Record

Marítimo-Sp. Braga, 1-0: Tradição e qualidade

CRÓNICA

O líder do campeonato perdeu à 10.ª jornada, caindo num terreno onde não consegue vencer há... 16 anos. O Marítimo impôs a sua qualidade e confirmou a trajectória ascendente desde que Paulo Bonamigo tomou conta da equipa, superando um Sp. Braga uns furos abaixo do seu normal. Nem o “forcing” final, na última meia hora – com mais coração do que cabeça – apaga uma exibição marcada por erros defensivos e parcas soluções para ultrapassar a defesa madeirense.

O Marítimo somou mais 3 pontos na fuga aos últimos lugares, voltando a mostrar qualidade para sair dali. Sem ter feito uma exibição de grande nível, foi sempre uma equipa equilibrada, tacticamente rigorosa e astuta a explorar as debilidades do adversário. Depois de uma fase inicial de estudo mútuo, os madeirenses começaram a ganhar mais bolas na intermediária e tomaram a iniciativa, com o habitual “losango” do meio-campo a funcionar bem. Kanu e Manduca não tinham posição fixa e numa das suas movimentações acabou por surgir o único golo do encontro: um erro defensivo clamoroso dos minhotos, com Kanu a aproveitar o espaço concedido e a não perdoar, reafirmando a sua veia goleadora.

O Braga foi uma sombra nessa fase e, salvo um remate pontual de João Tomás logo no início, só criou perigo em período de descontos, através de Jorge Luiz. Face à ausência de arte colectiva, só mesmo por intermédio de acções individuais é que podia haver desequilíbrios.

Reacção

Jesualdo Ferreira, que ficou privado de Paulo Jorge ainda na primeira parte, por lesão, procurou imprimir mais dinâmica com a entrada de Cesinha. E conseguiu-o, já que o brasileiro deu que fazer a Briguel e Van der Gaag. A equipa surgiu melhor após o intervalo, teve mais posse de bola, mas faltou sempre cabeça e discernimento no último terço do terreno.

A segunda metade abriu com um lance polémico, já que João Tomás foi empurrado na área por Briguel. Lucílio Baptista hesitou e acabou por mandar seguir, prejudicando a formação visitante. Só que o actual líder da Liga não se pode desculpar com esse lance. Faltaram argumentos na frente – Maxi Bevaqcua não foi solução – frente a um Marítimo que, nesse período, preocupou-se essencialmente em ser um conjunto calculista, gerindo a preciosa vantagem. Defendeu quase sempre bem e nunca deixou de procurar a baliza adversária, em rápidos contra-ataques a explorar os espaços deixados pelo adiantamento arsenalista.

À excepção de Cesinha, que teve nos pés duas oportunidades para o empate – na segunda foi o guardião Marcos a mostrar os seus reflexos –, a pressão visitante não teve expressão prática. Viveu quase sempre dessas acções individuais.

Gestão

O Marítimo quase “matou” o jogo num lance veloz, concluído com um grande remate de Briguel, que obrigou Paulo Santos a defesa espectacular. Foi a defesa da noite, a do novo guarda-redes da Selecção Nacional.

Nos últimos minutos, Paulo Bonamigo fez três alterações, refrescando a linha atacante. O objectivo era conservar a bola longe da sua baliza e foi conseguido.

Em suma, a força da tradição e a inteligência e qualidade verde-rubras impuseram a primeira derrota a um Braga que, apesar de tudo, continua a ser o primeiro classificado. E a seguir recebe o Benfica.
9
Deixe o seu comentário
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Sp. Braga

Murilo na sua praia

Só disputou 42’ às ordens de Abel mas os adeptos sentiram que podia ter dado ajuda no Dragão
Notícias

Notícias Mais Vistas

M