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FC Porto-Sp. Braga, 2-0: Sem rodagem e com odor a pré-época

CRÓNICA

FC Porto-Sp. Braga, 2-0: Sem rodagem e com odor a pré-época
FC Porto-Sp. Braga, 2-0: Sem rodagem e com odor a pré-época • Foto: Simão Filho
Mesmo a jogar menos do que há um ano, o FC Porto entrou melhor na SuperLiga do que na época do título. Fê-lo com três pontos nascidos de uma vitória por 2-0 sobre o Sporting de Braga, mas apresentou-se ainda a precisar de muita rodagem: sem continuidade a meio-campo, onde a falta de um Costinha regulador e imponente se faz sentir, e sem inspiração na frente, onde precisa ainda de habituar-se ao jogo clínico de McCarthy, bastante diferente do muito mais participativo Postiga.

Valeu à equipa de José Mourinho que o Sp. Braga tenha entrado tímido em campo e que só na segunda parte tenha decidido discutir o jogo. Nessa altura, o campeão tremeu durante 25 minutos, mas aos minhotos faltou então qualidade na frente. Jesualdo deve ter suspirado pela ausência de Pena.

Mourinho optou por começar no seu clássico 4x3x3 e praticamente com o onze habitual da época passada: só Capucho, entretanto transferido para o Glasgow Rangers, deu o lugar a Bosingwa. Mas a mesma táctica e os mesmos homens não compensam a falta da dinâmica do FC Porto campeão. A equipa fez uma boa meia hora e esgotou-se.

A partir daí notou-se que Costinha praticamente não fez pré-época, que Deco ainda não está na forma física pleutórica que lhe permite fazer da arte um argumento imparável, que a Maniche ainda falta a estabilidade para ser o regulador do onze em campo, que o conjunto não aguenta a pressão alta por muito tempo.

No período bom, o FC Porto viveu muito da velocidade de Bosingwa, sempre um quebra-cabeças para Jorge Luiz: o extremo que veio do Boavista esteve nas duas melhores ocasiões da equipa e ainda viu ser-lhe mal anulado um cruzamento que (já depois do apito do árbitro) McCarthy aproveitou para fazer golo.

O sul-africano manteve a média de pelo menos um golo por partida com que está creditado na SuperLiga (vai agora com 13 em 12 desafios) e até se esforçou por participar na construção de jogo, mas maça menos os defesas do que Postiga. É mais finalizador e menos jogador, o que se reflecte no rendimento dos companheiros. Por alguma razão Derlei apareceu mais nos últimos 15 minutos, quando teve a seu lado Jankauskas e a equipa jogava em 4x4x2, do que nos 75 que os antecederam.

O Sp. Braga apresentava um 4x3x3 semelhante ao do FC Porto, mas faltava-lhe profundidade no ataque, onde o veloz e incisivo Paulo Sérgio era um oásis. Henrique e Igor davam muito trabalho aos defensores portistas, mas raramente mostravam a qualidade do ala direito. Daí que, durante toda a primeira parte, a equipa de Jesualdo se tenha limitado a tentar segurar os portistas e que só tenha feito um remate, num livre de Barroso em plena meia-lua, logo nos primeiros instantes.

Na segunda parte, contudo, a história foi diferente. A perder por 1-0, o Braga regressou dos balneários mais ambicioso. Barroso percebeu que não teria muito trabalho para segurar um Deco desinspirado e libertou Nené para empurrar a equipa para a frente. E, com Paulo Sérgio em bom nível, foi a vez dos bracarenses ameaçarem Baía: até aos 70', altura de uma perdida escandalosa de Castanheira, com o guarda-redes portista fora dos postes, os bracarenses chutaram sete vezes contra apenas uma (remate frouxo e de longe de Maniche) do FC Porto. Com Pena (emprestado pelo FC Porto), o Braga talvez pudesse ter levado um pontito.

Simplesmente, quando foi altura de refrescar, enquanto Jesualdo teve que recorrer a dois jogadores da equipa B (Pedro Pereira e Edinho), Mourinho tinha no banco argumentos para ganhar o jogo. Com Alenitchev em vez de Bosingwa, passou a jogar em 4x4x2 (embora a presença de Deco sobre a direita fosse dúbia e mantivesse o inseguro Jorge Luiz em permanente sobressalto) e equilibrou o meio-campo. Acabou aí a superioridade do Braga, que nos 20 minutos em que Alenitchev esteve em campo, só rematou mais uma vez.

Com Tiago em vez de Costinha ganhou força e impediu Nené de impulsionar a equipa para a frente. E com Jankauskas em vez de McCarthy, activou Derlei e fez o segundo golo, numa jogada em que os intervenientes foram o lituano e o brasileiro.

Feitas as contas, o Braga mostrou potencial e ideias para uma época tranquila (ontem faltaram, além de Pena, Soderstrom e Wender). Mas o FC Porto foi, mesmo assim, um vencedor justo. Percebe-se, no entanto, por que razão Mourinho quer fazer um jogo particular no próximo fim-de-semana no caso de as incríveis particularidades do futebol português não lhe permitirem fazer a partida com o Estrela da Amadora. É que, tal e qual um carro potente mas novo, também este Porto precisa de rodagem.

Elmano Santos

Dois erros do fiscal de linha que actuou do lado da central nascente prejudicaram a arbitragem. Viu fora uma bola que Bosingwa cruzou dentro e que McCarthy (com o jogo interrompido) aproveitou para fazer golo.

Depois, tirou um fora-de-jogo inexistente a Castanheira, quando o bracarense ia isolado para a baliza de Baía. De resto, regista-se apenas o virar de costas a um sururu na área bracarense quando a bola seguiu para o outro meio-campo. Mas aí, se calhar, até fez bem.
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