Record

Benfica voltou a ver-se grego e, desta vez, o herói foi ucraniano

ENCARNADOS ACABARAM POR GANHAR COM ALGUMA SORTE A UM SP. BRAGA SURPREENDENTE NA SEGUNDA PARTE

Benfica voltou a ver-se grego e, desta vez, o herói foi ucraniano
Benfica voltou a ver-se grego e, desta vez, o herói foi ucraniano

DEPOIS de uma primeira parte fulgurante, como há muito se não lhe via fazer, em que poderia ter despachado para o intervalo o Sp. Braga com uma goleada, o Benfica, à semelhança do que sucedeu na passada quinta-feira com os gregos do PAOK, voltou a ver-se grego para ganhar ao "lanterna vermelha" da tabela classificativa. Nada fazia prever cambalhota tão inesperada no jogo a seguir ao intervalo, quando o Sp. Braga sacudiu para detrás das costas os complexos de inferioridade, as inibições e os medos, e surgiu disposto a dar a volta ao jogo ou, no mínimo, a vender cara a derrota. Mas, mais surpreendente que a transformação pós-intervalo verificada na equipa minhota, foi a "tremideira" que se apossou do líder do campeonato, nervoso, inseguro e incapaz de contrariar a assunção por parte do seu adversário da iniciativa e do controlo do jogo.

Mas como explicar o colapso encarnado na segunda parte? Houve razões objectivas que contribuíram decisivamente para essa quebra, para além do mérito do próprio Sp. Braga, que não deve ser subestimado, ao obrigar o Benfica a defender junto à sua área e a pressioná-lo de forma a cometer erros comprometedores.

A verdade é que o Benfica, que mandou literalmente no jogo durante a primeira parte, com o Sp. Braga acantonado no seu meio campo, sem capacidade para subir ou sequer criar lances de contra-ataque, permitiu que os minhotos lhe fizessem o mesmo na segunda parte. Ao intervalo, Cajuda tirou o ausente Dibo, lançou Toni para formar dupla no ataque com Silva (este jogador tem, de facto, um potencial para mais altos voos), alteração esta que, com outra que operara minutos antes do intervalo [Bruno por Lino], se revelaram decisivas na transformação do futebol bracarense. A equipa parecia outra, pegou no jogo, "assentou arraiais" no meio campo encarnado, e o Benfica abanou como um pudim flã, no seu todo.

A defesa recuou amedrontada perante a dupla Silva/Toni, fisicamente poderosa, o meio-campo perdeu o controlo do jogo [sem bola não se pode atacar] e o ataque [João Pinto/Nuno Gomes] ficou entregue à sua sorte. E porque é que o Benfica perdeu o domínio do meio-campo? Porque Calado "deu o bafo", com sinais de nítido cansaço, e porque Kandaurov não defende, o que foi mais notório a seguir ao intervalo. Barroso, Tiago, Castanheira e Lino ganharam supremacia, com uma boa circulação de bola a fazer chegá-la aos dois avançados, e Heynckes percebeu que tinha de reequilibrar o meio-campo, sob pena de correr o risco de perder o jogo.

A bola deixou de chegar aos médios-ala Poborsky e Bruno Basto, sobretudo ao checo, que até ao intervalo tinha sido o principal pólo dinamizador e desequilibrador do ataque encarnado, como há muito se não lhe via.

Aos 67' o técnico alemão fez entrar Chano e Maniche, sacrificando Bruno Basto e João Pinto, que não gostou nada de ser substituído. E diga-se, em abono da verdade, com alguma razão, já que Kandaurov tinha corrido um bom quilómetro a menos do que ele. Mas Heynckes voltou a ser feliz na opção que tomou, já que seria o ucraniano a decidir o jogo na execução de um livre a trinta metros da baliza, a 10 minutos do fim. Um golo sensacional. Nessa altura, em função da forma como o jogo decorria, o Benfica parecia absolutamente incapaz de chegar ao triunfo.

O Sp. Braga empatara aos 61' e, não obstante as entradas de Chano e Maniche terem permitido ao Benfica ter mais tempo a posse de bola e retomar a iniciativa de jogo, transmitia a sensação firme de ser capaz de controlar o último fôlego encarnado em busca da vitória.

Há que realçar, porém, que o Benfica, depois do que se passou com o PAOK, bem podia ter poupado novo sofrimento à sua massa adepta, se na primeira parte tivesse concretizado algumas das muitas oportunidades de golo que criou na sequência de uma exibição que atingiu fases de fulgor e de inspiração colectiva.

Aliás, os espiões do Celta de Vigo devem ter ficado baralhados com o que viram antes e depois do intervalo.

O árbitro Bruno Paixão anulou um golo ao Sp. Braga, aos 50', aparentemente por fora-de-jogo posicional de um dianteiro bracarense. Se o fez por essa razão, errou, porque em nada interferiu no lance, no qual a bola rematada por Barroso, na execução de um livre, tabelou num jogador encarnado e entrou como um bólide na baliza de Enke.

JOÃO CARTAXANA

Deixe o seu comentário
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Sp. Braga

Notícias

Notícias Mais Vistas

M