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Rio Ave-Benfica, 1-0: Foi um Rio imenso que engoliu a onda

CRÓNICA

O Benfica tinha o jogo na mão e a vitória à mercê. De repente deu-se o "milagre". Só que desta vez não foi de Mantorras...
Rio Ave-Benfica, 1-0: Foi um Rio imenso que engoliu a onda • Foto: Luís Vieira
Impressionante o mar vermelho que inundou Vila do Conde, tornando o estádio dos Arcos uma "mini-Luz" que em muitos momentos foi um autêntico vulcão que ajudou o Benfica a crescer.

Impressionante a capacidade deste Rio Ave que sem se ter reforçado na reabertura do mercado, depois de ver partir dois elementos nucleares (Ricardo Nascimento e Franco) e ter perdido dois titulares para este jogo (Mozer e Danielson) foi capaz de manter a sua estrutura, o seu ânimo e todo o seu talento para conseguir vencer o Benfica.

Impressionante o efeito proporcionado pela arma secreta que Carlos Brito lançou para o jogo e que o virou de pantanas. Numa altura em que o Rio Ave tremia, recuava e perdia pulmão e confiança, Saulo saltou para o relvado e transformou uma iminente derrota numa notável vitória.

A histeria provocada pela entrada de Mantorras e o optimismo que se reforçou naquele momento não chegou para desanimar Saulo que sempre em alta velocidade foi contribuindo para devolver a crença e discernimento aos seus colegas, nunca desistindo de arrastá-los até à área de Quim, mesmo quando eles já estavam no limite das suas forças. Foram premiados por isso.

Tudo a favor

Quase a jogar em "casa" e com o Rio Ave encostado às cordas por força do poder dos argumentos encarnados e do gradual fraquejar de pernas dos vila-condenses, a equipa de Trapattoni chegou a um momento na 2ª parte em que teve tudo a favor para "matar" o jogo.

Até à entrada do último quarto de hora, o Benfica empurrou o Rio Ave para o seu meio-campo e criou situações suficientes (embora tenha feito menos remates na 2ª parte do que na 1ª) para ganhar vantagem no marcador.

A cadência de jogo marcada por Petit, a velocidade de Geovanni, a classe de Simão e o exemplo que Ricardo Rocha deu desde a retaguarda até à área de Mora, lançaram o Benfica para uma pressão crescente que só o acerto da defesa vila-condense e sobretudo as espantosas intervenções de Mora evitaram que se traduzisse em golos.

Sem marcar e a jogar contra o relógio, o Benfica foi arriscando cada vez mais e perdendo sentido posicional nos terrenos mais recuados. Quando Saulo entrou em cena, aqueles que até ali tinham sido os actores principais passaram a desempenhar os papéis de figurantes.

Menos Assis

Com a mesma equipa que venceu o Marítimo, Trapattoni abordou o jogo com o respeito que Carlos Brito tinha reclamado
para a sua equipa. O Rio Ave, aliás, quis impor logo de início esse sentimento ao candidato ao título. Sem medo, jogou em 4x3x3 e entrou a atacar.

O Benfica não demorou a equilibrar o jogo. Sem precipitações e como uma máquina bem afinada, foi avançando no terreno e impondo os seus argumentos. Foi evidente, porém, que ontem lhe faltou um que, de resto, tem sido de peso: Nuno Assis. Pouco explosivo e inspirado, Assis deixou Nuno Gomes mais só e provou que não estava nos seus dias quando aos 55' perdeu uma soberana ocasião de golo.

Até aí, o jogo tinha ficado marcado pelo equilíbrio e por duas grandes oportunidades, uma de Gama e outra de Simão. Depois disso, deu vermelho até... Saulo inventar um golo. A vitória benfiquista estava "programa" no computador de Trapattoni mas o "vírus" que Carlos Brito lançou para o "sistema" destruiu toda a lógica e engoliu a onda vermelha.

Árbitro

ANTÓNIO COSTA (4). Actuação serena e segura num jogo que não teve casos. Tardou a agir no capítulo disciplinar e nesse aspecto Ricardo Rocha foi o mais beneficiado, pois terminou o jogo sem ser "amarelado" como merecia ainda antes do intervalo. Decidiu quase tudo bem e acompanhou o ritmo de jogo sem acusar o desgaste físico de que alguns jogadores se ressentiram.
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