Vasco Seabra: «Não me parece positivo quebrar união e ligação nos festejos dos golos»

Treinador do Moreirense foi um dos convidados na FuteCOM

• Foto: Moreirense

Vasco Seabra foi um dos oradores na FuteCOM, iniciativa que decorreu esta quinta-feira no Estádio Municipal de Leiria, patrocinada pela Liga,e na qual os convidados partilharam estratégias para lidar com os efeitos da Covid-19. O atual treinador do Moreirense começou por recordar os primeiros tempos da pandemia, quando ainda orientava o Mafra. 

"Estava no Mafra quando rebentou o surto do Covid-19, a 2ª Liga acabou por não terminar. No Boavista, o início foi complicado, com jogadores já contratados e nas viagens ficaram infetados, o que atrasou a preparação e a chegada ao clube. Durante a época, 48 horas antes de cada jogo, éramos testados. No jogo de Faro, tivemos dois jogadores ausentes, depois tivemos mais 7 ou 8 casos, incluindo eu. Isto dificulta todos os ciclos de um plantel, há jogadores que estão e deixam de estar presentes, os ciclos de forma estão do avesso", afirmou o jovem treinador. 

"No Moreirense, já tinha havido um surto no clube muito grande. O clube teve de parar, neste momento tenho muitos jogadores na fase dos três meses de imunidade em que, esperamos nós, não voltar a ter infeções. São situações muito difíceis. Só quando acontece um caso positivo é que traz intranquilidade no grupo de trabalho", assinalou.

"No início foi bastante complicado, senti isso. Tudo podia acontecer, o que podíamos fazer era estar um pouco mais distantes a nível físico. Procuramos não estar tão fechados, menos conversas no balneário e mais no relvado. O dia a dia no treino acaba por ser muito idêntico. Continuamos a fazer as conversas com os jogadores, claro, com todos os cuidados. A um jogador positivo tentamos que mantenha a atividade. É colocada uma bicicleta em casa, para poder cumprir exercícios próximos daquilo que estão habituados, entre alta e baixa intensidade. No início tivemos atletas muito tempo em casa, o que do ponto de vista emocional foi muito complicado, muitos deles em quartos de hotel fechados, sem janelas", referiu ainda Vasco Seabra. 

O técnico garante que fora das quatro linhas são tidos todos os cuidados, mas que durante o jogo os atleta pensam apenas na parte desportiva. "O jogador de futebol é muito especial, é um ser muito competitivo. Antes do apito inicial, quer ganhar, quer disputar cada lance com vontade de vencer, o que superioriza a qualquer outra questão. Os jogadores respeitam os distanciamentos, há sempre muitos cuidados que os jogadores têm respeitado, mas no relvado, em competição, que é um momento muito pouco propício a contágios, não param. Nos festejos dos golos, por exemplo, há união e ligação, não me parece que quebrar isso seja positivo. Sinto que os jogadores em competição isso nem lhes passa pela cabeça mas quando saem de jogo colocam a máscara, desinfetam-se. O momento de competição é especial. Quando vêm do aquecimento, já nada mais lhes passa pela cabeça", assume Vasco Seabra, que diz também ser agora mais contido nas indicações que dá durante o jogo. 

"Tem sido difícil conter as palavras no relvado. Agora sem público, ouve-se tudo. Tento não ser tão mau quanto poderia ser. Até nas indicações que damos aos nossos jogadores, é mais difícil porque pode ser ouvido pelo adversário e torna-se mais fácil contrariar as mudanças", concluiu.

Por Francisco Laranjeira
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