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A ambição deste Alverca não durou noventa minutos

EMOÇÃO E GOLOS NÃO FALTARAM A UM BELO ESPECTÁCULO DE FUTEBOL

A ambição deste Alverca não durou noventa minutos
A ambição deste Alverca não durou noventa minutos

ALVERCA e Sp. Braga protagonizaram domingo um belo espectáculo de futebol na "rentrée" da I Liga, onde nem sequer faltou emoção e golos. Um jogo rasgadinho, com as duas equipas viradas para o ataque, o Alverca mais que o Sp. Braga, muitas oportunidades de golo para cada lado e a incerteza do resultado a permanecer até ao fim. Para primeiro jogo do Campeonato foi agradável de ver a atitude das duas equipas, preocupadas em jogar um futebol positivo e que agradou aos poucos espectadores que ontem estiveram presentes no complexo desportivo.

O Alverca foi um justo vencedor. Fez uma excelente exibição, sobretudo na primeira parte, urdindo lances de “encher o papo”, a toda a largura do terreno, e chegando com naturalidade à vantagem de três golos. O Sp. Braga, nos últimos quinze minutos, no entanto, teve uma reacção interessante e conseguiu marcar dois golos, chegando mesmo a dar a sensação que podia empatar a partida. Valeu, então, a classe de Ovchinnikov.

Na véspera, José Romão afirmara que a ambição do Alverca é do tamanho do mundo. Depois do jogo de ontem, é caso para dizer que a ambição deste Alverca, que jogou um bom futebol, bonito e eficaz, ainda não dura os noventa minutos. Quanto ao Sp. Braga, que não esconde ambições europeias, mostrou pouco. Os últimos quinze minutos, em que teve uma boa reacção e quase conseguia evitar a derrota, não chegam para sonhar alto.

BOAS (RE)ENTRADAS

O Alverca entrou muito bem no jogo. A jogar em 4x2x1x3, com Milinkovic a municiar uma linha atacante constituída por três unidades móveis, Rui Borges, Anderson e Caju, os ribatejanos marcaram cedo, logo aos seis minutos, por Caju, que bateu em velocidade a defesa bracarense. O Sp. Braga, num 3x3x2x2, com três centrais e ainda Barroso à frente do eixo da defesa, era uma equipa mais cautelosa, mas que não deixava de tentar a sua sorte no ataque, sobretudo através da acção de Silva. Mas Ovchinnikov mostrou por que pode ser considerado uma mais-valia na equipa ribatejana.

Aos 21 minutos, e apesar de a equipa estar a jogar bom futebol, José Romão mexeu na equipa, tirando Nélson Morais e colocando Diogo na lateral esquerda. No minuto seguinte, na cobrança de um livre indirecto, o Alverca chegou ao 2-0, num golo com a marca do Leste. O Sp. Braga reagiu de imediato (24), com Bruno a desferir um remate violento que levou a bola a embater no poste da baliza à guarda de Ovchinnikov.

À passagem da meia hora, Manuel Cajuda decidiu-se, finalmente, em abdicar do sistema de três centrais, tirando Artur Jorge e fazendo entrar Toni. Os bracarenses passavam agora a jogar com uma linha de três dianteiros (Jean Paulista, Toni e Silva). Os lances de perigo, no entanto, não surgiam, com excepção de um cruzamento de Lino para Silva cabecear, mas sem direcção. O Alverca controlava o jogo, fazia circular mais e melhor a bola, e em nome da eficácia (dois remates, dois golos) chegava ao intervalo com uma vantagem confortável.

Na segunda parte a qualidade do espectáculo não foi tão boa, mas valeu sobretudo pela emoção do resultado. O Alverca voltou a entrar bem no jogo, marcando o terceiro tento, aos 52 minutos. Uma bela jogada de futebol, com Rui Borges a ganhar um lance à linha e cruzar de seguida para a entrada do “matador” Caju.

A perder por 0-3, Manuel Cajuda decidiu-se então por duas alterações que, um pouco mais tarde, acabariam por ser determinantes na quase recuperação do conjunto minhoto. As entradas de Pedro Lavoura (sobretudo este) e de Castanheira. O Sp. Braga ficou ainda mais balanceado para o ataque, ao contrário do Alverca, que, com a saída de Jamir e a entrada de Gaspar, passou a jogar com uma linha de cinco defesas, que acabou por ser impotente para impedir os dois golos do Sp. Braga. O Alverca terminou assim o jogo em grande aflição depois de ter respirado tranquilidade e um futebol superior ao adversário.

ARBITRAGEM RAZOÁVEL

A arbitragem de Luís Miranda foi razoável. Tirando alguns pequenos erros de avaliação de foras-de-jogo, e algum exagero disciplinar na parte final do jogo, teve um trabalho sem influência no resultado.

GOLOS

1-0 aos 6 minutos, por CAJU. Recuperação de Jamir no meio-campo e lançamento perfeito do brasileiro a isolar o avançado do Alverca, que, na “cara” de Quim, com serenidade, deu um toque subtil a fazer entrar a bola no ângulo mais distante.

2-0 aos 22 minutos, por MILINKOVIC. Livre indirecto marcado por Kulkov, e o médio bósnio do Alverca desferiu um remate seco que bateu o guarda-redes Quim.

3-0 aos 52 minutos, por CAJU. Grande passe de Veríssimo a abrir na esquerda Rui Borges, que ganhou o lance à linha e cruzou para a pequena área onde surgiu o avançado brasileiro, no sítio certo, a empurrar a bola para dentro da baliza.

3-1 aos 74 minutos, por TONI. Pedro Lavoura ganhou um lance na esquerda e cruzou com “régua e esquadro” para a entrada de cabeça de Toni, sem hipóteses de defesa para Ovchinnikov.

3-2 aos 88 minutos, por ODAIR. Barroso cobrou um livre, descaído para a esquerda. Confusão na pequena área do Alverca, onde, entretanto, surgiu o central brasileiro a rematar com êxito.

GOMES FERREIRA

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