Mourinho, Robson, uma navalha e a meia engraxada de João Pinto

Técnico português revela as histórias das suas duas passagens pelos Dragões

• Foto: José Moreira/Arquivo

José Mourinho recordou as suas duas passagens pelo FC Porto em entrevista ao Porto Canal, na noite desta quinta-feira, e revelou as histórias que mais o marcaram. Uma delas mete Bobby Robson, João Pinto, uma navalha e uma meia engraxada.

"O senhor Robson foi a escolha perfeita para o FC Porto naquele momento [n.d.r.: época 1993/94]. Um homem que irradiava alegria, irradiava positividade, e que se soube alicerçar nas bases do clube. Há coisas inesquecíveis desse período. O senhor Robson não queria acreditar que o João Pinto podia jogar com o dedo grande do pé partido. Que o João agarrava numa navalha, cortava a bota e que depois um roupeiro engraxava a meia branca para que não se percebesse que o jogador estava a jogar com 'meia bota'. Isto é João Pinto, isto é FC Porto e são coisas que marcam. E o Robson foi a escolha certa para entrar naquela dinâmica. Soube perceber que aquela equipa, aquela mentalidade, era um pouco especial. É como a história de treinar de 'pitons' de alumínio e de caneleiras. No dia de jogo, em vez de termos um treino relaxado, havia um treino nos limites da competitividade e da agressividade. Eu até fechava os olhos por ter receio que alguém se lesionasse...", contou José Mourinho, recordando a "adaptação muito boa" que conseguiu quando se mudou para a Invicta pela primeira vez, como adjunto de Bobby Robson.

Uma passagem feliz, marcada negativamente pelos problemas oncológicos que Bobby Robson enfrentou e que o obrigaram a deixar o comando da equipa durante alguns meses. O balneário, uma vez mais, foi a chave. "O clube foi fortíssimo no apoio e na forma como apresentou uma liderança incontestada. O Inácio era o adjunto, era o chefe quando o míster saiu, mas eu era o homem do chefe. E dávamo-nos bem, com a ajuda também de monstros do balneário que fazem com que tudo seja mais fácil. E se às vezes na minha carreira tive dificuldades para encontrar um monstro de balneário que fosse um bom capitão, naquela equipa não havia um, havia muitos monstros", referiu.

Por André Monteiro
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