A promessa de Raúl Silva: «Se o Braga for campeão vou tatuar o Bom Jesus»

Católico confesso, o defesa brasileiro revela uma invulgar forma de festejar o que por agora ainda é um sonho

• Foto: SC Braga

Raúl Silva fala de uma carreira que começou no Remo, onde teve uma lesão grava logo no primeiro ano, mas que teve uma subida a pulso até chegar ao Sp. Braga, com uma passagem marcante pelo Marítimo.

O início da carreira no Brasil: "Comecei no Remo e no meu primeiro ano tive uma lesão grave. Mesmo depois daquela lesão fui para o Sport Recife da primeira divisão. Eles acreditavam em mim, mas disseram que tinham de me emprestar para ganhar ritmo. Fui para o Paysandu e fiz a minha melhor época no Brasil, que até me permitiu ir para o Figueirense que estava na primeira divisão. Aquele ano no Paysandu foi essencial para a minha carreira".

Jogar na Europa sempre foi uma ambição: "Sempre tive vontade de jogar na Europa. Na altura em que vim para o Marítimo já tinha tudo acertado com o ABC para jogar na Série B do Brasil. Quando soube da oportunidade do Marítimo liguei logo para o diretor do ABC e disse-lhe que não podia desperdiçar a oportunidade de vir para a Europa".

Do que sentiu mais falta do Brasil na Madeira: "Principalmente, senti falta da família. Também senti falta do clima e da comida. O macarrão não é igual ao do Brasil (risos). No entanto, a Madeira também tem coisas maravilhosas: o bolo do caco e a poncha são imperdíveis".

As melhores recordações da ilha: "Guardo as melhores recordações da Madeira e do Marítimo. As pessoas são extraordinárias, o clube era fantástico. Infelizmente, só tenho jeito para o samba, não consegui dançar o bailinho. Tenho amigos que ‘acabavam com a sola do sapato’ e tentavam-me ensinar, mas nunca consegui (risos)".

Empréstimo encaminhou Raúl para o sucesso: "Agradeço ao presidente Carlos Pereira por me ter dado a mão muitas vezes. Aquele empréstimo ao Ceará foi das coisas melhores que me aconteceu. Percebi que me tinha de dedicar mais e que os vários puxões de orelha do presidente do Marítimo eram para me fazer crescer como profissional e como pessoa".

A fase das expulsões no Marítimo: "Infelizmente tive uma época em que fiquei conhecido pelas expulsões. Foi muito complicado limpar essa imagem. Era uma questão de mentalidade, vi sempre o jogo desde pequeno como: ‘ou matas ou morres’. Felizmente já vejo o jogo de outra forma".

A oportunidade de representar o SC Braga: "Lembro-me como fosse hoje, pensei que estavam a brincar comigo. Desde o primeiro ano que joguei em Portugal, achei o SC Braga um clube espetacular. Comentava com os meus amigos que um clube que eu escolhia de olhos fechados era o SC Braga. Tive outras propostas, mas nem quis ouvir, o SC Braga era um desejo meu".

Primeiro ano no SC Braga foi o melhor da carreira: "Só faltou um título àquela equipa. Sabia tudo o que tinha de fazer de olhos fechados. A nossa equipa era só craques, eu até dizia para mim mesmo: ‘o que estou aqui a fazer?’. Ia para os jogos e já sabia que ia ganhar só não sabia quem ia fazer os golos. Graças a essa equipa consegui adaptar-me facilmente ao SC Braga. Acredito que foi o melhor ano da minha carreira".

A brincadeira com os avançados que faziam menos golos: "Na primeira época ainda brinquei com os avançados que tinham de aprender comigo a fazer golos. Eu falava para eles: ‘só fala comigo quem tiver mais golos que eu’ (risos)".

Promessa se o SC Braga for campeão nacional: "Prometi que se o SC Braga for campeão vou tatuar o Bom Jesus no meu corpo. Sou muito católico e, caso aconteça, vou fazer isso para agradecer a Deus e para ficar registado esse momento importante da minha carreira. Sinto que isso vai acontecer mais tarde ou mais cedo".

A alcunha de Sid: "Porque eu sou muito bonito (risos). Foi um apelido que me deram em 2012, de uma das personagens da Idade do Gelo. Nunca entendi, mas acho a personagem muito bonita, é um bichinho muito engraçadinho, muito bonito".

A conquista da Taça da Liga: "Era o que faltava para esta geração de jogadores. Nestes últimos três anos demos muitas alegrias aos adeptos, mas nunca tínhamos ganho nada. Ter conseguido roubar a Taça da Liga aos grandes era tudo o que ambicionávamos. Conseguimos concretizar um dos desejos do presidente para esta temporada, foi um momento especial".

Por António Mendes
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