Luís Gustavo: «Voltei a sentir a alegria de jogar futebol»

Entrevista exclusiva com o médio que passou pelo Barcelona e pelo Rio Ave

RECORD - Depois do Barcelona B, é um desprestígio ter de voltar a uma equipa secundária aos 23 anos?

LUÍS GUSTAVO – Desprestígio não! Eu penso que é uma nova oportunidade de crescer e voltar a demonstrar o meu valor. Claro que qualquer jogador sonha em jogar na primeira divisão, mas eu encaro esta etapa como uma maneira de continuar a aprender. Tantos jogadores que vieram de muito baixo e hoje estão ao mais alto nível no futebol.

R - E ir para o Celta Vigo, mesmo para a equipa B, acaba por ter aspetos positivos?

LG – Sem dúvida. Dá-me muitas coisas boas, principalmente a alegria de jogar futebol, algo que não existia há algum tempo.

R - Saiu magoado com o Rio Ave? Houve o episódio de o clube não o ter informado que não estava inscrito...

LG – Acho que o Rio Ave não agiu da melhor forma comigo nesse aspeto. Um jogador pode ou não jogar, contar ou não contar para um treinador porque isso é normal no futebol, mas a forma como me trataram não foi correta e fiquei chateado. Chateado e decepcionado porque o clube podia ter-me avisado no início do campeonato...

R – Como é que um jogador se motiva sabendo que nunca vai jogar?

LG – Não vou mentir e dizer que todos os dias dava o melhor. Tive dias em que estava motivado e pensava em mim e no meu bem-estar, outros dias foram mais difíceis em que sabia que, por mais que fizesse, não iria jogar.

R – E o que lhe ia pela cabeça nesses dias maus?

LG – Houve alturas em que pensei desistir do futebol, voltar para o Brasil e tentar outra coisa. Porque não era só eu que sofria, os meus pais também estavam mal com toda a situação. Toda a minha família, pais e irmã, e também a minha namorada foram um grande apoio e conseguiram manter-me de pé. Sem eles teria sido complicado.

R - Nunca foi titular indiscutível no Rio Ave, quer com Nuno Espírito Santo, quer com Pedro Martins. Como explica isto?

LG – Boa pergunta, que devia ser feita aos responsáveis do clube. No meu caso foi muito estranho, ainda hoje tento encontrar uma resposta. Era internacional sub-21 português, jogava a titular na seleção e no clube não tinha espaço.

R - A relação com os treinadores foi boa?

LG – Talvez com o Nuno Espírito Santo tenha sido melhor, mas foi boa com os dois.

R - E também teve culpa?

LG – Não retiro responsabilidades minhas, houve momentos que podia ter dado mais de mim, com certeza. Mas cheguei a ponto em que pensava: por muito que faça não vai servir de nada porque não vou ter oportunidades. Quando as tive acho que as aproveitei mas depois, no jogo seguinte, nem convocado era... Acho que nem roubando o futebol do Messi por uns tempos teria oportunidade de jogar (risos). Agora a sério, acho que ninguém pode apontar o dedo e reclamar do meu profissionalismo. Apesar de tudo o que fizeram, nunca deixei de ser profissional.

R - Consegue guardar algo bom da etapa no Rio Ave?

LG – Amigos, bons companheiros. Tive a sorte de estar com um grupo muito bom, com grandes pessoas. E a verdade é que esta fase má fez-me crescer como pessoa e ser mais forte. É importante olhar para o lado positivo dentro de uma situação muito má.

R - O contrato até 2020 com o Celta de Vigo é um sinal de confiança?

LG – Desde o início que o clube demonstrou muita confiança em mim. Espero retribuir e chegar à equipa principal. Pelo menos já treinei com eles e vou fazer a pré-época com a primeira equipa.

R - Agora a ideia deve ser recuperar o tempo perdido, certo?

LG – Sim, mas quero ir dia a dia. Não faço objetivos a longo prazo, mas o mais importante é que recuperei a vontade de jogar, a paixão de levantar-me todos os dias para treinar e aquele frio na barriga antes de um jogo. Quero ser feliz a jogar futebol, o que sempre amei fazer.

Orgulho e saudades de representar Portugal

R - A irregularidade no clube refletiu-se na seleção: deixou de vestir a camisola de Portugal nos sub-21, em 2014. As saudades devem ser muitas....

LG – São muitas mesmo. Representar a Seleção Nacional é um orgulho muito grande e eu fi-lo em 9 jogos, dos sub-16 aos sub-21. Estar entre os melhores de um país inteiro é muito emocionante e só quem teve essa oportunidade sabe do que estou a falar.

R - É filho de brasileiros mas nasceu em Portugal. Alguma vez se arrependeu de ter escolhido a seleção portuguesa?

LG – Nunca! Nasci em Portugal, quando o meu pai jogava no país (ndr: Santos representou o Sp.Braga e o D. Chaves, entre outros, na década de 80 e 90). Além disso, um dos meus grandes ídolos, Deco, também representou a seleção portuguesa. Por tudo isto, quando surgiu a oportunidade não tive qualquer dúvida.

Por David Novo
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