O construtor de sonhos da equipa de Miguel Cardoso

César Gomes é o treinador de guarda-redes que elevou o nível de Cássio

César Gomes, de 42 anos, é o treinador de guarda-redes do Rio Ave.
• Foto: MOVENOTICIAS

Aos 37 anos, Cássio viveu um ano de sucesso na baliza do Rio Ave. A equipa de Vila do Conde terminou em 5.º lugar da 1.ª Liga e convenceu tudo e todos pela forma como aplicou "a proposta de jogo" de Miguel Cardoso.

"A nossa experiência no Rio Ave foi fantástica com o Cássio, o Rui Vieira, com o Carlos e depois o Mararidze. Jogadores com perfis distintos e que ao longo do ano fizeram uma transformação muito grande. Não me esqueço do início de época do Cássio estar em negação, natural. São muitos anos a jogar da mesma forma. Eu fiz-lhe uma pergunta na brincadeira, mas a sério: Quantos anos tens de contrato? Ele respondeu-me: Tenho um. É que eu tenho dois. Por isso vê lá o que queres para ti. Na tua idade não me parece que haja melhor coisa do que chegar um treinador e te diga que vamos fazer diferente e que vais fazer melhor. Queres melhor do que um desafio? Fazer igual, que seca. Prefiro chegar ao final da época e perceber que ele aumentou de um ano para o outro eficácia passe de 68,9 para 77,2. Que ele bateu muito menos bolas longas. Teve muito mais acções fora da baliza, passou 0,9 para 1,4 de média por jogo de cobertura da profundidade. Isto são valores que o aproximaram de um guarda-redes melhor. O Cássio neste momento tem propostas de fora e tem contrato com o Rio Ave se assim o quiser. Isto é o melhor que pode acontecer a um treinador. A minha proposta de valorização funcionou. Essas são as  grandes medalhas de um treinador", frisou Miguel Cardoso durante o 5.º Congresso Internacional de Guarda-redes.

Mas para chegar a estes números e para que Cássio tenha o aumento de produtividade, Miguel Cardoso conta na sua equipa técnica com o tal "construtor de sonhos". César Gomes, de 42 anos, é o treinador de guarda-redes do Rio Ave.

"O Cássio com 35 anos, que foi quando eu comecei a trabalhar com ele, não tinha um contexto de posse de bola. Torna-se mais difícil, mas não impossível. Consegui fazer isso com o Cássio. Como? Com persistência. Quando um atleta com a frustração dos treinos, de um passe mal feito me diz: mister eu não consigo, eu vou desistir. Eu digo sempre que quem desiste nunca é o jogador. Ele só desiste depois de eu desistir. Porque sou eu que estou a gerir o treino e quando eu desistir é porque já não há possibilidade nenhuma. No final agradecem a persistência inicial, claro. O maior exemplo é o Cássio, aos 37 anos, poder ir jogar para fora. Isto é fruto do trabalho dele, não é meu. Eu só ajudei. Sou o construtor de sonhos. Mas não me digam a mim que sonham. Têm de trabalhar muito e eu vou conduzindo para que consigam o sonho", explicou César Gomes a Record.

Evolução do futebol que obrigou os treinadores de guarda-redes a evoluir e modificar o treino. César Gomes explicou ao nosso jornal como recebeu a proposta de jogo de Miguel Cardoso.

"Eu tenho de saber tudo o que ele pensa do modelo de jogo, qual é a ideia dele, tudo mesmo. Não concebo saber só uma parte. Se souber só essa parte vai faltar-me algo. Eu tenho de saber tudo. Em função do que me é transmitido eu vou elaborar aquilo que é a metodologia de treino ideal. Aquilo que faço sempre é: Eu nunca parto do princípio que o meu atleta é incapaz de fazer. Todos conseguem. A proposta é feita, o jogador reage e em função dessa reacção à proposta que é feita eu vou analisar se ele é ou não de o fazer. Depois falo com o treinador principal e digo: é com estes que vamos. Felizmente tenho sido um privilegiado, porque trabalhei com três elementos e mais o Makaridze em janeiro. Todos eles foram fantásticos. Modelo do Miguel? Porque a proposta vai de encontro daquilo que é uma das minhas grandes paixões. A possibilidade de ter uma liberdade enorme sobre as acções do guarda-redes. Não limitar o guarda-redes a uma acção específica. Como sou um apaixonado por esse jogo, quando o Miguel me fez a proposta eu disse: Ok, maravilha. É isto que eu quero.Com este modelo ganha o futebol. Senti os nossos guarda-redes a terem prazer em jogar futebol. Senti um Cássio, com 37 anos, feliz por jogar futebol. E não é muito fácil isto acontecer. O Cássio teve prazer em jogar. O Rui Vieira com prazer em jogar. O Carlos com prazer, liberdade, divertimento. Sempre com compromisso que têm", reiterou.

César Gomes foi um dos prelectores do 5.º Congresso Internacional dos Guarda-redes, onde demonstrou alguns exercícios de como trabalha o jogo de pés e o controlo de espaço.

Por André Ferreira
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Rio Ave

Notícias

Notícias Mais Vistas