Record

Boavista-Marítimo, 0-1: Perder a cabeça sem ganhar tino

CRÓNICA

"O Boavista não aproveitou a cabina para dar a volta ao texto. Passou do excessivo à-vontade  para um  estado de ansiedade incompreensível para quem tinha tanto tempo pela frente, facilitando a  tarefa a um Marítimo que teve de ser apenas coeso e inteligente para ganhar o jogo"
Boavista-Marítimo, 0-1: Perder a cabeça sem ganhar tino • Foto: Paulo César
NÃO ganhar tranquilidade e tino, desperdiçar a oportunidade do entusiasmo e acabar por perder a cabeça, eis o percurso boavisteiro na derrota de ontem, frente ao Marítimo. Um desaire consentido na medida em que pode ser explicado, quase em exclusivo, pelas suas próprias insuficiências, mas ao qual devemos acrescentar o mérito de equipa que chegou ao Bessa bem arrumada tacticamente e com a lição estudada em função da qualidade e estilo do adversário. Os madeirenses tiveram a felicidade de marcar um golo que destruiu total e prematuramente a capacidade de raciocínio da equipa de Jaime Pacheco, levando-a atacar sem nexo, sempre com os nervos à flor da pele.

Foi um Boavista pouco emotivo, estranhamente apático, dando pouca importância às derrotas de FC Porto e Benfica, aquele que entrou em campo, no Bessa, para defrontar um adversário tranquilo, bem estruturado, cuja arma principal esteve na forma como valorizou o espaço: sempre bem ocupado; descoberto em permanência para as acções de contra-ataque; diminuído ao antagonista a partir do instante em que perdia a bola e passava a ter necessidade de fechar os caminhos de acesso à sua baliza.

A primeira parte falhada pelos campeões nacionais foi ditada pela falta de dinâmica do seu jogo, pela convicção mais ou menos implícita de que chegar ao golo seria questão de tempo, de inspiração ou de distracção, enfim, que acabariam por impor a superioridade com mais ou menos mérito, com mais ou menos dificuldade. O problema é que o embate a meio campo esteve sempre equilibrado e no choque entre os atacantes boavisteiros e os defensores madeirenses, estes tiveram sempre vantagem. A juntar a essa percepção, traduzida, aliás, nas poucas oportunidades de golo criadas por Silva e companhia, o contra-ataque do Marítimo, mesmo sem ser activado muitas vezes, dava sinais claros de que podia chegar, pelo menos uma vez, a bom termo, fruto do talento escondido no corpo frágil de Danny, da velocidade de Alan e da inteligente movimentação de André.

A perder ao intervalo, o Boavista não aproveitou a cabina para dar a volta ao texto. Passou do excessivo à-vontade do primeiro tempo para o nervosismo exacerbado, para um estado de ansiedade incompreensível para quem tinha tanto tempo de jogo pela frente de modo a fazer prevalecer a lei do mais forte. A equipa não foi capaz de encontrar um meio termo entre a calma e o desvario de atacar sem critério, perdendo a cabeça sem ganhar tino; entendendo como definitivo o que podia ter sido passageiro e acabando por facilitar a vida a um Marítimo que, a partir de certa altura, teve apenas de ser coeso, inteligente e usufruir da intranquilidade alheia.

Prova de tudo aquilo que acabamos de dizer, a expulsão de Silva, quando ainda faltava meia hora para o fim do jogo. Um segundo amarelo por palavras, que juntou a outro por entrada a rondar a violência sobre Danny, ainda no primeiro tempo. Ou seja, os campeões foram obrigados a encarar a recta final do encontro em desvantagem numérica e perdidos emocionalmente. Atacaram, é certo, mas não levaram perigo à baliza de Nélson na proporção adequada. O guarda-redes madeirense fez meia dúzia de defesas interessantes e viu o ferro devolver remates de Duda e Márcio Santos.

BRUNO PAIXÃO foi muito contestado pelos boavisteiros, que acabaram a falar em casos de polícia. No golo não descortinámos qualquer falta e na reclamada mão de um defesa insular na área, o remate foi feito muito em cima dele, pelo que não parece ter havido infracção. Mesmo admitindo que a televisão venha a mostrar o contrário, merece o benefício da dúvida. E, por isso, nota positiva.
1
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Marítimo

Notícias

Notícias Mais Vistas

M