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Benfica-Rio Ave, 3-3: Cenário moralizador "virou" pesadelo real

CRÓNICA

O Rio Ave recuperou de duas bolas de desvantagem e a revolução de Brito surtiu efeito. A jogar assim, o Benfica não merecia ser líder...
Benfica-Rio Ave, 3-3: Cenário moralizador 'virou' pesadelo real • Foto: Miguel Barreira
Ponto prévio: quem está em vantagem por duas vezes de modo algo confortável, ou seja, com dois golos à melhor, e acaba por consentir o empate não merece ser líder do campeonato. Talvez seja esta a verdade mais irrefutável do electrizante jogo de ontem à noite, na Luz, onde o Benfica, com um cenário altamente moralizador (a derrota do FC Porto, o empate do Sporting e por aí fora), foi incapaz de se superiorizar ao Rio Ave.

E se as coisas começaram bem! Simão abriu o livro bastante cedo, arrancando um golão, e aos 23' aumentou para 2-0. O mesmo Simão colaborou no terceiro tento, repondo a diferença de dois golos, depois da turma de Vila do Conde ter reduzido de permeio. Nada fazia prever, na circunstância, que os encarnados descarrilassem por completo na segunda parte, período em que o Rio Ave afastou todos os fantasmas e chegou à igualdade.

Um prémio para a coragem de Carlos Brito e para a abnegação de todos os seus jogadores, cuja actuação neste período é digna dos maiores encómios, obrigando, por tabela, a que a plateia da Luz despedisse os homens da casa com uma forte assobiadela.

Ao Benfica faltou um ror de pormenores, dos muitos que a crítica tem feito reparo e que os seus adeptos também reconhecem. Não há um organizador, não há poder de velocidade (Miguel voltou à actividade mas revelou cuidados a mais e pouco participou nos lances ofensivos), não há patrão na defesa e não há um matador. Simão disfarça o mais que pode, mas ontem não teve companhia: Karadas não existiu, Geovanni andou escondido e até Manuel Fernandes ou Petit, quiçá perdidos naquele turbilhão de tantos passes errados e bolas mal recebidas, foram na má onda.

Revolução

Com Mozer à frente dos centrais mas a funcionar na marcação a um dos pontas de lança do Benfica quando a sua equipa defendia, o Rio Ave entrou titubeante e tardou a recompor-se, face à vantagem que precocemente Simão angariou. À meia-hora, porém, já os vila-condenses deixavam a sua marca: tinham mais remates e cantos que o adversário e Franco até reduzira.

A seguir ao 3-1 Carlos Brito trocou de avançado (Gaúcho por Paulo Sérgio) mas foi após o intervalo que revolucionou o onze e o encontro: substituiu Evandro por Gama e abriu a frente de ataque, deixando o 4x1x4x1 para optar pelo clássico 4x3x3. Mozer ficou mesmo como central, Idalécio descaiu para a esquerda, Miguelito avançou e Paulo César passou a ter a companhia de Gama e Jacques nos flancos. No "miolo", a visão e técnica de Ricardo Nascimento parecia susceptível de fazer estragos no campo do "inimigo".

Sinais

Paulo César reduziu para 3-2, num claro sinal de inconformismo, e Trapattoni, já receoso, tirou um avançado (Karadas) e apostou em Bruno Aguiar para segurar as acções a meio-campo. Em vão. Acresce que Simão baixou de rendimento e... cada vez que o Rio Ave atacava era um sufoco junto da baliza de Moreira.

A um quarto de hora do fim foi Luisão que evitou o empate, em novo sinal do perigo vila-condense, mas não obstante tanto aviso o Benfica não chamava a si o comando das operações. Ao invés, tremia a cada lance de bola parada na sua área.

Trap não voltou a mexer na equipa, nem após o golo de Jacques, na sequência de um contra-ataque. O resto? Tiros de pólvora seca. No cômputo geral, o Rio Ave continuou a ter mais remates...

Árbitro

NUNO ALMEIDA (3). O árbitro algarvio foi mal auxiliado no lance do segundo golo do Benfica, uma vez que Simão estava em posição irregular quando bisou. De resto, procurou deixar jogar, em benefício do espectáculo, e admite-se que tenha julgado mal um ou outro despique. Em termos disciplinares cumpriu com o que se exige. Os atletas também não complicaram.

Assobios começam na saída de Karadas

Ao intervalo, os adeptos do Benfica estavam satisfeitos com o resultado, venciam por 3-1, mas a segunda parte estragou-lhes a noite.

Na substituição de Karadas ecoou a primeira grande assobiadela e o golo do empate valeu aos encarnados mais uma grande vaia. Ao minuto 89 já muitos saíam do estádio, sem fé para os descontos.
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