André Dias: «Isolamento é a única forma de prevenção»

Diretor clínico vila-condense abordou toda a problemática da pandemia em conversa com a Liga Portugal

• Foto: LigaPortugal

A ideia de o futebol profissional ser uma ferramenta útil na ajuda ao combate ao Covid-19 também passa por dar expressão a cada um dos elementos que dá corpo ao organismo e foi essa a razão pela qual a Liga Portugal convidou André Dias, director clínico do Rio Ave, para uma conversa onde o responsável do conjunto de Vila do Conde abordou o tema da pandemia a toda a envergadura.

Testemunho na primeira pessoa que transcrevemos de seguida sobre quais são os principais desafios e inúmeras preocupações de todos os clubes e jogadores sem descurar perspectiva social, bem como o inevitável conselho de resguardo como a medida mais eficaz para ajudar a colocar um ponto final no problema.

Conversa de André Dias com a Liga Portugal

Como estão a acompanhar clinicamente esta situação?

Neste momento, felizmente, não temos casos confirmados, nem suspeita, deste novo vírus, por isso a nossa grande preocupação é o risco de contágio. Nós temos os atletas e os elementos do staff nas suas casas, a fazer o isolamento profilático, para não contactarem com pessoas potencialmente infetadas, ou contactarem o menos possível, porque sabemos que o isolamento a 100% não é possível, porque é sempre preciso comer e fazer outras atividades. Felizmente, não tendo casos confirmados ou suspeitos, a nossa atitude clínica neste momento é de prevenção e de tentar que os atletas e o staff se mantenham em segurança.

E como tem decorrido a preparação física dos atletas neste contexto atípico?

Foram recomendados aos atletas alguns exercícios, daquilo que é possível ser feito em casa, mas nada de muito elaborado nesta fase, até porque estamos todos na expectativa de saber qual será a duração deste problema, que certamente não será muito curta.

Como é que acredita que se irá desenrolar esta pandemia?

Pelo que vemos nos outros países, sabemos que, em termos epidemiológicos, neste momento estamos duas ou três semanas atrás de países como a Espanha. E a evolução deles assusta-me, porque existe um número crescente de casos e nós, que estamos duas ou três semanas atrás, podemos antecipar desenvolvimentos semelhantes das infeções se não houver uma intervenção que faça mudar o nosso caminho. Neste momento, o que me parece é que face à boa resposta que temos recebido da população, que se tem mantido mais resguardada, podemos eventualmente ter hipótese de reduzir o número de novos contágios ao longo dos próximos tempos. No entanto, é certo que nós só notamos o efeito das novas medidas ao fim de, pelo menos, uma semana, quando implementamos uma medida nova só ao fim uma semana é que conseguimos perceber se ela funcionou ou não, e portanto é expectável que nos próximos dias a situação se continue a agravar.

Esse atraso em relação a outros países pode ser uma vantagem, por permitir antecipar algumas questões?

Assim haja capacidade das instituições que nos governam de perceber os erros dos outros e tentar corrigi-los, poderá ser uma arma muito valiosa. Se tomarmos em conta instituições no nosso país, como a Liga Portugal, que foi pioneira em atitudes para mitigar a propagação deste vírus, e todas as entidades seguirem o mesmo caminho de atitudes difíceis, mas que podem ser uma enorme mais valia no futuro. Penso que temos armas para não seguir o mesmo trajeto que seguiram em outros países.

Fazendo um paralelismo, através do seu comportamento, a população portuguesa pode ser um jogador-chave neste confronto?

Neste momento, em onze jogadores a população são dez, porque a única forma de nos prevenirmos é o isolamento social. Se a população se isolar, como nós sabemos que o vírus não consegue viajar grandes distâncias, este não se vai transmitir. Para além de todas as ações que os nossos governantes tenham que tomar para reduzir o contágio e para tratar as pessoas doentes, que infelizmente ao longo dos próximos dias vão continuar a aumentar, sendo possível que venhamos a exceder a capacidade de respostas dos nossos serviços de saúde, a única forma de nós tentarmos que o impacto seja o mínimo possível é reduzir ao máximo o contágio, e isto depende de todos e de cada um de nós.

Por Pedro Malacó
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