Paulo Autuori: «Aquele Marítimo estava à frente do seu tempo»

Antigo técnico dos madeirenses recorda primeiros apuramentos europeus nos anos 1990

Paulo Autuori foi o convidado de honra do adepto e escritor Vítor Sousa, um apaixonado do Marítimo que tem apresentado um conjunto de entrevistas a personalidades do emblema madeirense, no ciclo denominado "Uma Volta ao Caldeirão". O actual treinador do Botafogo, agora com 63 anos, recordou as duas primeiras qualificações da história do clube para a Taça UEFA, nos anos de ouro de 1990, enaltecendo a filosofia atacante e o bom futebol que já defendia, com uma disposição tática muito atual nos dias que correm.

"Hoje, o futebol exige praticamente que as grandes equipas saiam a jogar desde o seu guarda-redes. Entretanto, as regras mudaram e estes utilizam também mais os pés, mas já naquela altura o Marítimo saía a jogar desde trás. Com trabalho intersetorial e uma grande interação entre os jogadores. Não era circunstancial ou casual, tem a ver com o seu entendimento e a ideia do jogo coletivo. E hoje, quando se fala em jogar ofensivamente, recordo que aquela equipa se propunha a jogar sempre assim. Naquele momento, aquela equipa estava à frente do seu tempo em relação a algumas ideias", salientou o técnico na rubrica publicada na rede social Facebook, onde lembrou os 56 golos que o primeiro Marítimo "europeu" marcou no campeonato, onde foi um dos melhores ataques da prova.

No fundo, o grande trabalho do treinador "é fazer com que os jogadores acreditem nas suas ideias", ressalvou, assinalando a forma como o seu grupo soube interpretá-lo. "Acreditaram nas ideias de jogo e também na pessoa, como homem, dando coerência ao meu discurso". 

O técnico brasileiro nunca se vai esquecer do grupo de trabalho que dirigiu nessas épocas. "Esse grupo está na minha mente, na minha alma e no meu coração. Há vários momentos, ilustrados por fotografias, da comunhão que existia naquela equipa. Tínhamos um ambiente extraordinário, que se traduzia dentro de campo. Estávamos ali a disfrutar e a jogar para os adeptos e queríamos que eles saíssem felizes. Esse ambiente e a atmosfera criada entre jogadores e adeptos no nosso ‘caldeirão’ eram fantásticos. A equipa tinha alegria em jogar futebol. E não é fácil encontrar uma equipa com aquele ambiente no seu interior", frisou, confessando depois: "Temos o objetivo de nos voltarmos a juntar na Madeira, num momento mais oportuno".

 
Velha Senhora tremeu

Na memória de muitos ficou a eliminatória da Taça UEFA contra a poderosa Juventus, em 1994/95, uma equipa que na altura tinha o "Bola de Ouro" Roberto Baggio, além de Paulo Sousa, Vialli ou Ravanelli, este o homem que decidiu os dois jogos. "Na Madeira fizemos uma belíssima exibição e mandámos uma bola à barra pelo Vado, antes do Ravanelli marcar, a passe do Baggio. Não nos esquecemos que o melhor em campo foi o guarda-redes Peruzzi. A nossa equipa não temeu o adversário e na segunda mão teve outra prestação qualificada, que nos deixou orgulhosos", recorda Autuori, notando: "A própria imprensa portuguesa e italiana reconheceu a qualidade, a ousadia e a coragem do Marítimo, que complicou a vida à Juventus".

Nesta conversa com Vítor Sousa, Paulo Autuori mostrou-se ainda favorável à ideia de homenagear o icónico adepto que durante anos apoiou o Marítimo, nos Barreiros, com o seu tradicional guarda-chuva verde e vermelho. Assim ao jeito do que fez o Valencia, no Mestalla, com o adepto Vicente Navarro. "Ele acompanhava as nossas acções defensivas e ofensivas. Era um espectáculo e acho essa uma iniciativa louvável e digna de aplauso. Espero que se torne realidade", finalizou.

Por Gonçalo Vasconcelos
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