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Um golo de ponta-de-lança mascara falta de psicanalista do Benfica

NUNO GOMES GARANTIU A VITÓRIA A EQUIPA ENCARNADA DESINSPIRADA

Um golo de ponta-de-lança mascara falta de psicanalista do Benfica
Um golo de ponta-de-lança mascara falta de psicanalista do Benfica

O BENFICA voltou sábado aos golos e às vitórias na I Liga, batendo o Rio Ave por 1-0. Um golo de Nuno Gomes, marcado à ponta-de-lança, com rotação sobre o defesa e remate colocado, pôs fim ao pesadelo de mais de 330 minutos sem fazer um golo e de quase mês e meio sem ganhar. Jupp Heynckes já se queixara da falta de confiança dos seus homens e ela foi visível no jogo de ontem, onde só a timidez do Rio Ave permitiu a vitória de uma equipa desinspirada, nervosa e com muita gente fora do lugar.

Sem Ronaldo e Maniche, Heynckes remodelou o onze. O Benfica surgiu com Machairidis a fazer de Ronaldo e com Bruno Basto em vez de Maniche.

Poborsky ficou de fora e no seu lugar apareceu Chano. Depois, Uribe ocupou a posição de Calado, João Pinto recuou e assumiu as funções de Kandaurov e Tote apareceu a fazer de João Pinto. Com tanta gente trocada, a equipa tardava a encontrar-se, perdia muitos passes, mesmo no seu meio-campo, parecendo que os jogadores se davam mal com estes acessos súbitos de esquizofrenia.

Na generalidade, as experiências não resultaram muito bem. Se o que Heynckes queria com a colocação de João Pinto a meio-campo era ter alguém que viesse buscar o jogo atrás e o levasse até perto da área, as suas expectativas saíram frustradas, pois o capitão benfiquista joga e corre muito com a bola nos pés, tem um futebol que perde vantagens à medida que se afasta da área. Até a colocação de Uribe como médio mais recuado falhou: o chileno lança bem o jogo, mas precisa de alguém que o ajude nas tarefas defensivas. E que enquanto o Benfica teve em Uribe e João Pinto o duo de meio-campo, os contra-ataques do Rio Ave passavam por essa zona sem grande dificuldade. Foi por acaso que o golo surgiu numa altura em que Calado já estava no relvado (e Uribe a médio-esquerdo) e só um minuto depois de João Pinto se juntar a Nuno Gomes na frente. Mas foi sintomático.

O Rio Ave surgiu na Luz com uma face mais defensiva do que é habitual, abdicando de um dos três atacantes em favor de um “trinco” (Sérgio China). Na frente, Artur Jorge partia da direita para auxiliar Hugo Henrique, ele próprio preocupado com a defesa do flanco esquerdo. Este espaço entre os avançados facilitava as incursões dos médios, Fábio, Niquinha e, sobretudo, Alércio, que formavam um carrossel de pequenitos capazes de passar pelos intervalos da chuva, trocando a bola ao primeiro toque e ganhando terreno como uma mancha de humidade num tecto vulnerável. O problema é que começavam a fazê-lo muito de trás e não tinham profundidade para chegar à área de Enke, que só fez uma defesa em todo o jogo.

Aliás, o jogo não foi muito dado a fazer brilhar os guarda-redes. O Benfica começou lento e perro, de forma que só as ganas de Tote e os passes longos de Uribe se destacavam. Um remate à meia volta do espanhol, aos 10 minutos, e uma incursão de João Pinto na direita, dois minutos depois, valeram as primeiras defesas a Tó Luís. Mas, na primeira parte, o guarda-redes vila-condense só voltou a ter de empenhar-se num livre de Chano, já cheirava a intervalo. Pelo meio, ficou apenas mais uma ocasião de perigo, um remate de Tote ao lado, feito após solicitação de João Pinto (19'). Do Rio Ave, nada.

No segundo tempo, a troca de Bruno Basto por Calado, com a ida de Uribe para o lado esquerdo e, possivelmente, os incitamentos de Heynckes mexeram com o Benfica, que começou a ser mais pressionante e a jogar mais perto da área de Tó Luís. Só que as ocasiões de perigo rareavam e o golo apareceu logo no primeiro remate bem dirigido deste segundo tempo. Pouco antes, o Rio Ave provocara sensação: aproveitando a ausência de Tote, que estava fora do relvado a receber assistência, Sandro cabeceou a bola à barra no seguimento de um canto.

A perder, Carlos Brito voltou ao esquema habitual, trocando o fatigado Sérgio China por Gama. Mas a equipa nunca encontrou as rotinas de ataque e, embora tenha empurrado o Benfica para trás, só a um minuto do fim acertou na baliza de Enke: Fábio foi o autor da proeza, mas viu o alemão opor-se ao remate e segurar uma vantagem justa mas sofrida da equipa que mais quis ganhar o jogo.

ANTÓNIO TADEIA

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