Pepa: «Não fui responsável na minha carreira de futebolista»

Técnico lembra vários episódios da carreira enquanto jogador

• Foto: Carlos Gonçalves

Pepa foi o orador convidado para encerrar o primeiro dia do Porto Summit 2019, que está a decorrer em Espinho. O treinador do Paços de Ferreira, que fez questão de se apresentar com todos os elementos da sua equipa técnica, começou por explicar que o pequeno hiato de tempo em que esteve sem clube, depois da saída do Tondela, apenas se deveu porque as propostas que recebeu não contemplavam os restantes elementos. "Houve várias propostas para ir sozinho, mas não o fiz porque tenho uma equipa técnica. Trabalhamos muito, choramos muito, temos muitas azias, mas também muitas alegrias. Por isso utilizo a palavra ‘nós’", referiu o técnico, que se diz ser um apaixonado pelo trabalho. "Estamos há quatro dias em Paços, vejo aquelas condições de trabalho, chegamos às 8 da manhã e saímos às 10 da noite e perguntamos por que o dia não tem 30 e tal horas para trabalhar cada vez mais".

O técnico dos castores deixou ainda um testemunho da sua curta carreira de futebolista, marcada por fatalidades… "Quando cheguei ao Benfica marquei o primeiro golo na equipa de juniores e foi muito falado. Estás a ganhar mil e tal contos com 17 anos e ver a minha mãe a perguntar se estava tudo bem e eu responder que sim, mas não tinha dinheiro, demonstra que não fui responsável", lembrou, admitindo ter sido mau profissional. "O Benfica castigou-me porque estava a perder-me na noite e a solução foi emprestarem-me ao Lierse. Mas continuei na má vida, era pouco profissional porque continuava a sair à noite e às vezes ia direto para o treino. Quando voltei da Bélgica, tinha duas filhas, e, por influência do empresário, rescindi com o Benfica para jogar no Varzim, porque havia a promessa que, se corresse bem, iria para o Porto, onde estava o José Mourinho". Foi aí que começaram os problemas de saúde… "Quando quis mudar, o corpo não deixou… Tive pubalgia, que na altura era muito complicada de tratar. Eram seis meses e a carreira ficava em risco. Depois fui para o Paços, onde tive um tumor no pé. Foi lá que chorei com a minha mulher, quando me deram a notícia. O José Mota estava com o médico e chamaram-me. Tinha 23 anos, duas filhas e caiu-me aquela notícia. Felizmente era um tumor benigno". A carreira de futebolista acabou aos 26 anos no Olhanense. "Rebentei o joelho todo. Fui operado cinco vezes".

A possibilidade entrar em depressão e entrar por caminhos desviantes tornou-se numa forte possibilidade, mas Pepa optou pelo caminho assertivo. "Não tinha o 12.º ano e fui estudar. Não tive tempo para depressão, tive frigorifico vazio, é verdade, deixei de pagar a prestação da casa, mas comida para as filhas nunca faltou".

Como treinador, Pepa lembrou os clubes por onde passou e a chegada ao Benfica foi "a melhor coisa que eu fiz, porque apanhei gente da formação muito competente. Mas mais incrível foram as informações que me deram. Cheguei a estar três semanas dentro do centro de estágio… Eu era o ‘Zé faz tudo’. Ficava a dormir no centro de estágio a tomar conta deles".

Por José Santos
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