Tudo o que foi dito na entrevista a Pinto da Costa

Presidente dos dragões falou no dia a seguir às eleições

Já há acordo para a rescisão com Lopetegui?
"Falta ele querer dialogar, porque ele e o advogado recusaram-se sequer a falar. O senhor Jorge Mendes, que era empresário dele, juntamente com um intermediário espanhol, disse que iria resolver o assunto e até agora não houve tentativa nenhuma. Fui defensor até ao limite do senhor Lopetegui e houve duas razões para o aguentar até àquele dia. Quando perdemos no Sporting, houve adeptos que não queriam deixar sair os jogadores e aí entendi que não poderia ceder. Lopetegui acabou por deixar o clube depois do jogo frente ao Rio Ave por três razões. Primeiro, os mesmos adeptos que não tinham permitido que os jogadores saíssem do estádio depois da derrota em Alvalade deram um apoio exemplar antes, durante e depois do jogo e aí já ninguém poderia dizer que foi por pressão dos adeptos que ele saiu. Segundo, na manhã dos jogos, o senhor Lopetegui dizia-me que iria fazer trocas na equipa e depois quando chegava há hora do jogo ele colocava os mesmos jogadores em campo, supostamente por indicação do adjunto. Terceiro, quando acabou o jogo frente ao Rio Ave, que empatámos, entrei no balneário do treinador e ele disse que por ele não haveria problema. Resolveríamos tudo em dois segundos. Ele saiu do balneário e disse a mesma coisa ao Antero Henrique. Senti que ele estava a deitar a toalha ao chão e assim não poderia continuar a ser treinador do FC Porto."

Garantias para a próxima época?
"Depois de ter dito que batemos no fundo, estamos a sair de lá. Garantias de que vamos ganhar, ninguém pode dar. Vamos ter uma equipa com espírito da que jogou ontem, a remar para o mesmo lado, com uma direção mais agressiva no bom sentido, não tenham a mínima dúvida. O FC Porto tem um orçamento de 150 milhões em que o Fisco leva 40 milhões e não nos dá, dentro das nossas possibilidades, temos de fazer investimentos. Vamos ter uma equipa melhor é a minha convicção a 100 por cento."

Quando Luís Filipe Vieira disse, no passado, que era mais importante ganhar lugares na Liga do que contratar jogadores, ele venceu essa guerra?
"Venceu essa batalha, mas não venceu essa guerra, não tenho dúvidas. Na Liga anterior, com Mário Figueiredo, era assim. Eu tinha a noção de que eles tinham essa estratégia e só assim se mantêm nos seus lugares Vítor Pereira e Ferreira Nunes, que levaram a casos como o da descida de um árbitro internacional. É a sequência desse princípio. Importante era ter quem subisse ou descesse árbitros. As coisas atingiram tal ponto de descaramento que não é possível manter Vítor Pereira e Ferreira Nunes na arbitragem, esses dois senhores nem o doutor Fernando Gomes vai ter coragem para os indicar."

Críticas a Angelino Ferreira, antigo administrador da SAD do FC Porto
"Angelino Ferreira só diz barbaridades, deve andar muito perturbado com a Gaianima e não tem tido tempo para ir às Assembleias-Gerais. Ele diz que os sócios já não mandam no clube, porque o clube é que elege a SAD. Ora digam lá se não é um pensamento obtuso? Este é o primeiro ponto que ultrapassa o nível das nossas inteligências. Depois diz que não há estratégia, porque fizeram eleições da SAD antes das eleições do clube. Se tivesse ido à AG já não dizia uma asneira dessas, porque expliquei tudo."

Necessidade de estar mais próximo da equipa de futebol?
"Gosto de futebol e nunca deixei de estar perto da equipa, vou aos treinos para conviver com os jogadores, nos estágios estou sempre com eles. No momento em que tive de lhes dizer que bateram no fundo, estimulei-os, porque têm de fazer parte desde projeto. São jogadores com grande capacidade, é preciso é estimulá-los. Senti isso e nos últimos tempos e tenho tido mais conversas com os jogadores."

O treinador depende da final da Taça de Portugal?
"Isso não existe, se isso fosse decisivo, o treinador do Sporting era o Marco Silva. Estamos muito satisfeitos com José Peseiro, a equipa está a jogar dentro do que ele quer, agora tem mais tempo para treinar, porque não há seleções para interromper o trabalho. É o treinador que escolhemos, com quem estamos a preparar o futuro, a discutir decisões, é o treinador que queremos que seja nosso para o próximo ano."

Jorge Jesus está destinado a ser um dia treinador do FC Porto?
"As pessoas confundem as coisas, treinar o FC Porto e a amizade estando as pessoas em sítios opostos. Tenho uma excelente relação com ele há muitos anos, desde que ele estava no Amora. Era meu amigo, de Reinaldo Teles e de outras pessoas do FC Porto. Esteja onde estiver, teremos sempre uma boa relação de amizade. Quando o Jorge Jesus esteve no Benfica algumas o viu falar mal de mim e eu dele? Não confundam. Não digo que não possa vir a trabalhar comigo, mas também não digo que sim. Neste momento não está no nosso horizonte. Mas ele não vai sair do Sporting."

Quer que seja campeão o Benfica ou o Sporting?
"É-me indiferente, não sendo o FC Porto é-me totalmente indiferente."

Ser campeão é uma obsessão?
"FC Porto não pode assumir o campeonato com obsessão como fez o Sporting e por isso ficou de fora das outras taças. É uma opção. O objetivo tem que ser ganhar o campeonato, sem obsessão, vamos preparar a equipa com futuro e um presente que permita poder ganhar o campeonato."

É possível ter Pepe, Bruno Alves e João Moutinho de volta?
"Via com bons olhos, mas temos de ser realistas, qualquer um deles ganha mais de 5 milhões anuais. Que algum deles possa regressar? Tenho esperança, mas não posso dar certezas, porque para nós é incomportável. Temos é de olhar para Josué e Hernâni, por exemplo, que estão emprestados e a fazer uma boa época. O Quintero até já regressou. Queremos uma equipa para estabilizar."

Já vi a equipa reagir?
"Eu disse que batemos no fundo, não disse que estamos no fundo. Hoje toda a gente percebeu que temos condições para sair de perto do fundo. Perante a exibição que fizemos, com cinco portugueses, depois de se ver o que fez a equipa B, foi um acordar. Às vezes é preciso acordar as pessoas. Por o árbitro não marcar penáltis frente ao Tondela e Paços de Ferreira não se pode falar em fatalismos. Mesmo assim é necessário lutar e acreditar e foi isso que a equipa fez, porque compreendeu a situação, foi um ponto de viragem depois de duas derrotas daquelas. Frente ao Nacional vimos uma equipa à Porto, até porque foi considerado o melhor em campo o guarda-redes do adversário."

Limpeza de balneário?
"Isso é feito pela empresa que limpa o balneário… Não tenho jogadores de mau carácter que obriguem a uma limpeza de balneário. No dia em que falamos com o empresário do Aboubakar para aumentar o contrato, vi num jornal escrever que ao Aboubakar tinha sido comunicado que seria dispensado. Ele até ficou surpreendido. Até o Varela, que mostrou que tem valor para estar no Europeu, também já tinha sido comunicado que iria embora. Mas isso já não afeta os jogadores. O que vale é que eles não ligam. Se me perguntar se o plantel vai ser o mesmo? Não, vão sair e entrar jogadores."

Sucessão
"FC Porto não é monarquia, tem muita gente capaz de ser presidente no futuro. Se eu fosse dar um sinal agora de quem quisesse, toda a gente iria cair em cima dessa pessoa, porque passava ela a ser o alvo. Pensar que eu é que deveria indicar um sucessor é passar um atestado de menoridade aos sócios do FC Porto. Não pode ser, nem nunca o farei, haverá pessoas capazes de assumir a presidência, será diferente, porque ninguém é igual. Quando eu sair serão os sócios a escolher. Gostava que fossem várias listas e há pessoas que se o fizerem ficarei tranquilo em relação ao futuro. As únicas pessoas que não gostava que fossem são os meus filhos, porque não quero que passem por muitas coisas que eu passei. Não gostaria de ver nenhum deles ou a minha mulher presidente do FC Porto, não gostava. Se a algum passasse pela cabeça era capaz de continuar na presidência para eles não estarem nalgumas situações que eu passei."

Resultado da eleição
"Nas letras gordas dos jornais dizem que fui eleito com um cartão amarelo. Dos 21 por cento de votos nulos, muitos foram-no porque as pessoas escreveram palavras de incentivo para Pinto da Costa e FC Porto. Se com 79 por cento levei cartão amarelo, o que pensará o Presidente da República, que teve 52 por cento? Deve ter levado um cartão laranja. O que pensará o primeiro- Ministro, que até perdeu as eleições? Deve ter levado cartão vermelho. Como é possível pensar em cartão amarelo com 79 por cento, é perfeitamente ridículo. Foi uma surpresa ver tanta gente a votar e não ter mais votos nulos, devido à imagem que estava a ser passada."

Pinto da Costa irá falar aos portistas a partir das 22h30, numa entrevista ao Porto Canal, conduzida por Júlio Magalhães e onde também estará o músico e adepto do FC Porto Miguel Guedes. Cá estaremos a par e passo para lhe contar tudo!

Por Rui Sousa
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