FC Porto fez magia na neve há 30 anos: heróis recordam o que se passou

Dragões bateram Peñarol por 2-1 e venceram a Taça Intercontinental

Tóquio, manhã do dia 13 de dezembro de 1987. Parecia mentira, mas para quem acordou na capital japonesa naquele domingo, sobre o qual se completam 30 anos esta terça-feira, a verdade era branca... e gelada. Pouco depois, pelas 12 horas locais – 3h00 da madrugada em Portugal –, ouvia-se o apito inicial da Taça Intercontinental que o FC Porto haveria de vencer ao Peñarol, do Uruguai, por 2-1, após prolongamento. E em 120 minutos de um duelo esgotante viram-se 10 segundos de pura magia, que começaram nos pés de Sousa e terminaram nos de Madjer.

Os feitos do argelino, que sete meses antes foi também o herói de Viena, são por demais conhecidos e, por isso, Record convidou o portugês a abrir o baú das memórias três décadas depois. "É um pormenor curioso, não é? É um lance igual a tantos outros que fiz na minha carreira, mas ali, naquele terreno, que era um autêntico lamaçal... Foi uma inspiração momentânea, eu tinha muita qualidade técnica e aparentemente estava mais calmo, mais lúcido, apesar do desgaste enorme", recorda o antigo médio, hoje com 60 anos, descrevendo ao pormenor a jogada que, revista hoje em vídeo, desenrolou-se precisamente em 10 segundos: "Foi uma ação repentista, com qualidade sobretudo ao nível da cabeça, pois tivemos de ser inteligentes para ganhar aquele jogo. Ao recuperar a bola saio logo de dois adversários e isso dá-me espaço para meter a bola na frente, para o Madjer. Sabia que tínhamos de jogar para o espaço para ver se ele ganhava vantagem, se chegava... e ele chegou!"

Na visão de António Sousa e apesar das condições climatéricas brutais, a "grande conquista" de Tóquio não se fez apenas de garra e espírito coletivo. Foi preciso pensar. "Tínhamos de ser mais inteligentes, não era só uma questão de músculo. A inteligência tinha de imperar, tínhamos de perceber que a única solução era jogar na profundidade, no erro... Procurar os colegas nas costas dos adversários. Essa era praticamente a única forma de jogar", considera.

Álcool e fogueiras

Obrigados a jogar num palco onde "era impossível fazer melhor", portugueses e uguruaios sofreram para contrariar a neve e o frio que a todos apanhou de surpresa.

"Fomos cinco dias antes para nos prepararmos. As temperaturas eram normais, baixas, mas com um clima normal, e só no dia do jogo é que nevou", lembra o antigo médio, que também esfregou "álcool nas pernas e nos braços" para se aquecer e ajudou a fazer "fogueiras no balneário". "Estávamos sempre encharcados. Durante o jogo não se sentiam os braços, nem as pernas... Veja lá que, ao intervalo, alguns como eu chegaram à conclusão que era melhor jogar de manga curta!

Troféu original no museu

Pelo facto de ter vencido também a última edição da Taça Intercontinental, em 2004, o FC Porto recebeu o troféu original, que está exposto no museu do clube no espaço relativo à conquista de 1987. Desta final, os adeptos podem ainda ver, entre outros objetos, a camisola usada por Gomes. *

Por André Monteiro
4
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de FC Porto

Notícias

Notícias Mais Vistas

Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.