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Marítimo-Benfica, 1-1: Uma lança mais ousada com pontas inofensivas

ÁGUIAS CEDEM LIDERANÇA DA SUPERLIGA AO EMPATAR NA MADEIRA

Na noite em que perdeu a liderança da SuperLiga, o Benfica rubricou no Funchal uma actuação de risco, na qual nem sempre as intenções corresponderam à produção efectiva ou a vontade de atacar foi acompanhada pelos mecanismos de segurança colectiva exigidos. Mérito de um Marítimo muito bem organizado, com domínio de todos os passos do jogo e no interior do qual toda a gente sabe perfeitamente o que e como fazer.

Na sequência de uma primeira parte intensa, espectacular, emocionante, com o perigo a rondar as duas balizas, o jogo perdeu ritmo, velocidade e a magia das coisas bem feitas. Manteve a quase totalidade dos pressupostos técnicos e tácticos mas tornou-se monótono e arrastado. Ninguém se atreveu a desistir, mas como o tempo acentuou o cansaço, as tentativas de ganhar o jogo tornaram-se mais esporádicas e menos convictas.

No limite

Para os encarnados, jogar com dois pontas-de-lança com características semelhantes foi o mote que condicionou a estratégia. O balanço não foi definitivo a afastar futuras insistências, mas também não foi animador. Para se manter na corrida pelo jogo, equilibrando as operações e, em situações pontuais, exercer até superioridade, o Benfica teve de jogar no limite da concentração, com apurado espírito solidário entre todos os seus jogadores e total disponibilidade física. Só assim compensou os desequilíbrios provocados pela opção de jogar com mais presença na frente, algo que o Marítimo aproveitou sempre que pôde. A equipa de Trapattoni nunca deu parte de fraca mas, na sua estrutura global, não se sentiu confortável com dois homens no eixo do ataque.

Fulgurante

O Marítimo teve um início fulgurante e depressa revelou qual a solução para compensar a excessiva presença benfiquista na área – marcação mista envolvendo Eusébio na vigilância a Sokota, de modo a libertar Zeca para a luta da intermediária (mesmo que demasiado descaído para a esquerda, na perseguição a Geovanni, depois a João Pereira e depois ainda a Bruno Aguiar). Por outro lado, não teve dúvidas em mostrar que estava disposto a explorar os flancos em acções de rotura com Alan e Manduca, assumindo a introdução de Leo Lima na zona central, por antagonismo face à luta musculada naquela zona, como forma de garantir superioridade técnica em determinadas fases da construção do jogo.

Transições

Num embate de grande intensidade, com o perigo presente na maior parte das acções de aproximação à baliza, as equipas utilizaram armas diferentes: o Benfica assente numa sólida organização em termos defensivos e no ataque organizado com alternativas práticas mas pouco variadas; o Marítimo com boa interpretação de todas as dificuldades criadas pelo antagonista, às quais acrescentou a dinâmica explosiva das transições, que sobressaltaram a estabilidade alheia.

Morno

Digeridos 45' electrizantes, nos quais tudo podia ter acontecido, o jogo arrefeceu. Foi então que os obstáculos ao desenvolvimento do futebol ofensivo dos lisboetas se tornaram mais visíveis; foi então que os madeirenses explanaram mais tranquilamente as bases do guião aprendido durante a semana, sobretudo pela complexidade dos movimentos com que roubaram espaço ao adversário. O Benfica terminou o jogo mais inconformado e ofensivo. Mas também com menos soluções.

Árbitro

Bruno Paixão (4). Apesar do ambiente hostil que sentiu desde o primeiro minuto, teve o jogo sempre controlado. Nos momentos mais discutidos nas bancadas a sua proximidade dos lances obriga-nos a conceder--lhe o benefício da dúvida. Não se pode dizer que tenha sido uma noite difícil. Mas torná-la fácil foi um mérito indiscutível do juiz setubalense.
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