Luís Castro e a chamada de Antero Henrique: «Não sendo para assistente é para quê? Conduzir autocarro?»

Treinador do Shakhtar recordou alguns dos melhores momentos da carreira, entre eles, a chegada ao FC Porto

• Foto: Manuel Araújo

Luís Castro esteve, durante a noite de sábado, a reviver algumas dos seus melhores momentos na carreira enquanto treinador de futebol.

O antigo treinador de Sanjoanense, FC Penafiel, FC Porto, Rio Ave, Desportivo de Chaves e Vitória de Guimarães recordou, em declarações ao canal de YouTube 'Vamos falar de futebol', o momento em que Daúto Faquirá 'roubou' o cargo de treinador do Estrela da Amadora, o primeiro contacto com Antero Henrique, antigo dirigente do FC Porto, e a sua chegada aos dragões numa altura em que estava "desempregado".

"Terminei a época no FC Penafiel e tenho um convite do Estrela da Amadora em que me é dito claramente assim: 'Ou és tu ou o Daúto Faquirá'. Pronto, lá fui eu lá abaixo [Amadora] falar com o presidente e foi-me dito, passado uns dias de eu ter-me reunido com ele, que o escolhido seria o Daúto. Foi na sequência da época que eu tinha tido, tinha perdido tantos jogos aquele era só mais um. Fui para casa à espera de alguma coisa. Quando tu não tens rede [de contactos], vais para casa e esperas um pouco. Eu só pensava: 'Tudo aquilo que eu fiz antes desta época está tudo diluido."

Contudo, Luís Castro não esperava que a situação profissional fosse dar uma volta de 180 graus... que poderia ter dado para o torto.

"Um dia fui ao supermercado e quando cheguei ao carro tinha duas chamadas no telemóvel de um número desconhecido e eu pensei cá para mim: 'Não ligo, não vou gastar dinheiro a devolver uma chamada a alguém que não conheço'. Estava desempregado, ia lá eu devolver a chamada. O poupar superiorizou-se à curiosidade e ao desejo de ter um clube."

"No dia seguinte o mesmo número a ligar. Atendo e digo assim: 'Quem é?' e do outro lado ele diz-me assim: 'Antero Henrique'. E eu cá para mim: 'O Antero Henrique?', lá lhe perguntei se era do FC Porto e ele disse que sim. E eu pensei: 'Epá, o quê que se passa aqui?'. Ele disse-me que gostava de ter uma conversa sobre futebol comigo e eu aceitei, claro. Quando desliguei fiquei muito excitado. Para quem está sem nada e depois surge o FC Porto. Só o nome...", confessou.

A chamada com Antero Henrique abriu a curiosidade de Luís Castro, que se questionava, vezes a fio, qual o propósito do contacto de um clube como o FC Porto.

"Começo a fazer as minhas contas: 'Co Adriaanse? Rui Barros assistente, equipa técnica toda... não, não é para assistente. Não sendo para assistente, será para quê? Condutor do autocarro?", revelou, entre risos.

"Marcou-me uma data qualquer para falarmos, mas acho que houve um problema qualquer no estágio do Co Adriaanse com os jogadores. A data que marcamos embrulhou-se e morreu por ali. Passado 15 dias, três semanas, outra vez o senhor Antero Henrique a ligar-me para marcarmos uma nova data. Ia eu em plena [Ponte da] Arrábida e ele liga-me a dizer: 'Epá, não pode ser hoje', isto já em setembro. O campeonato já estava a andar e eu só pensava para mim: 'Isto há aqui qualquer coisa. Não estou a perceber exatamente o que se está a passar'. E lá voltei eu para Águeda."

À terceira, como se costuma dizer na gíria popular, foi de vez. "Nova chamada e desta vez falamos. Encontramo-nos no antigo Tivoli. Sentamo-nos, conversámos, falei-lhe sobre o modelo de jogo, organização, dinâmicas e tudo isso. E ele: 'Bem, bem, muito bem. Então um abraço e boa viagem.'", recordou, entre risos.

O convite para diretor de formação do FC Porto

Apesar da reunião com Antero Henrique ter ficado 'aquém' das expectativas, Luís Castro viria a receber um novo contacto por parte do antigo dirigente do FC Porto, para ocupar um lugar a coordenar a formação portista e dar início ao projeto 'Visão 611', que facultou várias vendas de jogadores como Diogo Dalot, Rúben Neves, entre outros.

"Posteriormente tivemos nova reunião e o Antero disse-me que tinha uma proposta. 'Luís, é assim: o professor Ilídio Vale está a treinar os sub-19 e quero o Luís para diretor da formação'. E eu: 'Eu só treinei uma vez formação e foi os sub-13 do Águeda!'. Foi assim que iniciamos o projeto 'Visão 611'. Esse projeto gerou, com vendas de jogadores como [Diogo] Dalot, Rúben Neves, André Silva, Gonçalo Paciência, entre muita gente que passou por ali, uns milhões largos nas vendas. Mas é assim que chego ao FC Porto, é uma estória muito grande", concluiu.

Por Sérgio Magalhães
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