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Benfica-Sp. Braga, 1-1: Órfãos de Simão perdem terreno

CRÓNICA

O BENFICA perdeu ontem dois dos quatro pontos que tinha de vantagem sobre o FC Porto na luta pela qualificação europeia, ao empatar em casa com o Sporting de Braga, equipa tranquila na tabela que completou a ronda das visitas aos três grandes tradicionais (Sporting, Benfica e FC Porto) sem conhecer a derrota.

Embora tenha nascido de uma grande penalidade mal assinalada por Isidoro Rodrigues, o empate ajusta-se perfeitamente ao que se viu no relvado: os dois treinadores fizeram tudo para ganhar, lançando cartas ofensivas para as quatro linhas, pelo que nenhum deles merecia sair derrotado.

Ficou a ganhar o espectáculo, premiado com uma segunda parte muito agradável, com a bola a rondar as duas balizas e várias ocasiões de golo.

A primeira parte, em contrapartida, tinha sido aborrecida. O Benfica não conseguia disfarçar a “orfandade” de Simão, pois, embora tenha mantido a estrutura ofensiva móvel, com Pesaresi incluído no quarteto de avançados, faltavam-lhe mudanças de velocidade e a capacidade de dar esticões para ultrapassar a bem ordenada defensiva bracarense.

É que, face a esses quatro atacantes encarnados, Manuel Cajuda fez alinhar cinco defesas: dois laterais e um trio de centrais que faziam marcação à zona e onde Odaír era o elemento mais recuado. Desta forma, só havia duas maneiras de o Benfica criar perigo: ou através das incursões dos laterais, especialmente Armando, para criar superioridade numérica nos flancos, ou com passes para a entrada da área, onde Barroso se via muitas vezes só, dado o recuo de todos os seus companheiros para os últimos 16 metros. O capitão bracarense tinha a seu cargo toda a ligação entre a defesa e um ataque onde Ricardo Nascimento e Barata se escondiam, recuavam para fugir à marcação, abrindo caminho às incursões no contra-ataque dos dois extremos, Luís Miguel e Abiodun.

O resultado foi um certo impasse que durou 45 minutos, e no qual as excepções foram um livre rasteiro que Barroso fez bater no poste esquerdo da baliza de Moreira e uma jogada de Miguel à linha, que Zahovic aproveitou para rematar, já à entrada da pequena área, surgindo Artur Jorge a evitar o pior para as suas redes. Foram dois lances seguidos (aos 17’ e 18’), a dar algum brilho a uma primeira parte monótona, na qual o Benfica só se mostrou ameaçador quando cheirava a intervalo (quatro dos seus seis remates surgiram nos últimos 5’).

No segundo tempo, Jesualdo Ferreira trocou Pesaresi por Carlitos, mandou Drulovic para a esquerda e ganhou velocidade com o minhoto à direita. Aguiar quase marcou aos 50’, num cabeceamento perigoso defendido por Marco, mas foi o Sp. Braga que se adiantou, através de um remate indefensável de Abiodun, a dar seguimento a um passe com olhos de Ricardo Nascimento (52’) que Cabral não soube adivinhar. O resultado negativo e um falhanço clamoroso de Drulovic, só com Marco pela frente, aos 56’, não deram outra alternativa a Jesualdo se não chamar Mantorras.

E o angolano substituiu o defensivo Fernando Aguiar a meia hora do final, passando o Benfica a jogar num esquema mais atacante: Mantorras era o jogador mais adiantado (foram dele dois dos três remates em bola corrida do Benfica após a sua entrada), mas tinha Zahovic muito próximo, com Carlitos e Drulovic nas alas. Miguel, que na primeira parte fizera as vezes de ponta-de-lança, recuou para o lado de Tiago.

O golo do empate surgiu no tal “penalty”, um minuto depois de Cajuda ter arriscado a troca de Nascimento pelo mais ofensivo Zé Roberto. E, empatado, o técnico bracarense, mostrou que queria ganhar, substituindo Zé Nuno pelo veloz Bakero (Luís Miguel passou para defesa-direito) e mais tarde refrescando o ataque com a troca de Abiodun por Lima. Barata, que acabou a jogar ao lado de Barroso num Braga muito ambicioso, teve ainda ocasião de se mostrar: driblou Armando mas viu Moreira desviar para canto com uma superdefesa a mostrar que não se assustou com Enke no banco.

Além de alguns erros menores, ISIDORO RODRIGUES fica ligado ao resultado por ter assinalado um “penalty “inexistente a favor do Benfica.

Isidoro devolveu o que tinha tirado

Eriksson não gostava de comentar arbitragens, com a convicção de que, no fim dos campeonatos, feitas as contas, entre ganhos e perdas, os saldos costumavam ser equivalentes.

Ontem, na Luz, mais uma vez se provou que o sueco tinha razão. Isidoro Rodrigues, árbitro maldito para o Benfica desde que, na primeira jornada, obstruiu a equipa de Toni na Póvoa de Varzim, não assinalando um “penalty” claro sobre Mantorras e abrindo o caminho ao empate varzinista, ajudou agora os encarnados a chegar ao empate frente ao Sp. Braga, punindo com grande penalidade uma jogada entre Artur Jorge e Carlitos, em que não há sequer contacto.

O lance era difícil de ajuizar. Carlitos foi à linha de fundo, inverteu o sentido de marcha e, ao passar por Artur Jorge, estatelou-se. Isidoro Rodrigues estava junto à meia lua, mas apontou de imediato para a marca de grande penalidade. É admissível que a contestação que sofreu após os dois jogos do Benfica que apitou este ano o tenha ajudado a tomar a decisão.

Logo na primeira jornada, Isidoro esteve no Varzim-Benfica e, com os encarnados a ganhar por 2-0, não marcou um “penalty” evidente de Alexandre sobre Mantorras. A ser assinalado e convertido, significaria provalmente o final competitivo do jogo. Mais tarde, expulsou Pesaresi por agressão a Fumo e, embora tenha falhado o “penalty” correspondente, o Varzim ainda chegou ao empate.

Isidoro voltou depois a ter o Benfica pela frente à quarta jornada, em Aveiro. Também aí o Benfica chegou aos 2-0, mas o Beira-Mar acabou por virar o resultado, começando tudo num “penalty” por empurrão de Júlio César a Fary. Dessa vez, contudo, embora muito contestado pelos benfiquistas, acertou. E o jogo acabou empatado (3-3). Tal como o de ontem.
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