Obras das Antas suspensas

DRAGÕES NÃO ADMITEM A ALTERAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS DO PLANO DE PORMENOR

A redução da área comercial em 75 por cento inviabiliza o financiamento das obras. Pinto da Costa anunciou “um pedido de audiência à UEFA” e o “recurso aos tribunais” como medidas imediatas
Obras das Antas suspensas • Foto: Lusa/João Abreu Miranda

O FC Porto tinha marcado para as 20 horas uma conferência de Imprensa mesmo antes de Rui Rio ter anunciado oficialmente o seu propósito de alterar o PPA, reduzindo a área comercial em 75 por cento, de 40 mil para 10 mil m2. Com as televisões em directo das Antas, Pinto da Costa anunciou o que já se aguardava. As obras do novo estádio das Antas estão suspensas. Segue-se o recurso aos Tribunais e um pedido de audiência urgente junto da UEFA para explicar o sucedido.

“Todo este processo é uma prova inequívoca de falta de senso do presidente da Câmara Municipal do Porto (CMP)”, acusou Pinto da Costa, lembrando que os azuis e brancos já investiram “cerca de quatro milhões de contos nas obras do novo estádio”.

Pormenorizando, o presidente do FC Porto explicou que “na última reunião com o senhor presidente da CMP, foi-lhe dito que se fosse alterado o projecto comercial que tínhamos contratualizado, nem que fosse em alguns metros, era inviabilizado todo o projecto. Por isso ele tinha plena consciência do que estava a fazer quando anunciou a redução da área comercial. Esta cirúrgica operação, que prejudica somente o FC Porto e nenhum dos outros proprietários, é a mesma coisa que dizer que assumir categoricamente não querer o novo estádio das Antas, nem que a abertura do Euro-2004 seja no Porto”.

Acusando Rui Rio de só ontem ter falado pela primeira vez com o secretário de Estado das Obras Públicas, Vieira da Silva, Pinto da Costa avançou para o anúncio da paragem das obras: “A CMP disse que não faria qualquer obra sem ter garantidos todos os meios financeiros, pois o FC Porto faz o mesmo. O acordo com o promotor imobiliário (Grupo Amorim/ECOP) previa a existência de uma área comercial de 40 mil m2. Agora a construção do estádio não é viável. Não temos dinheiro para o pagar. Por isso nós, que cumprimos contratos, decidimos suspender os trabalhos”.

Na próxima segunda-feira o FC Porto deverá reunir-se com a Somague, empresa responsável pela construção do novo estádio, encontro após o qual será solicitada à UEFA uma audiência com carácter de urgência. “Para explicar de viva voz o sucedido e por que razão o estádio que tanto elogiaram ainda esta semana não vai ser construído”, sublinhou Pinto da Costa. Em paralelo, os dragões avançam para os tribunais para serem ressarcidos pelos danos dos danos causados pela reformulação do PPA.

Reacções

Fernando Gomes, antigo presidente da Câmara Municipal do Porto, admite que o bom senso ainda vai imperar, embora realce o facto de ter de ser a edilidade a dar o primeiro passo nesse sentido, porque foi a Câmara “quem veio alterar as regras do jogo.”

Em declarações à TSF, o candidato derrotado nas autárquicas ressalvou o facto de ser “uma decisão arbitrária do presidente da Câmara, sem ter legitimidade para isso”, a colocar em risco a participação do novo estádio das Antas no Euro-2004. Ainda de acordo com Fernando Gomes, “não devia ser uma atitude autocrática do presidente da Câmara a decidir isto”.

Gilberto Madaíl, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, já informou a UEFA sobre os últimos acontecimentos e, em declarações à Rádio Renascença, manifestou a sua preocupação.

“A pessoa com quem falei na UEFA recebeu a notícia com surpresa e alguma incredualidade. Sempre admiti que esperava que as coisas se resolvessem, porque, com todo o respeito que tenho pelos comerciantes portugueses e pela Associação de Comerciantes, nunca pensei que o problema estivesse ali. Pensei que o problema estava em construir uma avenida mais larga, em fazer mais uns túneis. Tem de haver aqui uma dose de compreensão e não pode haver vencidos.”

Ainda antes de se terem precipitado os acontecimentos que levaram à suspensão das obras nas Antas, o Presidente da República, Jorge Sampaio, mostrou-se desgostoso face às declarações de Johansson.

"Portugal é um país soberano, que tem, com certeza, um compromisso com a UEFA, mas a UEFA tem também um compromisso para com Portugal. Portanto, nestas coisas não pode haver ligeireza, e eu quero ficar-me só por isto. Temos um compromisso com a UEFA que, com certeza, cumpriremos, mas a UEFA também tem um compromisso sério para com Portugal, que certamente não vai deixar de cumprir", afirmou ainda Sampaio.

Paulo Rabaça, vereador do Desporto da Câmara Municipal de Leiria e membro da Associação Portuguesa de Estádios, faz votos para que o Euro-2004 não seja politizado mas admite que as questões políticas poderão estar a provocar toda esta agitação que se tem vivido.

“Todos os portugueses, de uma forma geral, têm de se preocupar, porque o Euro-2004 não pode ser um instrumento que conduza à notoriedade de algumas pessoas. Penso que, do ponto de vista teórico, tudo passa por uma questão política. Mas a UEFA também sabe que estas organizações encerram sempre situações polémicas. Temos é de evitar que o Euro-2004 seja politizado.”

Hermínio Loureiro, deputado do PSD e figura de proa da Comissão de Acompanhamento do Euro-2004, também está um pouco agastado com toda a situação que tem envolvido a construção do novo Estádio das Antas.

“Este é um assunto demasiado grave e, aliás, já sugeri a todas as partes envolvidas para se sentarem à mesa, porque o que está aqui em causa é a imagem e o prestígio nacional. Essa é uma questão que tem de ser resolvida de forma definitiva. O senhor ministro (José Lello) tinha aqui uma boa oportunidade para resolver este problema. Porque, quando existem, os problemas têm de ser resolvidos.”

Diogo Gaspar Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de Estádios, também revela alguma insatisfação face aos últimos acontecimentos que colocam em causa o prestígio do País.

“Há que cair, como dizem os brasileiros, na real. Há dois anos era um grande evento e não é agora que podemos estar a correr riscos. Os pequenos problemas têm de ser resolvidos, não há outra opção, até porque tudo tem solução. Não podem ser meras alterações políticas a pôr em risco, nesta altura do campeonato, a organização do Euro-2004. Temos de ser razoáveis, de ceder onde for necessário, e de limpar, de uma vez por todas, esta má imagem a nível interno e externo.”

Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de FC Porto

Notícias

Notícias Mais Vistas