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Alverca-Marítimo, 0-0: Para começo de temporada um bom petisco... sem sal

ALVERCA E MARÍTIMO INICIAM O ENCONTRO EM «ALTA VOLTAGEM», MAS ACABAM A DEFENDER O NULO

Na primeira parte, tanto ribatejanos como ilhéus mostraram bom futebol, pecando somente na finalização. Depois, cautelosos, os técnicos preferiram segurar o empate
Alverca-Marítimo, 0-0: Para começo de temporada um bom petisco... sem sal
À primeira vista, um jogo de futebol sem golos não costuma ser um espectáculo de qualidade. Aliás, há mesmo quem defenda que se trata de um "prato" confeccionado sem sal.

Domingo, porém, Alverca e Marítimo - apesar da ausência do tal "condimento" - conseguiram, durante a primeira parte, elaborar um bom petisco, daqueles que chegam a deixar água na boca...

Com efeito, os instantes iniciais do embate foram muito bons, com as duas equipas a revelarem força, técnica e entrosamento. Até parecia que a época já ia avançada. Para completar o ramalhete só faltaram os golos. Contudo, no momento da finalização, a direcção dos remates nunca foi a desejada. Umas vezes por manifesta falta de sorte (Rui Borges, de cabeça, atirou à trave à passagem do minuto 9 e na resposta foi a vez de Sumudica acertar no poste da baliza à guarda de Nélson), a maioria por mera ineficácia dos atacantes (Anderson, principalmente, e Caju desperdiçaram várias ocasiões).

Apesar de jogar em casa e de, tal como lhe competia, exercer maior pressão a meio-campo, a formação orientada por Jesualdo Ferreira nunca conseguiu assenhorar-se, em definitivo, do controlo das operações. O equilíbrio foi, de facto, nota dominante ao longo dos 90 minutos, pois, se é verdade que foram os ribatejanos que mais tempo tiveram a bola em seu poder, convém realçar que os visitantes facilitaram, assiduamente, essa tarefa.

Nelo Vingada, ao entregar, voluntariamente, a acção aos adversários, pretendia tirar vantagem no contra-ataque. A estratégia era compreensível, tendo em conta a habitual predisposição de Bakero (que ultrapassou vezes sem conta José António) e Sumudica para esse tipo de jogo...

Rui Borges, o mais pequeno jogador dos locais - mas também o mais tecnicista e inconformado -, tratava de empurrar o Alverca para a frente, mas as suas assistências para os companheiros adiantados nunca foram devidamente correspondidas. E, se isso era suficiente para afectar o rendimento do conjunto, a pouca colaboração dos outros médios (Milinkovic, Ramires e Pedro Martins) também não ajudava.

Entre os madeirenses, Iliev era o "pivot" da movimentação ofensiva, passando pelos seus pés os contra-ataques (invariavelmente estruturados a pensar na velocidade de Bakero e Sumudica) e as ofensivas planeadas (o argentino Lagorio era o homem mais adiantado e a primeira opção para finalizar as jogadas).

Até ao intervalo, as oportunidades de golo dividiram-se e, se o empate era, sem discussão, o resultado mais condizente com o desempenho dos atletas, o "placard" teimava em não sair do nulo. Um golo (ou mesmo dois) para cada lado seria um resultado mais certo.

PÁSSARO NA MÃO

O primeiro quarto de hora da segunda metade, embora com as duas equipa a diminuírem a velocidade de execução, continuou a ser agradável. As hipóteses de golo ainda existiam, maioritariamente para o Alverca, mas aqui e ali também para os ilhéus, que, apesar de mais resguardados, mostraram um futebol coeso, devidamente pensado.

Aos 68 minutos, Jesualdo Ferreira retira Milinkovic (médio-ofensivo) e faz entrar Marco Freitas (centro-campista de características defensivas). Embora fosse evidente o desgaste do jugoslavo, a alteração denotava, claramente, a opção do técnico local: segurar o empate. Como diz o povo, "é melhor um pássaro na mão que... três a voar".

Nelo Vingada "leu" a substituição contrária e, quase de imediato, aceitou a proposta, optando também por gerir a conquista de um ponto, em detrimento de tentar a vitória. Desta forma, os últimos momentos do duelo em nada foram parecidos com os primeiros. O futebol exibido passou a ser confuso, desconexo e maçador, próprio de quem só já pensa em não perder. Ainda assim, para começo de época, foi um bom petisco a que só faltou... o sal!

Martins dos Santos, pese alguns deslizes sem importância no desfecho, realizou um trabalho aceitável e - felizmente - nem precisou de recorrer à excessiva amostragem de cartões.
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