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FC Porto-Benfica, 1-1: Bastava terem jogado só a última meia hora

CABEÇA DE GEOVANNI IMPEDE MCCARTHY DE "REPETIR" A PRIMEIRA VOLTA

A emoção cresceu com o declinar da partida, incluindo defesas fabulosas de Quim e Baía. No fim, até nos remates à barra ficaram iguais
FC Porto-Benfica, 1-1: Bastava terem jogado só a última meia hora • Foto: Luís Vieira
Uma grande cabeçada de Geovanni impediu o FC Porto de alcançar o 11.º triunfo consecutivo a jogar em casa para o campeonato e, melhor do que isso, mantém o Benfica em igualdade pontual com os campeões, repartindo o primeiro lugar.

Depois de uma primeira parte extremamente monótona, com poucas ocorrências – o Benfica só fez três faltas! – e muito menos risco de ambas as partes, o jogo conheceu um final bastante emotivo, com os golos a surgirem e outras oportunidades a fazerem subir a adrenalina dentro o fora de campo.

Desacerto

Mas foi preciso vencer muita retracção e algum desacerto táctico que afligiu os dois emblemas em momentos diferentes, fazendo com que (curiosamente) se chegasse ao intervalo com a posse de bola irmãmente dividida.

Primeiro, o Benfica conseguiu manter o FC Porto anestesiado, porque a ausência de pressão do meio-campo azul deu para aproveitar as alas (sobretudo a esquerda) e acercar--se várias vezes da área.

Depois, com algumas aparições de Diego (por oposição ao mais apagado Nuno Assis), bem secundado por Ibson, os dragões subiram no campo e, abrindo espaços para os laterais, passaram a controlar.

O domínio azul, inclusivamente, acentuou-se no recomeço. Corrigindo posições, redefinindo as áreas de influência de cada um dos médios, Couceiro garantiu maior velocidade na circulação da bola e arranjou maneira de complicar a marcação aos avançados.

Diabólico 66

O minuto 66 foi o da revolução. Dois escassos minutos depois de Nuno Assis, de longe e "do nada", ter rematado ao ângulo superior direito da barra da baliza de Vítor Baía, Geovanni teve nos pés oportunidade soberana de inaugurar o marcador: isola-se logo a seguir à linha divisória, ultrapassa o guarda-redes portista e, com a baliza escancarada, atira para o peito de Ricardo Costa. Um sofrimento para Giovanni Trapattoni, desperado perante tal desperdício.

Mas o pior veio na resposta, na jogada imediata: Benni McCarthy marca, num lance em que Miguel abre o flanco de forma irreparável, mesmo estando o Benfica em vantagem de dois para quatro.

Depois de inventar espaço com um drible a Petit junto à linha de fundo (49'), acabando por rematar ao lado, e de ter atirado por cima um autêntico brinde de Ricardo Rocha (59'), o sul-africano não perdoou na terceira tentativa.

Duro

Para quem acabava de falhar as duas melhores oportunidades do jogo, ainda que paradoxalmente no pior período da sua exibição, o Benfica sofreu com o golo de McCarthy um rude golpe, daqueles capazes de desmoralizar os mais crentes.

Foi até José Couceiro o primeiro a reagir. Em vantagem, lançou de imediato Quaresma, prescindindo de Hélder Postiga, provavelmente com o objectivo de agitar o ataque e segurar mais a bola na linha da frente.

A resposta não demorou, com os encarnados a recorrerem a um segundo ponta-de-lança (Nuno Gomes, que ficara surpreendentemente no banco). O sacrificado foi Nuno Assis, compensando Trapattoni a ausência do "pensador" com o avanço de Manuel Fernandes, para um apoio mais efectivo a Geovanni, que passou a derivar mais para o interior. Resultou.

Frenético

O golo da igualdade motivou nova reacção dos técnicos, mas agora em simultâneo: Diego por Luís Fabiano e Geovanni por João Pereira.

As substituições alteraram mais o esquema do Benfica do que o do FC Porto. Miguel avançou para extremo-direito e rendeu mais em meia dúzia de minutos do que no resto do encontro.

Mas os eléctricos dez minutos finais foram "ganhos" pelos dragões, mercê de mais um lance genial do "million dollar baby" Benni McCarthy, ao rematar com enorme estrondo à trave um livre directo na zona frontal.

De resto, duas defesas soberbas, uma para cada lado (se bem que a de Baía não tenha sido considerada pelo árbitro, pois não foi assinalado o respectivo pontapé de canto), as "cerejas" que faltavam num bolo saboroso que, como o vinho do Porto, foi ganhando sabor com o passar do tempo. Tanto o remate de Nuno Gomes (88') como o de Maniche (89') levavam selo de golo.

Um resultado justo para um jogo que terminou à altura das expectativas. Pena foi terem demorado tanto a acertar o passo...

Árbitro

António Costa (4). Uma primeira parte facílima, com uma dúzia de faltas (só 3 do Benfica!) e também pouquíssimos erros. A segunda metade voltou a ser pouco complicada, apesar de ligeiras picardias, prontamente sanadas. O baixo grau de dificuldade impede a atribuição da nota máxima, mas fica a confirmação de que temos homem para os grandes momentos.
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