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Beira Mar-FC Porto, 2-0: Aveirenses cortaram asas ao dragão

CRÓNICA

O GRANDE "culpado" pela derrota do FC Porto chamou-se Beira Mar. A equipa de António Sousa realizou uma exibição de grande nível – se jogasse sempre assim estaria a lutar por voos bem mais altos do que a manutenção. Encaixou como uma luva no FC Porto e não deixou jogar o adversário, mercê da eficácia das marcações, assente numa agressividade no limiar da legalidade, e na velocidade que imprimiu nas saídas para o contra-ataque.

Foi uma noite de inspiração colectiva difícil de contrariar. Um dado relevante: contam-se pelos dedos de uma mão as vezes em que os jogadores do FC Porto ganharam os despiques individuais no último terço do campo. Deco foi metido no bolso por Fernando Aguiar – o brasileiro já em Glasgow esteve muito abaixo do seu nível –, Capucho sentiu grandes problemas face a Cristiano ou a Lobão quando derivava para o meio, Pena lutou como um mouro, mas Filipe não lhe deu a mínima trégua, Alenitchev não foi o "joker" que Octávio pretendia que ele fosse. Como agravante, a opção por dois trincos não resultou de todo, porque Costinha esteve em noite não e Paredes só começou a jogar a sério quando derivou para o meio, com a saída de Costinha à meia hora. Dá gosto ver o paraguaio a jogar à frente da defesa e quão diferente passou a ser a fluidez de jogo portista quando passou a ser ele o primeiro distribuidor.

Mas neste jogo houve contrariedades a mais para o FC Porto. Sofreu dois golos na sequência de livres directos, em dois momentos de inspiração de Cristiano e Luís Manuel [não é de todo vulgar concretizar dois lances de bola parada num só jogo]. Alenitchev foi expulso após o intervalo, o que obrigou o FC Porto a jogar toda a 2ª parte em inferioridade numérica. O russo andava de cabeça quente e já ao intervalo, tendo visto um amarelo momentos antes, protestara com o árbitro em termos tão veementes que justificavam, porventura, a sua substituição, por precaução. A partir do último quarto de hora, Pena lesionou-se e o FC Porto passou a jogar com nove, já que o brasileiro fazia figura de corpo presente.

O Beira Mar, além de ter asfixiado o ataque portista, não lhe dando tempo para respirar – impressionante o "pressing" aveirense e a saúde física dos seus jogadores –, manteve sempre a defesa portista em sentido face à velocidade e agressividade com que partia para o contragolpe. Aliás, não fora o acerto dos dois centrais portistas e os estragos teriam sido maiores. O facto de o golo ter surgido cedo [20'] reforçou a autoconfiança dos seus jogadores e pôs maior pressão sobre os portistas.

Um detalhe relevante: em todo o jogo o FC Porto desfrutou de uma única ocasião de golo, aos 33', perdida nos pés de Pena [exceptuando uma cabeçada de Jorge Neves ao poste da sua baliza quase no fim do jogo].

Começa a ser um hábito Octávio ter de mexer na equipa para corrigir uma má opção inicial. Foi assim com o V. Setúbal, com o Celtic e ontem à noite. Depois de anos consecutivos a jogar com extremos, deixou de ter o esquerdo [Clayton não tem sido aposta] e o direito, Capucho, não rende o mesmo a fazer de extremo às vezes, e outras vezes de segundo ponta-de-lança. Aliás, o Beira Mar também ajudou a cortar as asas ao dragão, obrigando-o a afunilar jogo. O FC Porto é uma equipa demasiado afunilada que precisa de imprimir outra amplitude ao seu jogo. Pena não é Jardel, mas se receber jogo da linha tem mais possibilidades de facturar.

LUÍS MIRANDA teria feito, porventura, a melhor actuação da sua carreira não fosse a circunstância de não ter sancionado em conformidade um empurrão de Lobão a Pena, aos 74', passível de grande penalidade.
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