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Benfica-Marítimo, 1-1: Benfica sem, Marítimo com

CRÓNICA

DROGAS.sem; Desporto.com: o lema que a Liga escolheu para assinalar a 17ª jornada pode, muito bem, aplicar-se ao jogo de ontem, trocando os sujeitos da campanha. Ler-se Benfica sem; Marítimo com, significa desde logo que aos da Luz faltou qualquer coisa. E de facto, faltou: paciência, arte e finalizadores. Os insulares, por seu lado, tiveram algo: muita paciência, arte para adormecer o adversário; equipa muito solidária em termos defensivos. O resultado directo da soma dos defeitos e virtudes foi o empate, que acaba por penalizar a falta de soluções do Benfica, e premiar a capacidade defensiva do Marítimo.

O Benfica, agora de Jesualdo Ferreira, fez uma exibição agradável no primeiro tempo. Sem deslumbrar; sem criar grandes chances de golo; mas de muita entrega, garra e vontade de dar a volta a um texto que esá a ficar muito negro. Mas na segunda parte, essas virtudes desapareceram, ficando em campo apenas os defeitos: poupa paciência na passagem para o ataque; pouca circulação de bola; nenhuma arte para criar espaço para as finalizações.

O Marítimo, que nem respirou nos primeiros cinco minutos, encontrou a solução para trocar as voltas ao adversário no laboratório que Nelo Vingada e Bruno fazem questão de manter bem operacional: um livre que levou a bola de Bruno para Jorge Soares e do calcanhar desde para o pé direito de Gaúcho. Só que esta vantagem fez mal à equipa, já que se em termos teóricos, de pedras em campo (4x1x4x1), dava a ideia de poder “mandar” no meio-campo e surgir frequentemente no ataque, já na prática tudo isto foi desmentido. Primeiro porque Fernando Aguiar e Rui Baião controlaram de forma muito eficiente o miolo; depois porque Andrade e Jorge Ribeiro não perderam lances para Kenedy e Danny, neste período.

Enquanto “houve” Rui Baião e inteligência de Simão, o Benfica esteve sempre em cima do adversário. Só que à muita posse de bola no meio-campo de ataque não correspondia a capacidade de finalização. Quer dizer, muita posse de bola, mas remates quase esporádicos. Era assim, até, que o Marítimo pretendia levar (e levou) o jogo. Cabia, pois, ao Benfica, virar as coisas. Que pareciam ir no bom caminho quando Mantorras “roubou” o golo a Rui Baião. Feito o empate (25), e com muito tempo pela frente, esperava-se algo mais.

Ao abdicar de ter a bola nos pés, mas controlando, mesmo assim, o jogo, o Marítimo expôs-se, se calhar, demasiado. Porque revelou alguma falta de ambição. Mas a verdade é que o tempo veio provar que a ideia estava correcta. E quando a dupla Kenedy/Gaúcho falhou um golo de forma incrível (70), percebeu-se que a “aranha” havia tecido a teia com muita paciência e que tinha capacidade para “aniquilar” a presa. Jesualdo, que já havia abdicado de Rui Baião, fez entrar Andersson, voltou a ter o miolo na mão e os insulares passaram a preocupar-se apenas com a inviolabilidade da própria baliza. De tal forma que Bruno, no último quarto de hora, deixou de subir para bater os cantos (dois).

Passado o pior momento (entre o minuto 60 e 75), o Benfica, liderado por Fernando Aguiar, tentou um assalto final, mas o mais que conseguiu foi ver Carlitos falhar o golo na cara de Nélson (77), para desespero dos adeptos. Que mais nervosos ficaram quando viram Kenedy (já só atacava ele e Gaúcho, até ser substituido) atirar, em balão, à barra (88).

Depois de uma primeira parte de garra, o Benfica mostrou demasiadas incapacidades e resignação. Também foi penalizado por isso. Mas não se pode exigir muito mais a uma equipa que, para tentar virar o jogo, vai ao banco buscar Carlitos, Pepa e Andersson. Era o que havia.

O árbitro PAULO BAPTISTA não podia errar. Ambos os lados estavam em cima dele. Pelo resultado do trabalho, pode dizer-se que viveu bem com a pressão que lhe colocaram. Disciplinarmente, esteve muito bem e não teve de julgar nenhum lance polémico.
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