir os níveis de condição básicos para competir ao nível que o futebol profissional exige. Ainda assim, nesta fase, é o máximo que conseguimos fazer com as ferramentas e os constrangimentos que existem. É, portanto, um trabalho que serve para suavizar o descondicionamento, mas que nem de perto se assemelha às realidades físicas que o futebol tem. Temos uma equipa técnica que é muito proativa, que tem arranjado o máximo de ferramentas possível, de forma a otimizar o que temos.
 
Que cuidados recomenda aos portugueses?
 
Recomendamos que sigam à risca que têm sido as normas divulgadas pelas OMS e GDS, o isolamento social, que tenham em consideração a desinfeção regular e sobretudo de objetos que possam estar em contacto com potenciais vias de contágio. Também o cuidado com a higiene, sobretudo a lavagem das mãos. Devem evitar os aglomerados de pessoas e deslocações desnecessárias. E muito importante também é estarem informados. Procurarem informação em fontes credíveis e fidedignas, nomeadamente a OMS e a DGS, evitando a desinformação.
 
Como aconselha que as pessoas ocupem o tempo livre?
 
É importante incentivar as pessoas a manterem-se ativas, tendo que em conta que o exercício físico tem um grande fator positivo, sobretudo no nosso sistema imunitário, mas também do ponto de vista psicológico. Outro conselho passa por fazer aquilo que antes não tínhamos tempo para fazer e que nos queixávamos da nossa rotina normal de trabalho, nomeadamente ler um livro, ver um filme, uma série. São formas úteis de ocupar o tempo. De alguma forma, podemos também dedicar algum tempo ao desenvolvimento profissional e pessoal, que possamos ter deixado de parte enquanto nos encontrávamos nos nossos horários de regime de trabalho presencial e que agora temos algum tempo livre que nos permita fazê-lo.
 
Sendo profissional de saúde, que recomendação tem para deixar ao país?
 
A maior recomendação que posso fazer é que fiquem em casa. Cumpram à risca o isolamento social, que não vai resolver o problema, mas sem dúvida que é a nossa melhor ferramenta para, no presente, lidarmos da melhor forma com a situação e garantirmos que o SNS tem capacidade de resposta para as necessidades do agora. Esta é sem dúvida a maior recomendação.

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