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Salgueiros-Sp. Braga, 1-0: «Alma» demorou a acordar

CRÓNICA

“Foram oitenta e cinco minutos de coração nas mãos, de ambos os lados, com muitos nervos à mistura, muita falta de discernimento, tudo isto fruto de um jogar sobre brasas à procura de uma vitória que estabilizasse os níveis de ansiedade bem retratados numa posição na tabela classificativa que, comparativamente à da época passada, é ‘só’ quase o oposto”
Salgueiros-Sp. Braga, 1-0: «Alma» demorou a acordar • Foto: Simão Filho
FORAM oitenta e cinco minutos de coração nas mãos, de ambos os lados, com muitos nervos à mistura, muita falta de discernimento, tudo isto fruto de um jogar sobre brasas à procura de uma vitória que estabilizasse os níveis de ansiedade – mais no Salgueiros do que, obviamente, no Braga –, bem retratados numa posição na tabela classificativa que, comparativamente à da época passada, é “só” quase o oposto.

E quando isto acontece, por melhor valia técnica dos artistas em campo, não há passe que resulte, não há lances escorreitos e o futebol acaba por não subir um único degrau no patamar da qualidade exigida no nosso escalão de elite.

Claro que Manuel Cajuda poderá queixar-se do gesto irreflectido de Odaír, obrigando-o a “queimar” uma substituição – tirando Riva que até aí tinha sido um mouro de trabalho – que poderia ter sido utilizada de outra forma, mas também Vítor Manuel não pôde contar com o estratego Litera e Marco Cláudio, muito melhor entrosados na equipa do que, por exemplo, o estreante Delson. Porém, tudo isto são contingências dos jogos e, neste, o mais importante – apesar de se dizer que “não existia pressão” – era lutar por uma vitória, apesar de, teoricamente, competir ao Salgueiros, por jogar ante o seu público, somar os primeiros três pontos.

Convenhamos que não foi tarefa fácil. Primeiro porque os seus jogadores não se conseguiam desenvencilhar do espartilho que os bracarenses lhes colocavam e, depois, porque o estilo de jogo desenvolvido pecava por não utilizar as alas como “gazua” para forçar a defesa contrária a “abrir-se” mais e, por aí, encontrar espaços para os remates que apoquentassem Quim. Se juntarmos a este pormenor a duradoira distracção dos dianteiros salgueiristas face à defesa em linha dos bracarenses – muitos foras-de-jogo quebraram o ritmo de jogo – encontraremos o justificativo para o aumento da ansiedade dos homens de Vidal Pinheiro e, consequentemente, para a incapacidade de gerar lances que colocassem em apuros a defesa do Braga.

Mesmo com dez homens, e por via desse nervoso miudinho, foram os bracarenses que geriram melhor o jogo, maior velocidade imprimiam ao seu futebol, procurando tirar partido de contra-ataques que poderiam resultar face ao adiantamento da defesa da casa, desejosa de ajudar os homens da dianteira.

Até que Vítor Manuel, depois de duas tentativas sem resultados práticos – as entradas de Ernesto e Armando não trouxeram maior agressividade atacante, exactamente porque o estilo continuava o mesmo, isto é, um futebol afunilado –, coloca Basílio e, sem qualquer hesitação, salta do banco e aponta-lhe o flanco esquerdo como “lugar a ocupar”. E o Braga oscilou. No mínimo, teve muitos mais problemas defensivos, já que o adversário o obrigava a defender a toda a largura do terreno e, no meio, já se viam “abertas” por onde um Toy mais inspirado poderia fazer estragos. Não foi Toy mas... foi Basílio. Merecidamente, acrescente-se. Um cruzamento largo de João Pedro – do flanco direito – levou a bola à cabeça de Basílio, no outro flanco, para uma cabeçada fortíssima que deixou Quim sem a mínima hipótese de fazer o que quer que fosse.

Uff! Pelos saltos dados bem dentro das quatro linhas, bem se poderá imaginar a pressão que se vivia no banco salgueirista. Enfim, quebrado o jejum de quatro jogos.

ANTÓNIO COSTA realizou um trabalho de bom nível, nem sempre fácil, mas seguro, sem espalhafatos ou “excessos de autoridade”.
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