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Benfica-Sp. Braga, 0-0: Trap temia o vento, bastou uma ligeira brisa

CRÓNICA

O Benfica perdeu os primeiros pontos na SuperLiga, mas não pode queixar-se. Fez pouco para chegar à vitória que no último minuto esteve à mercê do Braga
Benfica-Sp. Braga, 0-0: Trap temia o vento, bastou uma ligeira brisa • Foto: Paulo Calado
Trapattoni tinha alertado para a vertigem da liderança. Disse o treinador do Benfica que quanto mais alto se está, mais se sente o frio e o vento.

Não sei se terá sido por isso ou se porque desta vez Simão não teve o golpe de génio capaz de desequilibrar o jogo, mas bastou uma ligeira brisa minhota para desequilibrar o Benfica e fazê-lo perder os primeiros pontos.

Perdeu-se também assim a oportunidade de Trapattoni igualar o melhor arranque do Benfica nos últimos anos. O "título" permanece na posse de... Jesualdo Ferreira.

Partido

Viu-se um Benfica a dois tempos. Na 1ª parte, dominou e teve algumas (poucas) oportunidades de golo; na 2ª, ficou "enfeitiçado" por um Sp. Braga que se transfigurou ao intervalo. Mas o Benfica "partiu-se" também como equipa. Se durante os primeiros 45 minutos, a frescura de Nuno Gomes ainda disfarçou a ausência de um médio criativo que juntasse as pontas, isto é, aproximasse o meio campo aos pontas-de-lança, depois do intervalo a equipa ficou sempre carente de um homem, no fundo um "10" que preenchesse o espaço atrás dos pontas-de-lança, criasse linhas de passe, provocasse roturas e aparecesse a finalizar de meia-distância.

Por outras palavras, ontem, a partir de certa altura, a equipa "reclamou" a presença de Zahovic ou então de alguém que desempenhasse o mesmo papel (Simão? Geovanni? Manuel Fenrnades?). Só que quem acabou por vestir (às vezes) essa pele foi Petit que, não tendo o dom da ubiquidade, não foi capaz de ser "criador" e... "sapador"...

Mandão

Trapattoni decidiu-se por Nuno Gomes em vez de Zahovic, abordando o jogo com dois pontas-de-lança. Pelo que se viria a observar durante os primeiros 45 minutos, na prática acabou por actuar com... nenhum. É que Sokota esteve de tal forma desastrado no capítulo da finalização (duas excelentes oportunidades: na primeira ficou a pedir "penalty" -- que não existiu-- e na segunda ficou a ver a bola passar à frente do nariz incapaz de reagir com o instinto que distingue os homens golo), escrevia eu que Sokota esteve tão mal que mais valia era ter sido ele a ficar de fora.

O Benfica foi "mandão" durante toda a primeira parte, abriu o jogo pelos flancos mas, além de acusar o desacerto de Sokota, faltou-lhe que a segunda linha, nomeadamente Manuel Fernandes e Petit, aparecesse mais próxima da área. Assim, o Sp. Braga teve tempo e espaço para controlar as operações a meio-campo, com marcações individuais que levaram, por exemplo, Luís Loureiro a vigiar Nuno Gomes, libertando assim mais um central para a cobertura a Sokota.

Braga curto...

O Benfica dominou, é certo, mas não é menos verdade que foi um domínio consentido e até certo ponto controlado. Podia o Benfica ter marcado? Podia, sim senhor, mas o Sp. Braga nunca viveu em sobressalto. Era no entanto um Sp. Braga curto que, ao contrário do que prometera nos minutos iniciais não se esticou muito até à área de Moreira.

...E comprido

O último minuto da 1ª parte contrariou os 44 anteriores. João Tomás apareceu solto sobre a esquerda e podia ter marcado se o árbitro não assinalasse um fora-de-jogo inexistente. Os 45 que se seguiram trouxeram uma equipa completamente diferente.

O posicionamento em campo foi o mesmo, a atitude é que foi completamente diferente. Jesualdo Ferreira acreditou que podia ganhar o jogo e "libertou" a equipa que desde o primeiro minuto da 2ª parte foi à procura do golo. Esteve à beira do conseguir, precisamente nos últimos instantes do jogo, quando num contra-ataque, de três-contra-dois, João Tomás demorou a entregar o "oiro" a Paulo Sérgio e este já não acreditou que pudesse fazer golo. E não fez mesmo.

Ilusão

O Sp. Braga estendeu-se no campo e embora tenha colocado problemas ao Benfica trouxe também mais espaço ofensivo ao adversário. Trapatonni apostou então em Karadas e o Benfica passou a ter dois homens metidos entre os centrais minhotos, mas perdeu o seu único elo de ligação: Nuno Gomes.

Ora, com o acumular do desgaste e a necessidade de, agora, andar a correr atrás da bola que o Sp. Braga fazia circular com mais velocidade, tanto Petit como Manuel Fernandes já não tinham pulmão para emprestar à equipa. A ideia que o Benfica tinha agora melhores condições para chegar à vitória, era pura ilusão. Como se provou.

Árbitro

JOÃO FERREIRA (1). Foi acima de tudo vitíma dos seus assistentes que erraram sistematicamente no fora-de-jogo. Mal no capítulo disciplinar, tardando a puxar pelo cartão amarelo na 1ª parte (só o fez à 11ª falta do Braga quando ainda íamos no 20º minuto) e a perdoar o cartão (no mínimo amarelo) a Petit por entrada sobre Abel. Analisou bem um pretenso penalty sobre Sokota. Não houve.

Três clubes espiam

O Hearts, adversário do Sp. Braga na Taça UEFA; o Sevilha, que encontra o Nacional na mesma competição, e o Liverpool enviaram emissários ao Estádio da Luz. A segunda mão da primeira eliminatória da prova europeia disputa-se quinta-feira.

Assistência aquém das expectativas

O Benfica apelou à presença massiva dos adeptos no encontro com o Sp. Braga, mas a verdade é que compareceram cerca de 35 mil pessoas (não houve registo oficial), um número que provavelmente fica aquém das expectativas dos dirigentes encarnados.
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