Presidente do Marítimo quebra silêncio no julgamento de fraude fiscal: «Fiquei mais leve»

Carlos Pereira e outros quatro dirigentes do clube são arguidos, bem como a SAD maritimista

• Foto: Hélder Santos

O presidente do Marítimo quebrou esta terça-feira o silêncio para "descarregar a consciência" e defender a "honra" na ponta final do julgamento em que é um dos acusados dos crimes de fraude fiscal qualificada e fraude fiscal contra a Segurança Social.

"Fiquei mais leve, descarreguei aquilo que carreguei ao longo deste julgamento. Descarregar a consciência e defender a minha honra", declarou Carlos Pereira, tendo iniciado a sua exposição com um pedido de desculpas aos seus advogados que não queriam que este usasse a palavra.

Neste processo é ainda arguida a SAD do clube 'verde rubro' madeirense e mais quatro dirigentes, sendo o atual presidente o único a quebrar o silêncio desde o início do julgamento a 19 de janeiro deste ano, num caso em que Instituto da Segurança Social é demandante neste processo.

O líder maritimista fez questão de sublinhar que "as coisas eram feitas dentro daquilo que a lei permitia fazer", frisando que "não houve valores por baixo da mesa como foi dito em alguma comunicação social".

De acordo com a acusação, os arguidos estão envolvidos num alegado esquema de pagamento a jogadores e treinadores com recurso a paraísos fiscais, fugindo ao pagamento dos impostos, incluindo contribuições à Segurança Social.

Os factos constantes da acusação reportam-se ao período compreendido entre 2001 e 2005, estando relacionados com pagamentos de direitos de imagem.

Carlos Pereira garantiu que "todo o contrato vinha montado" pelos empresários.

O Ministério Público (MP) pede uma indemnização civil na ordem dos 2,3 milhões de euros.

Nas alegações finais do julgamento no tribunal da Instância Central, no Funchal, o procurador da República, Paulo Oliveira e o advogado da Segurança Social pediram a condenação dos arguidos.

"Arranjaram uma empresa que não estava sediada em Portugal e detinha os contratos de imagem dos jogadores. Pagavam uma parte do salário e a outra parte como se fosse um serviço de efeitos de exploração de direitos de imagem", declarou o procurador.

O responsável dise que este se trata de um "estratagema" para satisfazer as exigências dos jogadores e "amenizar os custos da Marítimo SAD."

Paulo Oliveira assume que "não ficaram dúvidas acerca dos factos consignados e que as provas factuais estão todas elas provadas, "não só o esquema, mas a participação dos arguidos."

"Foi dito pela quase totalidade que aquilo que recebiam era da sua atividade de jogador ou técnico e que desconheciam que tinham cedido os seus direitos de imagem", declarou.

"Inaceitável só querer se considerar que foi o Marítimo [SAD] a levar ao engano os jogadores e técnicos quando eles é que foram os verdadeiros beneficiários", afirmou o advogado de defesa dos cinco arguidos.

Refutando a explicação do procurador, quando afirmou que "jogadores jogam futebol não vendem a imagem", o advogado sublinhou que se trata exatamente do oposto, referindo que os jogadores são ativos e que comprar e adquirir os direitos de imagem "também é negócio".

A decisão do julgamento está agendada para dia 7 de outubro, pelas 14 horas, no Juízo Central Criminal do Funchal (Edifício 2000).

Por Lusa
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