José Fernando Rio: «FC Porto não pode morrer por causa de uma dívida de gratidão»

Candidato fez manifesto eleitoral nas redes sociais

• Foto: DR

José Fernando Rio, candidato à presidência do FC Porto nas eleições de 18 de abril, publicou esta terça-feira um extenso manifesto eleitoral nas suas redes sociais.

Uma das ideias destacadas pelo anunciado concorrente de Pinto da Costa prende-se com a "dívida de gratidão" para com o atual presidente que, na sua visão, coloca em causa o futuro dos dragões.

Leia o texto na íntegra:

"Sou candidato a presidente do melhor clube do mundo: o FC Porto.

O FC Porto, tal como o conhecemos, não pode morrer por causa de uma dívida de gratidão.

Estávamos a 16 de Abril de 1984. Nesse dia acordei nervoso, ansioso e feliz. Uma mistura de emoções que só o FC Porto me poderia fazer sentir. Daqui a umas horas iria ver, viver e vibrar com a primeira final europeia do meu clube. Um sonho tornado, final e magicamente, realidade. O FC Porto não decepcionou. Fez um grande jogo, encantou a Europa, honrou a camisola e apenas não conquistou a Taça das Taças frente à poderosa Juventus porque os poderes instalados na UEFA não deixaram. Mas o mais importante estava feito, ganhámos o respeito do futebol europeu e a promessa de títulos futuros ficou bem vincada.

Não foi preciso, de facto, esperar muito tempo para que, numa noite de pura magia em Viena, o calcanhar de Madjer e a acutilância de Juary levassem o FC Porto pela primeira vez ao topo do futebol europeu. Estava conquistada a primeira Taça dos Campeões Europeus, e logo frente a outro colosso do futebol europeu, o Bayern de Munique.

Mas a história estava apenas no começo. Depois da primeira Taça dos Campeões Europeus, o FC Porto voltaria a ser campeão da Europa em 2004. Para além disso, ganhámos uma Taça UEFA, uma Liga Europa, uma Supertaça Europeia e fomos duas vezes campeões do mundo. De nunca termos estado numa única final a termos 7 troféus internacionais foi um passo. Foi um passo da competência, da humildade e, sobretudo, da organização.

Internamente, acompanhando as conquistas internacionais, os títulos sucediam-se a uma velocidade vertiginosa. Fomos sucessivamente campeões, fomos Bi, fomos Tri, fomos Tetra, fomos Penta. Chegámos a ganhar 9 campeonatos em 11 anos. Jorge Nuno Pinto da Costa tornou-se o Presidente mais titulado do mundo e o FC Porto um clube respeitado e temido por qualquer adversário. Festejámos títulos às escuras! O FC Porto tinha conquistado a hegemonia do futebol português.

Este poderia ter sido o epílogo da mais bonita história do futebol nacional.

Mas não foi.

Paulatinamente, outras forças começaram a levantar-se, nem sempre claras, nem sempre transparentes e que acabaram por desviar muitas das vitórias nacionais para Lisboa. Digo vitórias nacionais porque esses, que usam métodos subterrâneos e pouco ortodoxos, rapidamente se afundam quando chegam às competições internacionais.

No entanto, e com muita pena minha, não podemos deixar de constatar que dos últimos 25 troféus internos, o FC Porto ganhou apenas dois. Isto era uma situação impensável há poucos anos!

Independentemente dos métodos usados, a verdade é que nos últimos 6 anos vimos o nosso rival ser campeão 5 vezes. Nem sempre de forma justa e nem sempre de forma limpa. Mas isto também demonstra que o Clube perdeu capacidade de intervenção – ou ter-se-á afastado de forma consciente – nas instituições desportivas nacionais.

Mas pior que uma clara perda de pujança desportiva, mesmo que mitigada pela assunção da liderança ontem, o FC Porto vive uma ainda mais preocupante falta de sustentabilidade financeira.

Para os mais distraídos, gostaria de recordar que saúde financeira e êxito desportivo estão fortemente interligados. Quem tem as suas finanças saudáveis, quem está pujante financeiramente, está sempre mais perto das conquistas e dos títulos. E quem conquista títulos tem sempre mais hipóteses de ver as suas contas melhorar.

Pois bem, se desportivamente as coisas têm vindo a declinar para patamares impensáveis há uns anos, em termos financeiros as coisas afiguram-se bem pior.

Não acredito que algum portista tenha ficado descansado ao ver as imposições da UEFA por não termos cumprido os critérios do fair play financeiro previstos por aquele órgão.

Mas ainda pior é constatar, e não há palavras fáceis para dizer isto, que a SAD do FC Porto se encontra, lamentavelmente, em situação de falência técnica, sendo que o Passivo é muito maior do que o Activo.

Termos chegado a esta situação é absolutamente incompreensível. Lembro-me bem de estar habituado a ver magníficos plantéis no FC Porto acompanhado de extraordinárias vendas que enchiam os cofres do clube. Termos chegado a uma situação de falência técnica é, repito, incompreensível e assustador.

E mais assustador ainda se olharmos para o Relatório & Contas da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD e constatarmos que os valores referentes ao contrato da Altice foram descontados até ao período de Junho de 2023.

Como sempre pensei e aqui já o afirmei, resultados desportivos e performance económico-financeira interligam-se profundamente. E em ambos os casos a situação do FC Porto deteriorou-se de forma significativa e para além do limite razoável.

Jorge Nuno Pinto da Costa é um símbolo, uma referencia e um ídolo para mim. Foi o melhor Presidente que algum clube alguma vez teve no mundo. A minha dívida de gratidão, a dívida de gratidão de todos os portistas, é imensa.

No entanto, até onde iremos deixar que essa dívida de gratidão nos leve?

Assistimos ao longo dos últimos anos à saída da estrutura do FC Porto, com o consequente enfraquecimento da mesma, de vários dos nomes que estavam intimamente ligados ao grande sucesso do clube.

Assistimos ao longo dos últimos anos à perda da performance desportiva que tanto nos caracterizava e orgulhava.

Assistimos ao longo dos últimos anos a uma degradação constante da nossa situação financeira, tendo hoje uma SAD com um Passivo que ultrapassa os 440 milhões de euros, que está numa situação de falência técnica e que tem as receitas com a Altice já usadas até Junho de 2023. Temos, ainda, compromissos na UEFA que nos obrigarão a fortes vendas de jogadores do nosso plantel.

Assistimos ao longo dos últimos anos a uma inexplicável perda de poder junto dos centros de decisão do futebol português e à adopção de uma política de isolamento face aos demais clubes.

A pergunta que se impõe é então a seguinte: face a este cenário, o que fazer?

Devemos ficar quietos? Devemos ignorar?

Sei que muitos esperam estrategicamente a saída do Presidente Pinto da Costa para apresentarem as suas candidaturas.

Eu não sou desses nem acho que o FC Porto se possa dar ao luxo de perder mais tempo.

É por isso que, face ao cenário que aqui descrevi, me sinto na obrigação de avançar com uma candidatura à Presidência do Futebol Clube do Porto.

É uma candidatura pensada, amadurecida e que conta com um projecto e uma equipa sólidos.

É uma candidatura pelo FC Porto e não contra ninguém.

É uma candidatura de quem ama o seu clube e diz presente num momento delicado e difícil.

Não é uma candidatura de calculismos e que aguarda o melhor timing para a promoção pessoal de seja quem for.

O momento é este. É este porque é agora que o FC Porto precisa de um novo rumo.

O FC Porto precisa de regressar às vitórias, aos bons (e estáveis) plantéis, às boas contas, à credibilidade internacional, à influência nos órgãos de decisão do futebol nacional, à hegemonia no futebol português.

Os sócios do FC Porto são gratos, mas o Clube está acima de todos e precisa de, a cada momento, ter ao seu serviço os que forem mais capazes a ocupar os cargos chave dentro do clube e da SAD.

É esse regresso ao FC Porto que cresci a admirar que me move e que move esta candidatura.

Contem comigo para esta luta que precisa ser travada pelo FC Porto.

Viva o Futebol Clube do Porto!

José Fernando Rio
Sócio nº. 22122"

Por André Monteiro
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